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A despedida final de Valverde: 504 jogos do Athletic

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Ernesto Valverde encerra sua trajetória de 504 jogos no Athletic no Bernabéu em 23 de maio de 2026, última partida de La Liga. Edin Terzic o sucederá na

Ernesto Valverde encerrará um dos capítulos mais emblemáticos da história do Athletic Club no sábado, quando comandar seu 504º e último jogo pelo time basco contra o Real Madrid no Santiago Bernabéu. O técnico de 62 anos, carinhosamente conhecido como 'Txingurri' (a formiga), deixa um banco que ocupou com distinção em duas passagens, tornando-se o treinador com mais partidas nos 126 anos de existência do clube. Sua saída, que será seguida por um ano sabático do futebol, não apenas sinaliza o fim de uma era em Bilbao, mas também remove uma das figuras mais respeitadas e duradouras de La Liga da primeira divisão espanhola.

A associação de Valverde com o Athletic começou em agosto de 2003, quando estreou como técnico da primeira divisão com uma derrota em casa para o Barcelona no antigo San Mamés. Naquele dia, ele usava terno e gravata, um visual formal que gradualmente abandonou enquanto construía uma reputação de futebol pragmático e competitivo. Em duas passagens — de 2003 a 2005 e novamente de 2013 a 2026 — ele acumulou 504 partidas oficiais, superando todos os seus antecessores em longevidade. Suas equipes garantiram finais da Copa do Rei, classificações europeias e uma vitória na Supercopa da Espanha, embora um grande troféu tenha escapado em Bilbao. Sua segunda passagem, de 13 anos, o consolidou como a face definitiva da identidade moderna do Athletic.

Além do Athletic, a trajetória de treinador de Valverde inclui passagens por Espanyol, Villarreal, Valencia e Barcelona, onde conquistou dois títulos de La Liga e uma Copa do Rei. Suas quase 600 partidas em La Liga o colocam entre os treinadores mais experientes da competição. Agora, com seu apito final no Bernabéu, ele diz que está entrando em um 'parêntese' — uma pausa que pode se tornar permanente. Aos 62 anos, ele não se compromete com um retorno, deixando o mundo do futebol se perguntando se uma de suas mentes táticas mais afiadas saiu de cena para sempre.

O Bernabéu fornece um palco adequado, embora assustador, para sua despedida. A última vitória do Athletic na casa do Real Madrid data de 19 de fevereiro de 2005, quando um time liderado por Valverde triunfou por 2 a 0 com gols de Asier del Horno e Andoni Iraola. Surpreendentemente, várias figuras daquela vitória estarão no banco no sábado: o próprio Valverde, seu assistente de longa data Jon Aspiazu, e o preparador físico Xabier Prieto e o assistente técnico Pablo Orbaiz — estes dois últimos jogaram naquela partida. Essa reunião adiciona uma camada de nostalgia a uma despedida já carregada de emoção.

O Athletic viaja para Madri com pouco mais que o orgulho em jogo. Suas fracas esperanças de classificação europeia desapareceram após um empate em casa por 1 a 1 com o Celta de Vigo, que os deixou com apenas quatro pontos dos últimos 15 possíveis. O final da temporada tem sido fraco, e a despedida de Valverde acontece em meio a uma sequência de resultados indigna dos padrões de seu mandato. Uma vitória no Bernabéu seria um ato final desafiador, mas as probabilidades são enormes contra um Real Madrid que transformou o estádio em uma fortaleza.

Enquanto a saída de Valverde marca uma ruptura com o passado, o futuro do Athletic já tem um rosto: Edin Terzic. O alemão, que ganhou destaque ao levar o Borussia Dortmund à final da Champions League de 2024, se tornará o primeiro treinador nascido no exterior a comandar o clube na era moderna. Sua nomeação sinaliza uma possível mudança na dependência tradicional do Athletic de técnicos ligados ao País Basco, embora o compromisso do clube com sua política de apenas jogadores bascos permaneça intacto. Terzic enfrenta o desafio imediato de rejuvenecer um elenco que estagnou e redescobrir a intensidade que definiu os melhores anos de Valverde.

Adicionando uma subtrama fora de campo, o Athletic estreará seu uniforme para a temporada 2026-27 no Bernabéu. A camisa, cujo design incorpora imagens que foram interpretadas como uma referência à identidade basca, gerou duras críticas de certos grupos políticos em Navarra. A controvérsia foi descartada por muitos como oportunista, mas ressalta as sensibilidades culturais e políticas únicas que cercam o clube. Para a última partida de Valverde, a nova camisa será uma peça simbólica — que carrega tanto a esperança do futuro quanto o peso da política regional.

Avaliar o legado de Valverde no Athletic é pesar consistência e identidade acima dos troféus. Ele sai tendo transformado o clube de um time que flertava com o rebaixamento em um competidor europeu estável, tudo enquanto honrava a filosofia de recrutamento única que faz do Athletic uma das instituições mais românticas do futebol. Sua capacidade de extrair desempenho de um grupo limitado de jogadores bascos lhe rendeu admiração em toda a Espanha. A ovação de pé que recebeu no San Mamés na semana passada — onde foi presenteado com um troféu de homenagem — foi um testemunho do vínculo que ele forjou com os torcedores, embora o capítulo final esteja sendo escrito na capital espanhola.

A saída de Valverde também reduz as fileiras de treinadores veteranos espanhóis na primeira divisão. Ao lado de figuras como Diego Simeone e Carlo Ancelotti, ele era um dos técnicos mais antigos da liga. Sua saída deixa uma lacuna em experiência e astúcia tática que será sentida em toda a competição. Para o Athletic, a transição para Terzic é uma aposta que pode revitalizar o clube ou expor a fragilidade de um modelo que sempre dependeu de profundo conhecimento institucional e de um treinador que entende sua alma.

Quando o apito final soar no Bernabéu, Valverde se afastará do banco como chegou: com a dignidade tranquila que marcou toda sua carreira. Seja esta uma despedida permanente do futebol ou apenas uma pausa, sua jornada de 504 jogos pelo Athletic se ergue como um monumento à lealdade e à substância em uma era de lealdades fugazes. Para os bascos, sábado não é apenas o fim de uma temporada, mas o fim de um capítulo definidor — que será lembrado toda vez que a 'formiga' retornar ao San Mamés como torcedor.

Baseado em informações do Marca.