As ambições europeias do Brentford sobreviveram a um duro teste no Gtech Community Stadium quando o doblete tardio de Dango Ouattara resgatou um empate por 2-2 contra o Crystal Palace em um eletrizante dérbi londrino. O talismã das Bees primeiro se beneficiou de um ricochete afortunado para anular o pênalti inicial de Ismaila Sarr, depois cabeceou para o gol aos 88 minutos para negar ao Palace uma vitória que parecia deles após o primeiro gol de Adam Wharton pelo Eagles. O ponto mantém o time de Thomas Frank firmemente na luta pela classificação continental com apenas alguns jogos restantes.
A partida explodiu em vida aos seis minutos quando o árbitro Sam Barrott, que controversamente anulou uma falta de Eberechi Eze neste mesmo jogo na temporada passada, apontou para a marca do pênalti. A entrada mal calculada de Caoimhin Kelleher derrubou Sarr quando ele invadia a área, e depois que um escanteio foi inicialmente sinalizado, o VAR interveio para anular a decisão. Sarr, já desfrutando de uma campanha estelar, bateu o pênalti contra o emprestado do Liverpool para registrar seu 21º gol da temporada, igualando o recorde de longa data de Andy Johnson no Palace de mais gols em todas as competições durante uma campanha da Premier League.
O Palace, sentindo o sangue, sitiou o gol do Brentford em uma primeira meia hora unilateral. Sarr acertou a trave com um chute curvo da entrada da área, e momentos depois o potente disparo de Jorgen Strand Larsen bateu no poste com Kelleher batido. Os donos da casa, desconexos e sobrecarregados, pareciam na corda bamba — mas a capacidade de crueldade do futebol surgiu quando o Brentford empatou em verdadeiro estilo 'smash-and-grab'. O cruzamento longo de Yehor Yarmoliuk foi mal desviado pelo defensor Jaydee Canvot, a bola ricocheteou na cabeça de Ouattara e passou por cima do imóvel Dean Henderson. O atacante burquinense sabia pouco sobre isso, mas a paridade foi restaurada contra o fluxo do jogo.
O intervalo pouco fez para perturbar a autoridade do time de Oliver Glasner. Dez minutos após o reinício, Wharton — que havia acumulado 93 partidas sem gol pelo Palace desde sua transferência do Blackburn — finalmente quebrou o jejum de forma espetacular. O meio-campista inglês recebeu um passe de Kamada a 25 jardas, avançou sem marcação e soltou um chute que escapou entre as mãos fracas de Kelleher e cruzou a linha. Sua comemoração com cambalhota e salto mortal falava tanto de alívio quanto de alegria, e com o maestro do meio-campo do Palace ditando o ritmo, uma primeira vitória fora de casa em mais de dois meses parecia iminente.
O Brentford trabalhou em busca de uma resposta, mas encontrou a retaguarda do Palace magistralmente comandada por Maxence Lacroix e Chadi Riad. Igor Thiago, isolado e sem receber passes, mostrou-se frustrado, enquanto os passes intrincados de Mikkel Damsgaard não encontraram fio de corte. A introdução de Kevin Schade e Sepp van den Berg injetou urgência, mas as oportunidades claras permaneceram escassas conforme o relógio avançava para os últimos dez minutos.
Então chegou o momento que virou o roteiro. Michael Kayode, o tenaz lateral, lançou um arremesso lateral longo para a área. Van den Berg saltou mais alto para desviar a bola em direção à pequena área, onde Ouattara — alerta e agressivo — cabeceou a bola além de Henderson para provocar o caos. Foi um gol forjado no campo de treinamento, e deu vida a uma partida que parecia fora do alcance do Brentford. O Gtech rugiu sua aprovação, e impressionantes dez minutos de acréscimo apresentaram um convite aberto para um vencedor.
O ato final foi puro caos. Schade chutou por cima de oito jardas após uma confusão na área, antes de Thiago — com o gol aberto — de alguma forma levantar seu chute por cima do travessão de perto. O Palace, abalado, mas resiliente, segurou enquanto o Brentford jogava tudo para frente, com o substituto Josh Dasilva acertando a rede lateral nos momentos finais. O apito final anunciou um empate que parecia uma vitória para a torcida da casa, e uma pílula amarga para os visitantes que controlaram grande parte do jogo.
Além do drama, o resultado tem peso significativo na corrida pela Europa. O Brentford está em sétimo, empatado em pontos com o grupo perseguidor, mas com saldo de gols superior. Seu destino ainda está em suas próprias mãos, embora uma reta final desafiadora, com uma viagem ao Manchester City e um confronto em casa contra o ressurgente Newcastle, testará sua determinação. Frank refletirá sobre uma atuação que careceu de fluência, mas encontrou resiliência — uma característica que pode ser decisiva na reta final.
Para o Palace, a frustração de sair do oeste de Londres com apenas um ponto é atenuada pela excelência contínua de Sarr e pelo surgimento de Wharton como uma ameaça real de gol. A descoberta do internacional inglês parecia um momento de amadurecimento, e sua parceria com Daichi Kamada forneceu uma plataforma para construir. No entanto, a falha em matar o jogo quando o Brentford vacilava pode assombrar Glasner enquanto ele mira um lugar na metade superior da tabela.
Em um dia em que os erros de Kelleher ameaçaram prejudicar seu time, a serenidade de Ouattara sob pressão provou ser o grande equalizador. O doblete do jogador de 24 anos elevou sua conta para 14 gols no campeonato nesta temporada, a melhor marca de sua carreira, que sublinha sua importância para o ataque fluido do Brentford. Enquanto a corrida pela Europa se intensifica, as Bees buscarão seu talismã marfinense para entregar mais momentos decisivos. Baseado em reportagens da Sky Sports.