Sábado era para ser um dia de dupla celebração para Al-Nassr e Cristiano Ronaldo. Em vez disso, terminou em amarga decepção quando os gigantes de Riad não conseguiram garantir nem o troféu da AFC Champions League Two nem um título antecipado da Saudi Pro League. Uma derrota por 1-0 para o Gamba Osaka do Japão na final continental foi agravada pela vitória do Al-Hilal por 2-0 sobre o Neom, adiando a coroação doméstica até a última rodada.
A final da AFC Champions League Two no Estádio KSU viu o Al-Nassr dominar todas as categorias estatísticas—20 chutes a 4, 68% de posse de bola—mas ser vítima de um contra-ataque clínico japonês. O único chute a gol do Gamba Osaka, aos 30 minutos, foi decisivo. Foi um caso clássico de desperdício punido, já que o time de Ronaldo sitiou o gol adversário, mas encontrou goleiro e trave em forma formidável.
Por longos períodos, parecia uma questão de quando, não se, o Al-Nassr marcaria. O trio ofensivo de Ronaldo, Sadio Mané e Kingsley Coman pressionou incansavelmente, combinando para 12 tentativas. No entanto, o passe final repetidamente faltou precisão, e o bloco baixo do Gamba Osaka se manteve firme. O time japonês, mostrando a resistência defensiva que os levou pelo torneio, absorveu a pressão e atacou quando o Al-Nassr se comprometeu demais.
O momento decisivo chegou aos 30 minutos. Uma transição rápida cortou a retaguarda do Al-Nassr, expondo espaço atrás dos laterais. Um cruzamento raso preciso encontrou um atacante do Gamba sem marcação, que calmamente empurrou a bola para dentro, passando pelo goleiro indefeso. Os 30.000 torcedores da casa ficaram chocados em silêncio, e a partir desse ponto, o peso da expectativa cresceu mais pesado sobre os ombros de Ronaldo e seus companheiros.
Esta derrota representa um golpe significativo na busca de Ronaldo por troféus na Ásia. Desde sua transferência de alto perfil para a Arábia Saudita, o astro português ainda não adicionou um troféu internacional de clubes ao seu currículo com o Al-Nassr. O único triunfo continental do clube veio em 1998, quando levantaram a agora extinta Copa dos Campeões Asiática. Para um time montado a alto custo para conquistar o continente, essa perda levanta questões desconfortáveis.
Enquanto isso, na liga, o destino do Al-Nassr estava entrelaçado com eventos em outros lugares. Sabendo que uma vitória do Al-Hilal adiaria a festa do título, o Al-Nassr só pôde assistir enquanto seus rivais despachavam o Neom com gols no segundo tempo. O resultado deixa o Al-Nassr dois pontos à frente no topo com um jogo restante. O campeonato será decidido na quinta-feira, com o Al-Nassr recebendo o 15º colocado Damac e o Al-Hilal visitando o 10º colocado Al Fayha.
Os cenários são simples: o Al-Nassr precisa apenas de um empate contra o Damac, do meio da tabela, para ser coroado campeão no saldo de gols, independentemente do resultado do Al-Hilal. No entanto, o custo psicológico da derrota na final da copa não pode ser subestimado. O Al-Nassr perdeu duas finais consecutivas sob o peso da expectativa, e a pressão de uma final que não pode perder pode ser assustadora.
O Al-Hilal, por outro lado, enfrenta uma complicada viagem ao Al Fayha, um time capaz de causar uma surpresa. Se o Al-Nassr tropeçar e o Al-Hilal vencer, o título vai para o time perseguidor. A margem estreita para erro adiciona uma camada de alto drama à rodada final. Para um clube que investiu pesadamente para dominar domesticamente, um segundo lugar seria visto como um fracasso.
Analisando a final da copa, as táticas do técnico Luís Castro também devem ser examinadas. Apesar da posse esmagadora, o time lutou para romper uma defesa bem organizada. As substituições vieram tarde e não conseguiram alterar o ritmo. A ausência de uma verdadeira centelha criativa no meio-campo, além do brilho individual, foi evidente enquanto o Al-Nassr forçava cruzamentos em áreas congestionadas.
Enquanto a poeira baixa, todos os olhares se voltam para quinta-feira. O legado de Ronaldo no Al-Nassr—e talvez a percepção do projeto saudita globalmente—depende desses 90 minutos. Conseguirá o Al-Nassr se livrar da decepção e entregar quando mais importa? Ou o golpe e fuga do Gamba Osaka ficará como o início de um colapso de temporada? Uma verdade permanece: no futebol, dominação sem gols é apenas uma nota de rodapé.
Baseado em reportagens do L'Equipe.