Uma bióloga de São Paulo capturou a imaginação da internet ao unir sua experiência científica a uma persona fantástica, criando uma sensação viral que destaca a interseção entre educação marinha e entretenimento. Maria Eduarda Costa Pereira, 26 anos, vem atuando como sereia no aquário AcquaMundo em Guarujá desde 2019, papel que começou durante seu estágio em manejo animal e desde então evoluiu para uma carreira em tempo integral. Seus vídeos, frequentemente mostrando-a interagindo graciosamente com tubarões e outras vidas marinhas, acumularam coletivamente mais de 14 milhões de visualizações em plataformas de mídia social, tornando-a uma estrela online improvável.
A jornada de bióloga a performer sereia começou quando Maria Eduarda, inspirada por shows de sereias que vira em outros lugares, propôs a ideia a seus supervisores no aquário. A oportunidade surgiu durante uma festa de aniversário infantil no local, e a recepção positiva foi imediata. "Nós nunca paramos [de performar] depois disso", relatou, observando que os shows rapidamente se tornaram uma atração principal. Esse sucesso permitiu que ela expandisse sua persona de sereia para além do aquário, atuando em eventos infantis e até ações institucionais, demonstrando o amplo apelo de sua combinação única de educação e espetáculo.
A conexão de Maria Eduarda com o oceano é profunda, enraizada em uma infância repleta de natureza e fascinação por filmes de sereias que a fizeram sonhar em ter uma cauda colorida. Hoje, no entanto, sua maior satisfação vem de testemunhar a alegria que suas performances trazem ao público jovem. "É incrível, completamente diferente receber o carinho das crianças", compartilhou, enfatizando a recompensa emocional que complementa as demandas físicas de seu trabalho. Esse foco em engajar crianças alinha-se com uma tendência mais ampla na educação marinha, onde experiências imersivas são cada vez mais usadas para fomentar uma conexão com ambientes aquáticos.
Os aspectos técnicos de suas performances são tão desafiadores quanto cativantes. Atuando em um tanque de 7 metros de profundidade, Maria Eduarda executa acrobacias, manda beijos e faz gestos de coração debaixo d'água, tudo enquanto navega as limitações da pouca visibilidade. "Porque a água é salgada e o caminho de visitação do aquário é escuro, não tenho muita visão. Vejo silhuetas", explicou. Esse ambiente exige um alto nível de confiança em seu equipamento e em sua compreensão do comportamento dos animais, confiança construída ao longo de anos trabalhando como tratadora de animais no local.
Suas interações com os residentes do aquário, particularmente os tubarões, tornaram-se um ponto focal de seu conteúdo viral. Ao contrário de medos comuns, Maria Eduarda descreve esses encontros como diretos e naturais, uma perspectiva informada por sua formação profissional. "Já conhecemos esses animais, então não são animais que me assustam porque já conheço seu comportamento; eles não são agressivos", afirmou. Ela notou, no entanto, que a tartaruga marinha requer cuidado extra devido à sua tendência a morder, sublinhando a importância de respeitar a natureza de cada animal. "É apenas o cuidado normal, tanto para não me machucar quanto para não machucá-los ou assustá-los. Afinal, essa é a casa deles", acrescentou, destacando uma filosofia de respeito mútuo que é central em seu trabalho.
A preparação para sua primeira performance em 2019 foi notavelmente rápida, com sua cauda chegando apenas um dia antes do mergulho inicial. No entanto, ela já estava aclimatada ao ambiente do tanque por suas tarefas rotineiras de alimentar os animais. A adaptação, embora não muito complicada, apresentou desafios significativos. "Não foi uma adaptação tão complicada, mas certamente mergulhar com as pernas amarradas, água salgada nos olhos, animais nadando na sua frente sem você ver nada e parecer mágica foi um enorme desafio. E continua sendo", admitiu. As demandas físicas são consideráveis; nadar com uma cauda requer controle preciso da posição do corpo, profundidade e respiração—um conjunto de habilidades que melhora com treino dedicado.
A apneia, ou mergulho em apneia, é outro componente crítico de suas performances que ela continua a refinar. "É outra questão muito importante porque precisamos entender nosso limite, mas também é super 'treinável' ao longo do tempo, assim como as acrobacias e os beijinhos de coração. No começo tudo parece impossível, mas com persistência tudo se desenvolve naturalmente", explicou. Esse processo iterativo de desenvolvimento de habilidades se assemelha aos regimes de treinamento de atletas, enfatizando disciplina e progresso incremental. O investimento financeiro em caudas e equipamentos especializados também é um fator, embora ela o considere um gasto que vale a pena para uma profissão que também é uma paixão.
O papel de seu marido tem sido fundamental em seu sucesso online. Ele a acompanha em cada mergulho, filmando o conteúdo que ela então compartilha em plataformas como TikTok. Essa parceria permitiu que ela documentasse e compartilhasse seu mundo subaquático, proporcionando uma janela para as reações das crianças que entretém—uma perspectiva que ela não pode apreciar completamente no momento devido à água turva. A propagação viral desses vídeos não só lhe trouxe reconhecimento nacional, mas também serviu como ferramenta promocional para o aquário AcquaMundo, potencialmente atraindo visitantes ansiosos para ver a sereia pessoalmente.
A história de Maria Eduarda é um testemunho da natureza evolutiva das carreiras em biologia marinha e engajamento público. Ao adotar uma abordagem criativa e performática, ela encontrou uma maneira de tornar a ciência marinha acessível e empolgante para um público amplo, particularmente crianças. Seu trabalho sublinha o potencial de métodos não convencionais para inspirar uma nova geração de entusiastas do oceano. O sucesso de seu ato de sereia no aquário AcquaMundo em Guarujá demonstra como a paixão pessoal, combinada com expertise profissional, pode criar uma forma poderosa e viral de educação ambiental.
Baseado em reportagens do g1.