A crise de abastecimento de água em Belo Horizonte e sua região metropolitana está longe de acabar. Dias após um cavalo cair em uma adutora principal no bairro Paraíso, causando uma interrupção massiva, muitos moradores ainda acordam com torneiras secas e dificuldades significativas.
O incidente, que ocorreu no Sistema Rio das Velhas, inicialmente cortou a água para impressionantes 715 bairros na capital e outras sete cidades na região da Grande BH. Enquanto as autoridades trabalham para restabelecer o serviço, a recuperação tem sido desigual, deixando famílias em situação difícil.
No bairro Goiânia, a moradora Alessandra Ribeiro relata que sua casa ainda está sem água encanada. A falta de abastecimento forçou seus filhos a faltar à escola, pois não tinham como tomar banho. A família agora raciona cuidadosamente a água potável que armazenou na geladeira, situação que ela descreve como extremamente complicada desde que o corte começou na manhã de quarta-feira.
A história é semelhante em outras áreas. Em Venda Nova, o morador do bairro Cenáculo, Vinícius Guilherme Soares, também ainda espera a volta da água. Sua casa, que inclui sua esposa e dois filhos, está lidando com o desafio adicional de doenças, incluindo gripe e dengue. Ele havia comprado um galão de água para beber e cozinhar, esperando uma solução rápida, mas acordou na quinta-feira sem que uma única gota tivesse chegado.
Mesmo onde a água voltou, os problemas persistem. No bairro Tupi, o morador Mardem Fernandes viu um vazamento pré-existente, que havia sido relatado à concessionária Copasa desde 23 de abril, reativar no momento em que o abastecimento principal foi restaurado. Ele expressou frustração por o vazamento, que havia parado durante a interrupção, agora estar fluindo novamente sem solução à vista.
A concessionária, Copasa, informou na manhã de quinta-feira que suas equipes operacionais estão realizando um levantamento para identificar todos os locais ainda sem serviço e fornecerão uma nova atualização. A empresa reconheceu que a crise afetou cerca de metade da população da região metropolitana, atingindo residências, empresas, hospitais e escolas.
Na cidade de Nova Lima, um dos municípios afetados, a normalização gradual da água permitiu a retomada das aulas nas escolas municipais e creches na quinta-feira. Os serviços de saúde, incluindo o Policlínico e várias unidades básicas de saúde, também reabriram, embora o público seja aconselhado a procurar atendimento lá principalmente para casos urgentes e de emergência por enquanto.
Com base em reportagem do g1.