A temporada da Serie A terminou de forma dramática no Stadio Dall’Ara no sábado, com Bologna e o recém-coroado campeão Inter de Milão protagonizando um emocionante empate por 3 a 3. A partida não teve influência no título — a Inter já havia garantido seu 21º Scudetto semanas atrás — mas encapsulou a verve ofensiva e a resiliência que definiram as campanhas de ambas as equipes. Para a Inter de Cristian Chivu, foi uma chance de celebrar uma dobradinha histórica após adicionar a Copa da Itália ao triunfo no campeonato. Para o Bologna de Vincenzo Italiano, foi um empurrão final para garantir o sétimo lugar, embora o sonho europeu tenha escapado de qualquer forma.
A Inter abriu o placar quando Federico Dimarco cobrou uma linda falta por cima da barreira do Bologna nos primeiros quinze minutos. A vantagem durou apenas três minutos, no entanto, quando Federico Bernardeschi empatou com um chute tranquilo. O Bologna então virou o jogo antes do intervalo: o chute rasteiro de Tommaso Pobega desviou em Luka Sucic e Lautaro Martínez, enganando o goleiro para fazer 2 a 1. Após o intervalo, Piotr Zielinski cabeceou involuntariamente para o próprio gol, dando ao Bologna uma vantagem de dois gols, mas os jovens da Inter reagiram com força. Issa Diouf acertou a trave, permitindo que Pio Esposito marcasse seu décimo gol na liga na temporada, e então o próprio Diouf chutou para empatar, completando a contagem em uma partida de tirar o fôlego.
Apesar da emoção tardia, a mente do técnico da Inter, Cristian Chivu, já vagava para um descanso merecido. "Tínhamos que honrar a camisa e tudo o que fizemos nesta temporada", disse ele. "Aqueles que entraram trouxeram energia e confiança — estou feliz por Cocchi, Topalovic, Diouf e Pio, que atingiram dois dígitos. Os jovens jogadores precisam continuar crescendo, mas eles tiveram uma amostra do nível da Serie A. É preciso coragem para escalá-los." Chivu, em sua temporada de estreia no comando, combinou brilhantemente cabeças experientes com talentos emergentes para entregar dois troféus importantes, ecoando a lendária mentalidade da tríplice coroa de 2010 do clube sob José Mourinho — embora este time ainda esteja em construção.
Sobre a lesão de Stefan de Vrij, Chivu ofereceu uma atualização cautelosa: "Ainda não sabemos a extensão, lamentamos. Esperamos que não seja nada sério e ele se recupere a tempo para a Copa do Mundo." A presença do zagueiro holandês será crucial tanto para os planos da Inter em 2026-27 quanto para as ambições de sua seleção nacional no próximo evento mundial. Perguntado sobre quem torceria na Copa do Mundo, Chivu brincou que estará torcendo por sua família, "que merece um mês do meu tempo. Fiquei no liquidificador por um ano, desde salvar o Parma até esta Inter. Minha esposa e filhos são a prioridade neste verão. Vou tentar não ficar grudado no telefone." Os comentários bem-humorados do técnico romeno ressaltam a intensidade de uma temporada que começou com uma fuga do rebaixamento no Parma e terminou com dois troféus em Milão.
Para o Bologna, a campanha fechou com um sétimo lugar, mas sem classificação europeia, um resultado agridoce para um clube que se acostumou com aventuras continentais sob Italiano. "Terminamos a temporada bem, mostrando que nunca desistimos", refletiu Italiano. "Acreditamos no sétimo lugar, mesmo contra adversários fortes. Os torcedores reconheceram que foi uma campanha longa e desgastante. Cometemos alguns erros, mas sempre suamos a camisa. A homenagem da Curva foi mais que merecida." O ex-técnico da Fiorentina, que guiou o Bologna a um triunfo na Copa da Itália em 2025 e a duas jornadas europeias, agora enfrenta um futuro incerto.
Pressionado se permanecerá no comando, Italiano foi evasivo. "Não é a primeira vez que respondo a isso — talvez a pressão externa crie distúrbios", disse. "Como no ano passado, vou me encontrar com o clube. Sem copas europeias, temos que fazer algo diferente e entender o que vamos almejar. Junto com essas pessoas, vivi algo indelével que algumas derrotas não podem apagar. Tivemos dois anos maravilhosos viajando pela Europa, com uma Copa da Itália brilhando em casa. Devemos planejar com cuidado — as pessoas querem continuar vendo um grande Bologna." Suas palavras sugerem um desejo por um projeto claro; sem o atrativo do futebol europeu, o clube pode precisar se reconstruir, possivelmente sem seu técnico emblemático.
O contraste entre os dois bancos não poderia ser mais marcante. Chivu, tendo superado todas as expectativas, pode agora aproveitar o brilho de uma dobradinha e recarregar as energias antes de enfrentar o desafio de defender ambos os troféus e melhorar na Europa. O elenco profundo da Inter, reforçado por produtos da base como Diouf e Esposito, parece pronto para outro ataque sustentado. Italiano, por outro lado, está em uma encruzilhada: após dois anos transformadores, o projeto do Bologna pode ter atingido um teto, e uma separação mútua pode estar na mesa se as ambições não se alinharem.
Os observadores da Serie A estarão atentos. A ascensão de Chivu de bombeiro no Parma a vencedor de títulos na Inter em menos de doze meses é um conto de fadas; seu verão será de descanso, não de novelas de transferências. Enquanto isso, a cúpula do Bologna deve decidir se aposta na visão de Italiano ou busca novos ares. Com vários clubes da Premier League e da Serie A monitorando a situação, o próximo passo de Italiano pode ser o movimento mais consequente do verão italiano.
Enquanto a cortina cai sobre uma temporada de montanha-russa, o emocionante 3 a 3 serviu como um microcosmo adequado: momentos de brilhantismo, lapsos defensivos, jovens estrelas surgindo e batalhas táticas. Tanto Chivu quanto Italiano deixam o Dall’Ara com aplausos nos ouvidos, mas seus caminhos divergem — um para umas merecidas férias, o outro para um verão de conversas difíceis. Baseado em reportagens do Tuttosport.