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Como Raya foi da non-league à final da Champions League

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David Raya, antes um jovem emprestado ao Southport da National League, agora é titular do Arsenal na final da Champions League, juntando-se aos graduados da

Numa tarde de setembro de 2014, um goleiro espanhol de 19 anos chamado David Raya estava entre as traves no Moss Rose, casa do Macclesfield Town, da National League. Menos de 1.500 torcedores viram seu time do Southport, lutando perto do fundo da quinta divisão do futebol inglês, sofrer uma derrota por 3 a 0. Avance uma década, e o mesmo goleiro se prepara para entrar em campo pelo Arsenal na final da Champions League contra o Paris Saint-Germain, coroando uma das ascensões mais extraordinárias que o futebol moderno já viu.

A jornada de Raya começou longe da chuva de Lancashire, na cidade catalã de Cornellà, onde jogou nas categorias de base do time local da terceira divisão, UE Cornellà. Uma parceria entre o clube espanhol e o Blackburn Rovers o trouxe para a Inglaterra com apenas 16 anos. A mudança foi um risco: Raya nem era o goleiro titular da academia do Cornellà, e chegou ao Blackburn em 2012 enquanto o clube sofria o rebaixamento da Premier League. Com goleiros experientes como Paul Robinson à sua frente, oportunidades no time principal pareciam um sonho distante.

Determinado a experimentar o futebol profissional, Raya deu um passo ousado em 2014, caindo três divisões para se juntar ao Southport por empréstimo. A National League era um mundo diferente dos mimados centros de treinamento: público menor, batalhas físicas e campos que exigiam resiliência. O ex-assistente técnico do Southport, Paul Carden, lembra de um jovem goleiro que desafiava as convenções. "Houve uma bola que voltou para ele, no final do jogo, e você esperaria que um goleiro simplesmente chutasse para frente", disse Carden. "Ele driblou um dos atacantes e então passou casualmente para o lateral. Ficamos de coração na boca no banco, mas ele obviamente não se intimidou". Essa audácia com a bola, agora uma marca registrada dos goleiros de elite, era quase inédita nas divisões inferiores da Inglaterra na época.

O empréstimo de Raya culminou com uma atuação heroica na terceira rodada da FA Cup contra o Derby County, da Championship. Ele fez uma série de grandes defesas, mantendo o Southport no jogo até que um pênalti no último minuto os derrubou. Ao apito final, Raya deixou o campo em lágrimas, um testemunho de quão profundamente ele havia abraçado a cultura do clube. Carden observou: "Ele fez algumas defesas naquele jogo em que pensamos que ele definitivamente estava no nível. Você poderia tê-lo colocado no gol do Derby e ele não teria destoado".

Voltando ao Blackburn, Raya esperou seu momento antes de se tornar titular na League One durante a temporada 2017-18. Sua habilidade de defesa e distribuição foram fundamentais para o retorno dos Rovers à Championship na primeira tentativa. O ex-companheiro Jayson Leutwiler, que foi seu reserva, maravilhou-se com sua capacidade de fazer defesas decisivas. "Ele era capaz de fazer defesas que faziam você pensar, 'uau, este é um chute que uma em cada dez vezes ele teria defendido'", disse Leutwiler. "Mas quando acontece quatro, cinco ou seis vezes na temporada, isso não é apenas coincidência". Leutwiler também acredita que a experiência na non-league foi crucial: "Você é exposto a públicos menores, pressões diferentes—isso só ajuda a ser mais resiliente quando chega a um jogo maior".

O Brentford pagou £3 milhões por Raya em 2019, reconhecendo um goleiro moderno que podia construir jogadas desde trás. Após quatro temporadas excepcionais no oeste de Londres, o Arsenal investiu £27 milhões iniciais para trazê-lo ao Emirates, primeiro por empréstimo e depois permanentemente. A mudança o reuniu com Mikel Arteta, um treinador que exigia a combinação exata de compostura e habilidade técnica que Raya havia aprimorado desde os dias na non-league. Agora, ele está prestes a se tornar apenas o terceiro jogador a iniciar uma final da Champions League depois de ter jogado na National League, seguindo Steve Finnan (Liverpool 2005) e Chris Smalling (Manchester United 2011, embora ele tenha sido suplente não utilizado).

A ascensão de Raya traz implicações profundas. Ela destrói a noção de que o talento de alto nível não pode emergir das camadas inferiores da pirâmide do futebol. Seu sucesso como goleiro com bom toque de bola—um estilo antes considerado arriscado demais para o futebol inglês—reivindicou uma geração de treinadores que pregam a posse de bola desde trás. Além disso, a transformação física do espanhol desafia o estereótipo de que goleiros devem ser gigantes; com 1,83m, ele confia na antecipação e agilidade em vez do alcance puro.

A fortaleza mental forjada no futebol de non-league é um tema recorrente. "Você não apostaria nele" para chegar a este nível, admitiu Carden, "mas rapidamente você percebia que ele tinha muita habilidade". Essa mistura de humildade e autoconfiança inabalável permitiu que Raya prosperasse em ambientes que quebram muitos jovens promissores. "Um jovem jogador espanhol indo para a National League poderia facilmente ter sido superado", acrescentou Carden, "mas sempre que os times tentavam, ele sempre saía por cima por causa de sua habilidade e confiança".

Enquanto Raya aperta as luvas no Estádio Olímpico Atatürk, ele carrega consigo as esperanças de todos os aspirantes da non-league. Sua jornada de Moss Macclesfield ao maior palco do futebol de clubes espelha os contos de fadas que os torcedores de futebol adoram. Para o Arsenal, sua presença oferece segurança em uma final onde as margens são muito estreitas. Para o futebol em geral, é um lembrete de que a qualidade de estrela pode ser forjada nos cenários mais sem glamour.

Com base em reportagem da BBC Sport.