Daniel Siebert será o árbitro da final da Liga dos Campeões entre Paris Saint-Germain e Arsenal no sábado, mas o juiz alemão chega à Puskas Arena sob uma nuvem de controvérsia. Apesar de ser um dos oficiais mais experientes da Bundesliga, sua temporada foi marcada por confrontos de alto perfil com técnicos, desprezo de comentaristas e até mesmo um desabafo direto em campo de um locutor do estádio. Para um homem prestes a comandar o grande evento do futebol de clubes europeu, o barulho em torno de suas atuações levanta questões sobre sua preparação para o maior palco.
Siebert, de 42 anos, é um nome consolidado no futebol alemão há 14 anos, com 11 temporadas de experiência na Liga dos Campeões. Apitando sua décima partida na competição nesta temporada, ele não é estranho a jogos de elite. No entanto, seu caminho para a final não foi nada suave. Uma série de decisões polêmicas e uma aparente frieza o transformaram em uma das figuras mais polarizadoras da arbitragem, mesmo dentro de seu próprio país.
A crítica mais explosiva veio após uma partida da Bundesliga entre Colônia e Borussia Dortmund em março. Com o apito final ainda ecoando, o locutor do estádio do Colônia, Michael Trippel, pegou o microfone e lançou um ataque contundente a Siebert, ouvido em todo o recinto. "Vou me meter em problemas, mas vou dizer mesmo assim: no tempo de acréscimo, houve uma mão clara de um jogador do Dortmund e ninguém percebeu, nem mesmo o cara que é pago para isso. Esse cara é absolutamente repugnante", esbravejou Trippel. O incidente, transmitido ao vivo, expôs a emoção crua que a arbitragem de Siebert pode provocar.
Não foi um surto isolado. Anteriormente, nas quartas de final da Copa Alemã entre Bayern de Munique e RB Leipzig, Siebert se viu em outro confronto. Após o apito final, o técnico do Leipzig, Ole Werner, procurou o árbitro para um aperto de mão habitual, apenas para ser completamente ignorado. "Eu queria encontrá-lo no final do jogo, mas ele me ignorou quando tentei apertar sua mão. Não sei o que fiz a ele", disse Werner mais tarde aos repórteres. "Nós tivemos contato visual, mas ele optou por não responder por razões que desconheço. Tenho dificuldade em entender sua atitude". Tais episódios fomentaram uma imagem de um árbitro que, embora calmo e composto, pode parecer distante e alheio quando a comunicação é mais necessária.
O comentarista de futebol mais proeminente da Alemanha, Lothar Matthäus, tem sido igualmente direto. Como analista da Sky Sport Deutschland, o vencedor da Copa do Mundo dissecou as falhas de Siebert com precisão cirúrgica. "Ele nem sempre mostra consistência em suas decisões", observou Matthäus. "Seja em faltas ou impedimentos, ele muitas vezes não tem certeza se deve deixar o jogo seguir ou apitar. Em suas escolhas, ele é muito hesitante. Ele deveria ser muito mais decisivo. A única qualidade que conheço nele é que ele geralmente admite seus erros. Ele é bastante honesto". Essa honestidade, no entanto, pouco fez para protegê-lo do crescente coro de desaprovação.
A dor da decepção profissional também persistiu. Excluído da lista de árbitros para a próxima Copa do Mundo – depois de apitar no torneio do Catar em 2022 e nas duas últimas Eurocopas – Siebert verá a final da Liga dos Campeões como uma redenção parcial. A convocação perdida mundial doeu, mas liderar PSG e Arsenal oferece ao homem de 42 anos o maior jogo de sua carreira.
O Arsenal, em particular, terá memórias frescas de Siebert. Esta final marca a terceira vez em menos de dois meses que ele apitará uma partida da Liga dos Campeões dos Gunners, após o jogo de ida das quartas de final contra o Sporting CP. Mas é uma partida de uma campanha anterior que perdura: a semifinal de ida da temporada passada entre Arsenal e Atlético de Madrid, onde a falha de Siebert em marcar um pênalti após uma aparente falta em Antoine Griezmann provocou fúria. Essa decisão, ou a falta dela, ressurgiu nos preparativos para a final, com torcedores e analistas questionando se Siebert pode lidar com a pressão de uma final onde escolhas em frações de segundo definem legados.
Para o PSG, que enfrentou Siebert uma vez nesta temporada – um empate por 0 a 0 fora de casa contra o Athletic Bilbao na fase de liga – a preocupação será seu estilo laissez-faire e relutância em intervir. Em uma partida com jogadores como Kylian Mbappé (se estiver apto) e Bukayo Saka, o limite para contato e a interpretação de mão serão examinados de perto. A história de Siebert sugere um árbitro que prefere deixar o jogo fluir, às vezes em excesso, o que pode tanto animar o espetáculo quanto convidar à controvérsia.
Dentro da comunidade de arbitragem, Siebert é geralmente respeitado por sua preparação física, posicionamento e capacidade de leitura de jogo. No entanto, as exigências psicológicas de uma final da Liga dos Campeões – a pressão implacável, a torcida parcial e a audiência global – testarão o natural de Berlim como nunca antes. Seus detratores apontam para um padrão de evitar decisões difíceis em momentos cruciais; seus apoiadores destacam sua experiência e o respeito que ele conquistou dentro da UEFA. A verdade provavelmente está em algum lugar no meio, mas em Budapeste, apenas a atuação na noite importará.
A final também será um referendo sobre a trajetória da carreira de Siebert. Uma atuação dominante pode silenciar os críticos e confirmar seu lugar entre a elite. Outra controvérsia, no entanto, poderia solidificar sua reputação como um oficial incapaz da consistência necessária no auge do jogo. Para PSG e Arsenal, a esperança é que a partida seja lembrada pelo futebol, não pelo homem no meio.
Com base em reportagens do L'Equipe.