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Comolli: 'Não consigo dormir' por falta da Champions, venda

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O CEO da Juventus, Damien Comolli, fala abertamente sobre a perda da Champions, possível venda extra, futuro de Yildiz e alinhamento com Spalletti em uma

Damien Comolli não mediu palavras. Em uma entrevista coletiva brutalmente honesta, o CEO da Juventus admitiu que não garantir a classificação para a Liga dos Campeões foi um "fracasso" que causa "dor física, como um soco no estômago". O executivo francês compartilhou suas noites sem dormir, ecoando as próprias noites inquietas do técnico Luciano Spalletti, e assumiu total responsabilidade por uma temporada que descarrilou no último obstáculo. "É frustrante", explicou Comolli, "chegamos tão perto, tudo estava em nossas mãos, e então o jogo contra a Fiorentina mudou tudo". No entanto, por trás da angústia, ele traçou um plano claro e sem sentimentalismo para levar os bianconeri de volta ao topo — um que pode exigir um sacrifício de maior perfil do que o inicialmente planejado.

As consequências financeiras de perder a competição de elite europeia são imediatas e severas. Comolli revelou que a Juventus pode agora precisar fazer "mais uma venda do que tínhamos em mente" para manter as contas equilibradas. Com um acordo de conciliação com a UEFA cobrindo as temporadas 2022-23, 2023-24 e 2024-25 previsto para ser finalizado até o final de junho, o clube opera sob restrições rigorosas. Se o acordo for assinado, qualquer jogador removido da lista de elenco apresentada em fevereiro deve ser substituído por um que custe menos. Comolli projetou que a Juventus pode atingir o ponto de equilíbrio em 2026-27 e certamente o fará até 2027-28, descartando a necessidade de um aumento de capital. A mensagem é clara: as ambições esportivas não serão rebaixadas, mas devem coexistir com a disciplina fiscal.

Em meio à necessária reestruturação do elenco, um nome é sagrado: Kenan Yildiz. Comolli declarou inequivocamente que o jovem talento turco "não sai" e não corre risco de ser vendido. O clube o vê como um pilar do futuro, um jogador para construir ao redor. A situação de Dušan Vlahović é menos certa. Comolli expressou o desejo de continuar juntos, mas observou que as conversas anteriores foram adiadas para o final da temporada, com a classificação para a Champions como um fator. "Queremos seguir em frente, mas não sabemos exatamente como", admitiu, sinalizando que o futuro do atacante sérvio pode depender da oferta que chegar. Enquanto isso, Comolli assumiu a responsabilidade pessoal pelo impacto decepcionante da contratação de verão Openda, reconhecendo que a mudança da tática de Tudor para o sistema de Spalletti pode ter influenciado.

Um subenredo recorrente da temporada tem sido a dinâmica entre Comolli e Spalletti. O CEO descartou relatos de atrito, enfatizando a "comunicação constante" e uma visão compartilhada para construir o elenco. Ele ressaltou que Spalletti está profundamente envolvido na estratégia de mercado, muitas vezes mais informado do que o próprio Comolli através do contato diário com o diretor esportivo Marco Ottolini. "Escolhemos Luciano porque eu estava e estou convencido de que ele é a pessoa certa para liderar a equipe", disse Comolli, observando que ele pressionou pela renovação do contrato do técnico para proporcionar continuidade. Ele reconheceu que, após apenas sete meses juntos, a parceria pode melhorar, mas ambos estão comprometidos em fazê-la funcionar — usando análise de dados, incluindo avaliações de personalidade, para identificar o tipo de jogadores de alto caráter que o clube precisa.

O caminho adiante também inclui uma cúpula fundamental com John Elkann, esperada para sexta ou segunda-feira, para alinhar os ajustes e "colocar os pontos nos is". Comolli descreveu um relacionamento de trabalho próximo com o presidente da Exor, com várias conversas por semana, independentemente dos resultados. Há, disse ele, total alinhamento sobre os ajustes necessários e apoio inabalável ao projeto. Apesar do revés, Comolli insistiu que nenhum jogador abordado até agora se recusou a se juntar à Juventus por causa da Europa League. "Eles querem vir porque isso é a Juventus, além da Champions League", declarou, sublinhando o apelo duradouro do clube.

Olhando para o futuro, a Juventus já está se preparando para a próxima temporada da Europa League, estudando potenciais adversários e tratando a competição com a seriedade que merece. "Já começamos a estudar a Europa League", revelou Comolli. O objetivo é construir uma equipe capaz de competir em todas as frentes, com acréscimos direcionados e um núcleo de titulares protegidos. A filosofia geral de Comolli é que o trabalho de um CEO deve ser julgado em um ciclo de cinco anos, mas a urgência de vencer agora é palpável.

Esta entrevista coletiva foi uma masterclass em comunicação de crise — crua, responsável e resoluta. Comolli expôs a dor do fracasso enquanto ancora a narrativa em uma visão de longo prazo que não foge de escolhas difíceis. Para um clube que não provou nada além de domínio doméstico por uma década, o choque do quinto lugar é um chamado à ação. Se essa ação virá na forma de uma saída de estrela ou de uma jogada inteligente no mercado, ainda não se sabe, mas a mensagem do topo é que a Juventus não comprometerá sua essência: um clube que existe para vencer, e fará o que for preciso — dentro das regras — para voltar lá. Baseado em reportagem do Tuttosport.