O sonho do Arsenal de erguer o troféu da Liga dos Campeões pela primeira vez sofreu um grave revés com a confirmação de que o defensor Ben White perderá a final contra o Paris Saint-Germain devido a uma lesão ligamentar no joelho. O jogador de 28 anos sofreu a lesão durante a apertada vitória por 1 a 0 no domingo sobre o West Ham United na Premier League, resultado que manteve as esperanças domésticas dos Gunners acesas. Mas o custo foi imenso: White está descartado para o restante da temporada, o que significa que perderá as duas últimas partidas da liga — fora de casa contra o Burnley na segunda-feira e em casa contra o Crystal Palace em 24 de maio — e, mais dolorosamente, o evento principal em 30 de maio às 18:00 contra os campeões franceses.
O clube emitiu um comunicado na terça-feira detalhando o diagnóstico sombrio, indicando que White sofreu uma lesão ligamentar no joelho direito e não jogará mais nesta temporada. A notícia extingue qualquer tênue esperança de uma recuperação rápida. A ausência de White é um golpe brutal para Mikel Arteta, que tem dependido muito da versatilidade e consistência do internacional inglês. Seja como lateral convencional ou no papel invertido que o leva ao meio-campo, White tem sido um pilar em uma defesa que sofreu o menor número de gols na Premier League nesta temporada.
Complicando ainda mais as coisas está a contínua indisponibilidade de Jurrien Timber, o lateral direito natural titular. O holandês está fora desde meados de março com seus próprios problemas de lesão, tendo retornado recentemente de uma ruptura do ligamento cruzado anterior sofrida em sua estreia na liga em agosto. O início terrível de Timber no norte de Londres já o havia descartado para a maior parte da temporada, e este último revés significa que ele assistirá à final das arquibancadas, assim como assistiu a tantas outras partidas nesta temporada. Com ambos os laterais direitos experientes lesionados, o Arsenal enfrenta um quebra-cabeça tático da mais alta ordem.
Arteta deve agora elaborar uma solução para conter um ataque do PSG que conta com o melhor jogador do mundo, Kylian Mbappé, provavelmente atuando pela esquerda, e o rejuvenescido Ousmane Dembélé no lado oposto. O movimento característico de Mbappé — cortar para dentro em direção ao seu pé direito mais forte — ataca diretamente o canal que White normalmente patrulharia. A velocidade e o drible do francês têm atormentado laterais direitos muito mais experientes do que quem Arteta escalar, e a perspectiva de um defensor improvisado enfrentá-lo é o pesadelo dos torcedores do Arsenal.
O candidato mais provável para substituí-lo é Thomas Partey, o meio-campista defensivo que atuou como lateral direito em várias ocasiões nesta temporada. Partey oferece força física e inteligência defensiva, mas carece de velocidade de recuperação para lidar com a aceleração explosiva de Mbappé. Outra opção é mover William Saliba para a lateral, embora isso signifique quebrar a formidável parceria central com Gabriel Magalhães e pedir a um jovem zagueiro que opere em uma posição desconhecida. Há até uma leve possibilidade de que o formado na academia Reuell Walters, de apenas 19 anos, seja lançado no caldeirão — uma aposta que pode forjar uma lenda ou destruir uma carreira.
A lesão também é um golpe pessoal devastador para White, cuja temporada 2024-25 foi fragmentada por contratempos físicos. Ele perdeu três meses no início da campanha devido a um problema separado no joelho e depois enfrentou uma série de pequenas lesões antes desta última catástrofe. Quando em forma, White tem demonstrado consistentemente por que Arteta lutou tanto para contratá-lo do Brighton em 2021: seu posicionamento, compostura com a bola e corridas por dentro têm adicionado uma nova dimensão ao lado direito do Arsenal. Sua sintonia com Bukayo Saka tem sido uma das armas ofensivas mais produtivas da equipe, com a dupla frequentemente se combinando para efeito devastador.
Saka também sentirá os efeitos colaterais. Sem os movimentos de sobreposição e de infiltração de White, o ponta pode se ver isolado contra uma defesa bem treinada do PSG. A perda dessa sinergia pode enfraquecer uma das principais rotas de gol do Arsenal, colocando ainda mais pressão sobre Gabriel Martinelli e o lado esquerdo para entregar.
Além da temporada de clubes, a participação de White na próxima Copa do Mundo com a Inglaterra está agora seriamente ameaçada. O torneio começa em 11 de junho, apenas 12 dias após a final da Champions League, e lesões ligamentares dessa natureza geralmente requerem de quatro a seis semanas de reabilitação — se não mais. White havia acabado de reconquistar seu lugar nos planos de Gareth Southgate, recebendo sua primeira convocação desde a Copa do Mundo de 2022 durante a pausa internacional de março. Uma final de alto nível teria sido o palco perfeito para garantir seu lugar no avião; em vez disso, ele enfrenta uma corrida ansiosa contra o tempo e as avaliações dos fisioterapeutas.
O golpe psicológico para o elenco do Arsenal não pode ser subestimado. White se tornou um líder dentro do grupo, seu comportamento discreto esconde uma veia competitiva feroz. Seus companheiros certamente se mobilizarão, mas o conhecimento de que um pilar chave está ausente na noite mais importante de suas carreiras permanecerá no vestiário.
O caminho do Arsenal até a final não foi nada menos que extraordinário, eliminando o Barcelona nas quartas de final e o Bayern de Munique nas semifinais com uma mistura de garra defensiva e talento ofensivo. Ter chegado tão longe apenas para perder um componente vital no obstáculo final parece cruel. O PSG, por outro lado, negociou um caminho comparativamente mais suave, despachando o Borussia Dortmund nas semifinais com o mínimo de complicações. Os parisienses são agora grandes favoritos, e a lesão de White só inclina ainda mais as probabilidades a seu favor.
Para Arteta, o desafio é transformar adversidade em inspiração, como ele tem feito desde que assumiu o cargo em 2019. O técnico tem pregado repetidamente uma mentalidade de 'próximo homem', e este é o teste definitivo dessa filosofia. Quer ele opte pela experiência em Partey ou por uma reorganização ousada, a decisão moldará a narrativa da final e talvez de todo o seu mandato.
Enquanto White inicia sua reabilitação, o relógio avança para 30 de maio. A equipe médica do Arsenal trabalhará incansavelmente, mas o defensor sabe que será um espectador quando as equipes entrarem no Estádio Olímpico Atatürk, em Istambul. O cruel capricho do destino acrescenta outra camada ao que promete ser um confronto emocionante entre duas equipes desesperadas para gravar seus nomes na história.
Com base em reportagens do L'Equipe.