O Aston Villa está à beira da história ao enfrentar o time alemão Freiburg na final da Europa League na quarta-feira à noite. Para o clube de Birmingham, uma vitória encerraria um jejum de 43 anos sem um troféu europeu, que remonta ao seu triunfo na Copa da Europa de 1982. A partida coloca a força ressurgente da Premier League contra um time do Freiburg determinado a surpreender, mas todos os olhares estão voltados para a tentativa do Villa de recuperar a glória continental.
A última vez que o Villa ergueu um troféu europeu, derrotou o Bayern de Munique em Roterdã para se coroar campeão da Europa. Nas décadas seguintes, no entanto, a sorte do clube despencou. O rebaixamento para o Championship em 2016 foi um ponto baixo, e os Villans passaram três temporadas fora da primeira divisão inglesa. Mesmo após se estabilizar na Premier League, os grandes títulos têm sido ilusórios — o clube não conquista um troféu significativo desde a Copa da Liga de 1996. A final de quarta-feira representa uma chance de reescrever essa narrativa.
No coração da revitalização do Villa está o técnico Unai Emery, um especialista nesta competição. O espanhol é um recordista de cinco títulos da Europa League, tendo conquistado o troféu com Sevilla (três vezes), Arsenal e Villarreal. Agora ele busca um sexto título pessoal, o que estenderia seu próprio recorde e cimentaria ainda mais seu legado como o "Rei da Europa League". A perspicácia tática e o pedigree europeu de Emery transformaram o Villa em uma força formidável no continente.
A campanha do Villa tem sido de domínio controlado. Eles terminaram em segundo na renovada fase de liga, negociando o novo formato com facilidade. Nas fases eliminatórias, despacharam os adversários com eficiência clínica, destacando a eliminação do rival da Premier League, Nottingham Forest, por 4 a 0 no agregado das semifinais. Ao longo do torneio, o time de Emery combinou solidez defensiva com toques ofensivos, concedendo poucos gols e criando chances à vontade.
O Freiburg, por outro lado, chega à final sem nada a perder. O time alemão tem sido uma presença constante no futebol europeu nos últimos anos sob o comando de Christian Streich, mas nunca havia chegado a esta fase antes. Sua jornada até a final é uma história de resiliência, mas eles terão que superar um time do Villa que tem sido quase impecável na competição. A história e a forma apontam firmemente para o clube inglês.
As implicações de uma vitória do Villa vão muito além de um único troféu. Para o clube, marcaria um retorno definitivo à elite europeia, garantindo uma vaga na Champions League para a temporada seguinte e proporcionando um enorme impulso financeiro. Também validaria o projeto ambicioso sob os proprietários Nassef Sawiris e Wes Edens, que investiram pesadamente para restaurar Villa Park como uma fortaleza. Para uma torcida acostumada a décadas de decepções, a recompensa emocional seria imensurável.
O próprio Emery está à beira de uma conquista sem precedentes. Se ele guiar o Villa ao título, se tornará o primeiro técnico a vencer a Europa League seis vezes e com quatro clubes diferentes. É um testemunho de sua maestria no futebol eliminatório e sua capacidade de extrair o máximo desempenho de seus times quando mais importa. No contexto de sua carreira, este pode ser seu triunfo mais impressionante até agora — levar um clube da obscuridade do meio da tabela a campeão europeu.
Para a Premier League, uma vitória do Villa reafirmaria o domínio do futebol inglês na Europa, somando-se aos sucessos recentes de Liverpool, Chelsea e West Ham nesta competição. Também destacaria a profundidade do talento técnico na liga, com Emery se juntando a Pep Guardiola e Jürgen Klopp entre os táticos de elite trabalhando na Inglaterra.
À medida que a final se aproxima, o peso da história recai sobre o Villa. Quarenta e três anos é um longo tempo para esperar pelo sucesso continental, mas Unai Emery fez carreira entregando exatamente nesses momentos. O palco está montado para o Aston Villa encerrar um dos maiores jejuns europeus do futebol inglês e recuperar seu lugar entre a aristocracia do esporte.
Baseado em reportagens da L'Equipe.