O Arsenal está à beira da história enquanto se prepara para enfrentar o Paris Saint-Germain na final da Champions League, apenas dias depois de celebrar seu primeiro título da Premier League. O time de Mikel Arteta agora busca uma famosa dobradinha, mas em seu caminho está um PSG que tem sido o ataque mais prolífico do torneio com 44 gols. O contraste é gritante: a resistência defensiva do Arsenal, evidenciada por nove jogos sem sofrer gols, o maior número na competição, contra a máquina fluida e artilheira de Luis Enrique. No entanto, Arteta não vai simplesmente se sentar; ele pretende impor o jogo de seu time ao PSG, aproveitando as lições táticas da apertada eliminação nas semifinais da temporada passada.
Uma arma chave no arsenal do Arsenal é o uso de Mikel Merino como falso nove. O meio-campista espanhol, agora recuperado após uma longa ausência por lesão, oferece uma solução única para a intensa pressão homem a homem do PSG. Quando o Arsenal constrói desde trás, os defensores do PSG avançam agressivamente. Mas se Merino recuar para o meio-campo, Willian Pacho, zagueiro central do PSG, muitas vezes reluta em segui-lo, deixando um meio-campista extra livre. Essa sobrecarga pode ajudar o Arsenal a progredir com a bola através dos terços, como visto no jogo de volta da eliminatória da temporada passada. Kai Havertz também é adepto desse papel, dando a Arteta uma opção tática independentemente da forma do atacante titular Viktor Gyokeres.
Outra tática que se mostrou eficaz é a bola direta por cima da defesa. Com a pressão alta do PSG, passes longos de David Raya para Merino ou Havertz podem contornar todo o meio-campo. Ambos são fortes no jogo aéreo e podem abaixar ou desviar os lançamentos para companheiros que chegam correndo. Essa abordagem força o PSG a girar e defender em direção ao seu próprio gol, interrompendo seu ritmo de pressão. Gyokeres, se selecionado, também pode perseguir bolas pelos canais laterais, arrastando zagueiros centrais para fora de posição e criando espaço para os pontas do Arsenal.
Embora o Arsenal tradicionalmente favoreça ataques pelos lados, uma análise mais detalhada de como Chelsea e Bayern de Munique incomodaram o PSG nesta temporada sugere que uma abordagem mais central pode dar frutos. Ao posicionar os meio-campistas próximos uns dos outros, esses times atraíram os marcadores do PSG para áreas congestionadas e, em seguida, liberaram rapidamente a bola para espaços abertos. Isso gerou gols e chances claras. O Arsenal tem os técnicos—Leandro Trossard, Martin Zubimendi, Eberechi Eze—para jogar em espaços apertados e encontrar o passe mortal. Embora arriscado, pois perder a bola no centro convida contra-ataques, a recompensa potencial contra um PSG que pode deixar espaços atrás de sua pressão é significativa.
Neutralizar Khvicha Kvaratskhelia será uma prioridade. Os movimentos sem bola do ponta georgiano, cheios de fintas e arrancadas repentinas por trás, desfizeram defesas por toda a Europa. O Arsenal deve decidir se fica grudado nos jogadores que recuam para alimentá-lo—limitando seu tempo para escolher um passe—ou recua para negar espaço atrás. Contra o Bayern, as constantes investidas de Kvaratskhelia congelaram Josip Stanisic, levando a um gol crucial. Os laterais do Arsenal, provavelmente Ben White e Riccardo Calafiori, precisarão estar em perfeita sintonia com seus zagueiros centrais para evitar destino semelhante.
Arteta demonstrou sua astúcia tática na semifinal da temporada passada ao ajustar após um começo lento. Ele observou após a partida que corrigir um problema após 15-20 minutos "virou o jogo". Esse ajuste envolveu os gatilhos de pressão de Martin Odegaard e, crucialmente, William Saliba sendo encarregado de marcar homem a homem Ousmane Dembélé mesmo quando o francês recuava. Isso ecoa a abordagem de Enzo Maresca quando o Chelsea venceu o PSG por 3 a 0 na Copa do Mundo de Clubes. Maresca disse: "Se você der tempo a eles, você vai sofrer. Você tem que pressioná-los muito intensamente". O Arsenal provavelmente adotará uma postura igualmente agressiva, com Saliba novamente marcando Dembélé para cortar o centro criativo do PSG.
O que está em jogo não poderia ser maior. Para o Arsenal, um primeiro título da Champions League consolidaria o legado de Arteta e elevaria este elenco ao status de lenda. Para o PSG, é uma chance de finalmente cumprir sua ambição europeia de longa data após anos de forte investimento. A batalha tática será fascinante: um jogo de xadrez entre dois treinadores que exigem estrutura e fluidez. Os homens de Arteta têm a solidez defensiva, mas devem mostrar a inteligência tática e a coragem para se impor no maior palco.
De muitas maneiras, esta final é um teste para saber se o estilo de alta posse de bola e baixo risco do Arsenal pode superar o futebol caótico e rico em chances do PSG. Os londrinos confiam em manter um décimo jogo sem sofrer gols, mas também devem encontrar uma maneira de furar a defesa do PSG, que sofreu poucos gols nas fases eliminatórias. O plano está aí—o falso nove de Merino, bolas diretas, sobrecargas centrais e marcação homem a homem agressiva. Se executado, pode trazer o troféu que tem escapado deles. Com base em reportagens da BBC Sport.