A jornada do Arsenal para a final da Champions League tem sido uma aula magistral de solidez defensiva, uma qualidade que será levada ao limite absoluto contra a formidável máquina de ataque do Paris St-Germain. A vitória dos Gunners por 1 a 0 na semifinal sobre o Atlético de Madrid, selada pelo gol decisivo de Bukayo Saka, foi definida tanto por uma intervenção defensiva crucial quanto pelo talento ofensivo. O técnico Mikel Arteta destacou um 'momento mágico' do zagueiro Gabriel, cuja pressão de última hora frustrou Giuliano Simeone após um erro defensivo, como o epítome do caráter da equipe.
Essa resiliência defensiva tem sido a pedra angular da campanha do Arsenal, muitas vezes criticada por ser excessivamente pragmática. No entanto, é exatamente essa característica que os impulsionou para sua primeira grande final europeia em duas décadas. As estatísticas são convincentes: nove jogos sem sofrer gols em 14 partidas europeias, apenas dois gols sofridos em seis jogos eliminatórios e uma média excepcional de gols esperados contra (xGA) de apenas 0,84 por jogo. Esse recorde os coloca na companhia dos campeões recentes, pois sete dos últimos 13 vencedores possuíam uma média de xGA inferior a 1,0 durante suas campanhas triunfantes.
Seus oponentes, no entanto, apresentam um desafio radicalmente diferente. O PSG chegou à final com uma emocionante vitória agregada de 6 a 5 sobre o Bayern de Munique, exibindo um ataque que marcou 44 gols em 16 partidas europeias nesta temporada. Apenas o Barcelona de 1999-2000 marcou mais em uma única campanha. O analista da Champions League, Nedum Onuoha, destacou a incrível capacidade de trabalho do PSG e a melhora defensiva, afirmando: 'Você não chega tão longe nesta competição sem ter algo na defesa também'.
A batalha tática é clara. O Arsenal confiará em sua linha defensiva organizada e na excelência do goleiro David Raya, uma base que o ex-vencedor da Champions League, Clarence Seedorf, acredita que pode ser decisiva. 'Se eu tivesse que apontar um time que seria capaz de trazer para casa por causa dessa capacidade, seria o Arsenal', comentou Seedorf. Em contraste, a média de xGA do PSG na Europa nesta temporada é de 1,38, uma vulnerabilidade que o Arsenal buscará explorar.
O caminho do Arsenal para a final, embora impressionante com uma fase de liga de oito vitórias e triunfos sobre Bayern, Atlético e Internazionale, foi percebido como menos árduo do que a rota do PSG através de Monaco, Chelsea, Liverpool e Bayern. No entanto, sua invencibilidade de 14 jogos na competição é um recorde do clube, superando uma sequência da era 2005-06 sob Arsene Wenger. A maturidade deste time atual, especialmente na defesa, o diferencia dos times anteriores do Arsenal que muitas vezes ficavam aquém no nível mais alto.
Ex-jogadores e analistas estão unidos na crença de que o Arsenal tem uma chance real. Owen Hargreaves destacou a nova confiança da equipe, enquanto Steven Gerrard traçou paralelos com a famosa vitória do Liverpool como azarão em 2005, enfatizando a necessidade de o Arsenal usar sua fisicalidade e impor seu jogo. Chris Sutton descartou as narrativas sobre o declínio de final de temporada do Arsenal, afirmando que a final pode ser um 'jogo 50/50'.
A final no Puskás Arena, em Budapeste, em 30 de maio, está preparada como um confronto clássico de estilos: a estrutura disciplinada e de contra-ataque do Arsenal contra o ataque fluido e de alta pontuação do PSG. Embora o PSG seja mais ofensivo do que em sua semifinal, Hargreaves insiste que 'este é um Arsenal diferente agora'. A própria potência ofensiva dos Gunners, com 67 gols na Premier League, garante que eles não dependam apenas da defesa.
Para o Arsenal, esta representa uma chance de vingar a derrota na semifinal da temporada passada para o PSG e conquistar seu primeiro título da Champions League. Para o time de Arteta, a confiança é palpável. Como observou um torcedor, a capacidade da equipe em seu dia os torna uma ameaça para qualquer um. O palco está montado para um encontro monumental onde a fortaleza defensiva do Arsenal será testada contra o ataque mais prolífico da Europa.
Com base em reportagens da BBC Sport.