O FC Barcelona garantiu seu 29º campeonato do La Liga de forma enfática no domingo à noite, derrotando o Real Madrid por 2 a 0 no Camp Nou em um Clásico que também serviu como decisão do título. Precisando apenas de um empate para selar a liga, os blaugranas entregaram uma atuação dominante que deixou seus arquirrivais impotentes e coroou uma temporada de ressurgimento.
As expectativas pré-jogo estavam inclinadas a favor do Barcelona após uma semana turbulenta para o Real Madrid. Os visitantes chegaram sem várias figuras-chave, principalmente Kylian Mbappé, que não foi considerado apto o suficiente para ser incluído no elenco. Dean Huijsen, inicialmente escalado como titular, sofreu uma lesão durante o aquecimento e foi substituído, reduzindo ainda mais as opções de Carlo Ancelotti. Enquanto isso, o Barcelona escalou força máxima, determinado a selar o título em casa após um longo período de reformas no Camp Nou.
Os donos da casa começaram em ritmo alucinante e abriram o placar aos 9 minutos. Marcus Rashford, posicionado no lado direito da área, cobrou uma falta magnífica no ângulo superior, sem chances para Thibaut Courtois. Foi um gol de pura qualidade que definiu o tom da noite. Onze minutos depois, o Barcelona dobrou a vantagem com uma jogada de tirar o fôlego: Dani Olmo tocou de calcanhar para Ferran Torres, que disparou rasteiro e cruzado para vencer Courtois de perto. Rashford quase marcou o terceiro antes do intervalo, mas seu chute forte foi desviado pelo goleiro belga.
O Real Madrid ofereceu pouco no primeiro tempo. O momento mais notável veio de Vinicius Junior, que provocou a torcida do Camp Nou apontando para os 15 emblemas da Copa da Europa na camisa do Real, um lembrete de seu domínio na Champions. No entanto, essa bravata escondia a falta de ameaça ofensiva. Os visitantes pediram pênalti no início do segundo tempo, quando Jude Bellingham pareceu receber uma cotovelada no lábio dentro da área, mas o árbitro mandou seguir.
No segundo tempo, o Barcelona controlou o ritmo sem precisar se esticar. O Real Madrid não registrou uma única finalização no gol após o intervalo, sua única tentativa foi para fora. Os merengues pareciam resignados com seu destino, sua temporada efetivamente terminando com essa derrota. A perda extingue qualquer esperança de defender o título da liga, deixando-os focados em salvar o orgulho nas três últimas rodadas.
Para o Barcelona, essa vitória representa mais do que um título. É a primeira vitória em um Clásico no Camp Nou desde 2023, uma lacuna atribuída em grande parte à longa reconstrução do estádio icônico. O triunfo também ressalta a capacidade do clube de combinar experientes como Rashford com talentos emergentes, criando uma mistura potente que dominou o La Liga nesta temporada.
As implicações são duras para o Real Madrid. Além do título perdido, a equipe enfrenta conflitos internos. Relatos do vestiário apontam para um recente desentendimento entre Aurélien Tchouaméni e Federico Valverde, aumentando a tensão em torno das dificuldades de Kylian Mbappé e da direção geral do clube. As três últimas partidas agora servem como contagem regressiva para um verão de ajustes, onde as críticas a Mbappé e a dinâmica do elenco devem ser abordadas.
Do ponto de vista da liga, o 29º título do Barcelona reafirma seu lugar entre a elite espanhola. Enquanto o Real Madrid dominou a Champions, o equilíbrio doméstico agora pende novamente para a Catalunha, oferecendo uma narrativa de renovação após anos de turbulência financeira e inconsistência em campo.
"Foi o roteiro perfeito", refletiu um membro do Barcelona após o jogo. "Selar o título contra seu maior rival, em casa, com uma atuação tão enfática — não tem coisa melhor." Para o Real, o roteiro foi um pesadelo, que tentarão reescrever no verão.
Com base em reportagens do L'Equipe.