A busca de Novak Djokovic por um quarto título do Aberto da França teve uma reviravolta dramática na quarta-feira, quando o lendário jogador de 39 anos dominou um curinga francês combativo e uma multidão parisiense hostil em uma vitória de segunda rodada por 6-3, 6-2, 6-7(7), 6-3 que foi tanto uma batalha física quanto psicológica. O número 1 do mundo, já carregando o peso da busca por um histórico 25º título de Grand Slam de simples, se viu preso em uma atmosfera volátil na quadra Philippe-Chatrier, onde a reação valente de Valentin Royer e as vaias partidárias transformaram a partida em um cadinho de tensão. Desde calar os espectadores até produzir uma comemoração imitando um violino na última bola, Djokovic mais uma vez mostrou sua capacidade de se alimentar e, por fim, silenciar a dissidência.
A partida começou rotineiramente, com Djokovic arrasando nos dois primeiros sets com agressividade medida, deixando o 74º colocado Royer parecendo fora de seu nível. Mas o francês, impulsionado por uma multidão cada vez mais barulhenta, salvou múltiplos match points no tiebreak do terceiro set e o venceu por 9-7 com um devastador winner de direita. Essa postura desafiadora aumentou o volume a níveis ensurdecedores, e Djokovic começou a reagir visivelmente – levantando um dedo aos lábios após vencer pontos importantes e reclamando ao árbitro de cadeira quando um telefone tocou durante seu movimento de saque. "Eles não têm respeito, nenhum respeito", foi ouvido dizendo. A irritação do sérvio apenas intensificou as vaias, mas ele se manteve firme no quarto set, quebrando cedo e fechando a partida antes de fazer seu conhecido gesto de violino, uma mensagem de que as vaias eram apenas música para seus ouvidos.
Depois, Djokovic não escondeu seu cansaço ou seu descontentamento. "Joguei duas partidas e sinto que joguei por duas semanas", disse, referindo-se às condições desgastantes e à energia emocional gasta. "A multidão estava totalmente envolvida e não foi fácil para mim. Foi um dia muito quente. Espero não enfrentar outro francês aqui!" A citação ressalta o desafio único de enfrentar favoritos locais em Paris, onde as multidões historicamente foram impiedosas com o grande sérvio. Um confronto de terceira rodada agora o espera contra a sensação brasileira de 19 anos Joao Fonseca, que também sobreviveu a um emocionante jogo de cinco sets, recuperando-se de dois sets abaixo para eliminar Dino Prizmic. O contraste de experiência e o cenário parisiense barulhento garantem outro encontro eletrizante.
Em outras partidas do evento masculino, o russo cabeça de chave nº 11 Andrey Rublev escapou com uma vitória suada por 6-1, 1-6, 6-3, 7-6(5) sobre Camilo Ugo Carabelli em uma partida física que oscilou selvagemente. O jovem espanhol Rafael Jodar continuou sua impressionante marcha ao superar James Duckworth em quatro sets. No entanto, a imagem mais alarmante veio da quadra 7, onde o talento tcheco Jakub Mensik desabou dramaticamente com cãibras severas momentos depois de converter seu sétimo match point em uma épica por 6-3, 2-6, 6-4, 1-6, 7-6(13) contra Mariano Navone. O corpo do jovem de 20 anos travou completamente, necessitando de atenção médica urgente e lançando uma sombra sombria sobre sua ascensão. O incidente reacendeu conversas sobre o bem-estar dos jogadores e a natureza desgastante do tênis de melhor de cinco em condições sufocantes.
No lado feminino, a campeã defensora Iga Swiatek fez o suficiente para despachar a classificatória tcheca Sara Bejlek por 6-2, 6-3, mas sua atuação foi repleta de 38 erros não forçados – uma estatística que contradiz o placar de sets diretos. Swiatek, quatro vezes vencedora de Roland-Garros que perdeu apenas duas vezes no local desde 2020, foi particularmente crítica com seu saque. "Não estava feliz com meu primeiro saque, preciso ver o que aconteceu, não estava sentindo o ritmo da bola muito bem, então vou ajustar isso no treino", admitiu. A polonesa, conhecida por seus padrões implacáveis, enfrentará a compatriota Magda Linette em seguida, depois que Linette surpreendeu a ex-campeã Jelena Ostapenko. Embora Swiatek continue sendo a grande favorita, seus erros incomuns sugerem vulnerabilidades que as oponentes podem tentar explorar.
