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Colapso de 24 horas do Man City: Guardiola e o título

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Espera-se que Pep Guardiola deixe o Man City, já que o empate por 1 a 1 entrega o título ao Arsenal; Bernardo Silva e John Stones entre as saídas do verão.

No espaço de 24 horas, a temporada do Manchester City — e talvez uma era — desmoronou. A notícia da esperada saída de Pep Guardiola foi divulgada na segunda-feira à noite, e na terça-feira à noite, um empate por 1 a 1 em Bournemouth matematicamente entregou o título da Premier League ao Arsenal, o primeiro em 22 anos. Foi um golpe duplo impressionante que mergulhou o Etihad na incerteza.

Guardiola, que orquestrou um período sem precedentes de domínio doméstico, indicou que seu mandato de uma década está chegando ao fim. O técnico de 55 anos disse à Sky Sports que, embora tenha um ano restante em seu contrato, primeiro deve conversar com o presidente Khaldoon Al Mubarak após a temporada. Ele advertiu que qualquer anúncio durante uma campanha geralmente traz "um mau, mau resultado" e enfatizou que seu foco continua em terminar a temporada com força, incluindo uma final da FA Cup e garantir a classificação para a Champions League.

O time do catalão viajou ao Vitality Stadium precisando de uma vitória para manter viva a disputa pelo título, mas vacilou. O Arsenal, há muito líder sob o comando do ex-assistente de Guardiola, Mikel Arteta, capitalizou impiedosamente. O triunfo dos Gunners encerra um jejum de 22 anos desde os 'Invencíveis' de 2004, e Arteta finalmente entregou o troféu que sua evolução tática havia prometido.

É provável que Guardiola saia com uma mistura de orgulho e arrependimento. Uma dobradinha doméstica (Carabao Cup e FA Cup) nesta temporada é uma conquista significativa, mas duas temporadas consecutivas sem o título da liga é uma primeira vez em sua carreira de treinador, que também inclui passagens históricas pelo Barcelona e Bayern de Munique. Seu legado no City é imenso: tornar-se o primeiro time inglês a atingir 100 pontos, garantir quatro títulos consecutivos e completar uma Tríplice Coroa histórica em 2023.

Refletindo sobre a disputa pelo título, Guardiola foi magnânimo. "Em nome do Manchester City, parabéns ao Arsenal, ao Mikel e a toda a equipe técnica pela Premier League que merecem", declarou, acrescentando que Arteta "colocou muito esforço e trabalho" no projeto. Foi um gesto elegante de um técnico cujo próprio futuro agora domina a narrativa.

Espera-se que o bastão seja passado para Enzo Maresca, outro discípulo da árvore de treinadores de Guardiola. O italiano, que serviu como assistente de Guardiola durante a campanha da Tríplice Coroa antes de ter sucesso no Leicester City e no Chelsea, está em negociações avançadas para assumir. Aos 46 anos, Maresca enfrentaria a difícil tarefa de preencher o vazio deixado por uma das maiores mentes do jogo, mas chega sabendo que o elenco está repleto de talento faminto por recuperar o topo.

No entanto, a transição estará longe de ser tranquila. Fontes do clube indicam que Bernardo Silva e John Stones devem sair neste verão, enquanto Nathan Aké está sem contrato. Outros — incluindo James Trafford, Rico Lewis, Mateo Kovacic, Omar Marmoush e Nico González — também podem ser negociados enquanto o clube se remodela sob nova liderança. A saída da capitania e a possível saída de figuras populares como Stones adicionam uma camada emocional a um encerramento já turbulento da campanha.

O ex-zagueiro do City, Nedum Onuoha, disse à BBC Radio 5 Live que o impacto de Guardiola transcende os troféus. "Seu DNA se espalhou para outros times", disse Onuoha. "Ele será lembrado como um ícone, o maior de todos". Enquanto isso, Chris Sutton destacou a natureza insubstituível de sua influência: "Como alguém pode substituir o que Pep fez? É impossível entrar e causar o mesmo impacto".

À espreita estão as 115 supostas violações das regras financeiras da Premier League ainda não resolvidas. O resultado desse caso pode alterar fundamentalmente o cenário em que Maresca opera, embora não esteja claro se um veredito chegará antes do verão.

A partida de domingo em casa contra o Aston Villa agora tem um ar de despedida. Os torcedores em Bournemouth já haviam exibido um lençol com a frase "Pep Stay" e cantaram por "mais um ano", mas Guardiola foi o primeiro a ir para o túnel após o apito final — uma imagem comovente de um homem que deu tudo pelo clube e que agora pode estar pronto para dizer adeus.

Se a saída de Guardiola for confirmada, o City entrará em um período de profunda transição — em campo, no banco de reservas e na diretoria. O novo treinador herdará um time construído à imagem de Guardiola, mas terá que forjar seu próprio legado em meio a expectativas altíssimas. O título pode ter sido perdido em 24 horas, mas as repercussões moldarão a Premier League por anos.

Baseado em reportagens da BBC Sport.