A década do Manchester City sob Pep Guardiola chegou a uma conclusão comovente na sexta-feira, quando o treinador enfrentou a mídia pela última vez, confirmando sua saída no final da temporada. Em uma emocionante coletiva de imprensa no Etihad Campus, Guardiola se mostrou alternadamente reflexivo e encantador, reconhecendo o cansaço que se instalou após mais de 1.100 entrevistas coletivas e uma década de busca incansável pela excelência.
A manhã já havia sido marcante: o City anunciou às 11h12 que seu icônico técnico deixaria o cargo, e menos de 90 minutos depois, o clube revelou que a recém-ampliada Arquibancada Norte levaria permanentemente seu nome. Guardiola descobriu a homenagem apenas quando foi informado pelo presidente do clube, Khaldoon Al Mubarak, naquele mesmo dia, e soube dos planos para uma estátua – com uma pose ainda indefinida – através de um jornalista na sala. Sua preocupação leve com "cocô de pássaro" foi puro Guardiola, um homem confortável o suficiente para rir mesmo enquanto se despedia.
Refletindo sobre o momento em que informou seu elenco, o técnico de 55 anos admitiu que seu discurso foi "um desastre", uma rara rachadura na compostura de um homem que orquestrou tantos triunfos. No entanto, ele ofereceu um sentimento duradouro: "Gosto de pensar que minha vibração e energia estarão lá para sempre". Foi uma frase que resumiu uma década em que Guardiola transformou não apenas um time de futebol, mas toda a cultura do Manchester City, incutindo um estilo e ambição que redefiniram a identidade do clube.
Desde sua chegada em 2016, Guardiola levou o City a uma infinidade de títulos, incluindo vários títulos da Premier League e um triunfo na Champions League. Seu amigo Noel Gallagher, o guitarrista do Oasis e torcedor de longa data do City, certa vez se maravilhou com a transformação: de um time que lutava para emendar vitórias a um que buscava o quarto título consecutivo da liga. Os métodos meticulosos e a determinação implacável do catalão transformaram o City em uma potência doméstica e uma força europeia consistente.
Seu vínculo com Manchester ia além do futebol. Visivelmente emocionado, Guardiola lembrou do atentado à Manchester Arena em 2017, quando sua própria família estava no local, e adotou as palavras do poeta local Tony Walsh: "Este é o meu lugar". Poucos discordariam; o homem que chegou como estranho tornou-se tão sinônimo da cidade quanto sua música, sua chuva e, agora, seus restaurantes de tapas. A visita para assistir ao Stockport County na League One foi apenas uma vinheta de um treinador que se imergiu na região.
No entanto, o desgaste do trabalho tornou-se inegável. Guardiola falou de energia esgotada, um calendário extenuante desde 2016 e o alívio que sentiu quando John Stones revelou que seu próprio peso foi aliviado quando a notícia da saída do técnico foi divulgada. "Nada é eterno", disse Guardiola, reconhecendo a necessidade de descanso. O clima, as constantes perguntas sobre as acusações da Premier League – essas ele não sentiria falta, mas o vazio da partida seria profundo.
Em uma coletiva de imprensa que se estendeu além do tempo habitual, Guardiola esteve em forma: convidando Gary Neville e Jamie Carragher para uma cerveja, brincando sobre a rede ferroviária britânica e provocando de forma bem-humorada um jornalista sobre seu sotaque. Depois que as câmeras pararam, ele organizou uma reunião com vinho e frios para a mídia, oferecendo abraços e apertos de mão. Um boné com seu nome foi dado àqueles com – em suas palavras – "as maiores cabeças", e uma foto foi tirada no campo, por insistência dele.
O que vem a seguir é uma pergunta que ecoa muito além do Etihad. A hierarquia do clube, incluindo o presidente Al Mubarak, deve agora navegar por um futuro sem o arquiteto de sua era de ouro. Embora o nome de Enzo Maresca não tenha sido discutido, a pressão sobre seu sucessor será imensa, herdando um elenco construído à imagem de Guardiola e uma torcida acostumada a um sucesso sem precedentes. A liga também perde seu mestre tático, uma figura que forçou rivais a evoluir ou serem esmagados.
Guardiola insinuou uma fuga tranquila: golfe em climas mais quentes, vinho, tempo com seus filhos e talvez esperar que o cargo de técnico da Inglaterra fique disponível. O homem que confessou que jogar na partida anual de funcionários e mídia não o atraía buscará anonimato. Mas sua marca no futebol inglês é indelével – desde as inovações táticas até os padrões elevados, desde o estilo técnico até o acúmulo de troféus.
Enquanto a luz do sol se desvanecia sobre o estádio, a primeira resposta de Guardiola do dia ainda ressoava: "Foi a experiência da minha vida". Para os torcedores do Manchester City, e para muitos que narraram esta jornada, o sentimento é mútuo. A era Guardiola termina, mas a vibração e energia que ele mencionou perdurarão nas arquibancadas que agora levam seu nome. Baseado em reportagem do The Guardian.