O torneio feminino perdeu sua segunda cabeça de chave em uma surpreendente virada quando a ucraniana Yuliia Starodubtseva lutou contra Elena Rybakina por 3-6, 6-1, 7-6(4). Rybakina, vencedora de Wimbledon 2024 e uma das poucas jogadoras com poder de fogo para incomodar Swiatek, parecia ter um dia rotineiro quando venceu o primeiro set, mas seu jogo desmoronou no segundo. Starodubtseva, classificada fora do top 50, reagiu e depois se recuperou de um déficit de 3-0 no decisivo para forçar um super tiebreak, onde mostrou notável compostura. O resultado joga a metade inferior da chave no caos e remove um grande obstáculo do caminho de Swiatek para a final. Para a ucraniana de 24 anos, marca a maior vitória de sua carreira e uma chance de fazer uma campanha profunda.
As esperanças britânicas sofreram um golpe quando Fran Jones caiu na segunda rodada para a cabeça de chave nº 27 Marie Bouzkova, por 6-0, 7-6(3). Jones, que havia derramado lágrimas de alegria após sua histórica primeira vitória em chave principal de Grand Slam sobre Beatriz Haddad Maia apenas dois dias antes, teve um início brutal, perdendo 10 dos primeiros 11 games. Mostrando garra, ela forçou o segundo set a um tiebreak, mas a consistência de Bouzkova foi demais. A derrota deixa Katie Boulter como a última britânica nas simples; ela enfrenta Anastasia Potapova na quinta-feira, carregando o peso das expectativas nacionais.
Várias outras mulheres fizeram declarações. A suíça cabeça de chave nº 11 Belinda Bencic despachou Caty McNally por 6-4, 6-0 com o mínimo de problemas, enquanto Elina Svitolina estendeu sua sequência de vitórias para oito partidas após uma vitória impecável por 6-0, 6-4 sobre Kaitlin Quevedo. A ucraniana, recém-saída da conquista do troféu do Aberto da Itália, está no auge no momento mais oportuno e parece uma ameaça real em um campo aberto. A jovem argentina Solana Sierra também roubou as manchetes ao eliminar a cabeça de chave nº 13 e ex-finalista Jasmine Paolini por 3-6, 6-4, 6-3, preparando um confronto de terceira rodada com Sorana Cirstea.
Olhando para o futuro, a trama do Aberto da França se complica. A rivalidade de Djokovic com os fãs – um tema recorrente em Paris – adiciona uma camada extra de drama à sua busca pela história. O duelo iminente com Fonseca, um atirador destemido, pode ser um momento de passagem de bastão ou outra masterclass de resiliência veterana. Para Swiatek, a falta de golpes limpos é uma preocupação menor, mas sua capacidade de vencer feio é a marca de uma campeã. As saídas de Rybakina e Ostapenko reduzem significativamente a lista de desafiadoras críveis, embora a forma de Svitolina e o surgimento de jovens talentos como Sierra sugiram possíveis surpresas. À medida que o calor persiste e a segunda semana se aproxima, Roland-Garros já está à altura de sua reputação como o Grand Slam mais exigente física e mentalmente.
As primeiras fases do torneio também foram definidas pelo custo humano da competição de elite. O colapso de Mensik, embora não tenha resultado em lesão a longo prazo, serve como um lembrete contundente dos limites físicos levados ao extremo pelos jogadores em condições extremas. Os organizadores enfrentarão perguntas crescentes sobre a programação e as políticas de calor. Enquanto isso, as narrativas emocionais – desde os altos e baixos emocionados de Jones até as batalhas de Djokovic com a multidão – continuam a cativar. A cada rodada que passa, as apostas aumentam, as multidões ficam mais barulhentas e o saibro de Paris escreve novas lendas.
Baseado em reportagens da Sky Sports.