A carreira de Ángel Di María no Manchester United, antecipada como um catalisador para um novo capítulo repleto de troféus, dissolveu-se em um ano de acrimônia e arrependimento — mas não pela transferência em si. Em uma entrevista franca à BBC Sport, o argentino campeão mundial revela como uma ruptura em seu relacionamento com o técnico Louis van Gaal transformou seu tempo em Old Trafford em uma provação "odiada".
A transferência de £59,7 milhões do Real Madrid em agosto de 2014 quebrou recordes britânicos e carregava enormes expectativas. Di María, recém-vencedor da Champions League, justificou imediatamente o valor marcando três gols e criando quatro em seus primeiros seis jogos. "As coisas começaram muito bem. Tudo estava fluindo", disse ele. Seu drible direto e talento criativo ofereceram uma centelha que o United havia perdido.
No entanto, a lua de mel durou pouco. Van Gaal, um disciplinador com um plano tático rígido, começou a minar a confiança de Di María. O técnico experimentou com a posição do ponta — usando-o em ambas as pontas, como camisa 10 e até no meio-campo — mas se frustrou quando o jogador não executou os papéis específicos atribuídos a ele. As tensões transbordaram em uma série de reuniões tensas.
"Ele nunca me mostrava o que eu estava fazendo bem, apenas os negativos, repetidamente. Eventualmente, fiquei farto", lembrou Di María. As críticas constantes, diz ele, ignoravam seus pontos fortes e amplificavam cada erro. Isso contrastava fortemente com seu papel de liberdade no Madrid, deixando-o se sentindo preso e incompreendido.
O trauma fora de campo agravou a miséria. Uma tentativa de arrombamento em sua casa em Cheshire enquanto sua família estava presente deixou cicatrizes profundas. Sua esposa, Jorgelina Cardoso, expressou publicamente seu desdém por Manchester, chamando a comida de "nojenta" e as mulheres de "como porcelana". Di María admite que o ambiente amplificou sua infelicidade: "Escurece muito cedo e então o frio começou. Tudo continuou piorando".
A turbulência profissional e pessoal atingiu um ponto de ruptura no início de 2015. Sendo deixado de lado do time titular regularmente após março, e após ver um cartão vermelho na FA Cup, Di María resolveu sair. Assim que a temporada terminou, ele se recusou a se juntar à turnê de pré-temporada do clube, isolando-se em sua Rosário natal até que uma transferência fosse garantida.
Van Gaal, por sua vez, ofereceu uma contranarrativa afiada. O holandês diz que nunca pediu a contratação, classificando-a como uma decisão do clube e um erro. Ele insiste que tentou Di María em vários papéis, mas não conseguiu encontrar uma posição onde o argentino fosse eficaz. O abismo entre o talento espontâneo do jogador e as exigências sistemáticas de Van Gaal parece irreconciliável.
No verão de 2015, Di María forçou uma transferência de £44,3 milhões para o Paris Saint-Germain, cortando perdas após uma temporada. Ele não olha para trás com amargura, no entanto. "Chegar aos estádios, a atmosfera, o amor dos torcedores, não me arrependo de nada disso", afirmou. Ele se lembra com carinho de jogar ao lado do ídolo de infância Wayne Rooney, e até vestir a icônica camisa número 7.
A mudança para o PSG ressuscitou a carreira de Di María. Ele passou sete anos repletos de troféus na capital francesa, ganhando vários títulos da Ligue 1 e chegando à final da Champions League. Seguiram-se passagens pela Juventus e Benfica, mantendo-o no topo da Europa. Então, em julho de 2025, ele completou um retorno romântico ao Rosario Central, o clube onde sua jornada começou.
Em retrospecto, o capítulo de Di María no United sublinha um clássico conto de talento incompatível com sistema. A incapacidade de Van Gaal de aproveitar uma arma ofensiva de classe mundial mostrou-se cara para o clube, enquanto a resiliência do jogador o viu prosperar em outros lugares. A saga continua sendo um exemplo definitivo de como uma transferência de alto valor pode se desfazer rapidamente quando filosofia futebolística e circunstâncias pessoais colidem.
Para o United, foi outro episódio de advertência em uma década de contratações erráticas pós-Sir Alex Ferguson. O impacto fugaz de Di María, contrastado com seu sucesso duradouro no PSG e depois ao vencer a Copa do Mundo de 2022 com a Argentina, levanta questões sobre o ambiente do clube durante aquela época. No entanto, o próprio homem escolhe lembrar os aspectos brilhantes: a adoração dos torcedores e a emoção dos estádios ingleses.
Baseado em reportagem da BBC Sport.