O Estádio Etihad estava repleto de emoção no domingo, quando o Manchester City baixou as cortinas da era Pep Guardiola, um capítulo de dez anos que transformou o clube e o futebol inglês. Uma derrota por 1-2 para o Aston Villa foi pouco mais que uma nota de rodapé em um dia dedicado a lembranças, gratidão e uma série de despedidas emocionantes.
Guardiola já havia anunciado que deixaria o cargo no final desta temporada da Premier League, e a visita do Villa marcou seu 593º e último jogo no banco da casa. Durante essa década, ele acumulou uma impressionante coleção de troféus – incluindo seis títulos de liga, duas FA Cups e a tão aguardada coroa da Champions League – enquanto imprimia uma filosofia baseada na posse de bola que mudou o panorama tático do futebol inglês.
Antes do pontapé inicial, começaram as homenagens. Três tifos colossais foram desfraldados nas arquibancadas do Etihad, um para Guardiola e um para dois esteios que estão saindo: John Stones e Bernardo Silva. Quando os treinadores trocaram o tradicional aperto de mão pré-jogo, Unai Emery presenteou Guardiola com um presente pessoal, um gesto que tocou visivelmente o catalão, sublinhando o respeito que seus pares têm por ele.
Quando o futebol começou, o City estava por cima. Guardiola escalou um time bastante rodizio – Erling Haaland, Gianluigi Donnarumma, Rodri e Marc Guéhi nem estavam na ficha técnica – mas os donos da casa controlaram o primeiro tempo. Eles abriram um merecido placar aos 23 minutos. Tijjani Reijnders cobrou um escanteio, Andres Garcia desviou de cabeça, e Antoine Semenyo chegou para volear limpidamente para o gol, dando à torcida local um momento de celebração em meio à nostalgia.
O jogo virou após o intervalo. O Villa ficou mais ousado enquanto o City perdia sua intensidade inicial, talvez sobrecarregado pela emoção da ocasião. Seis minutos do segundo tempo, um escanteio causou caos e a bola caiu favoravelmente para Ollie Watkins após um rebote em Stones. O atacante empatou de perto, com um movimento rápido demais para um defensor que tem sido um pilar da defesa de Guardiola.
Watkins completou a virada pouco depois da hora de jogo com um gol que mostrou sua qualidade. Recebendo a bola na entrada da área, ele fez um giro rápido para escapar de Stones, que ficou para trás, antes de Watkins disparar um chute rasteiro cruzado para o gol, no canto oposto. Foi um raro dia ruim para Stones, diretamente envolvido nos dois gols sofridos, mas isso não diminuiu o afeto que tomava conta do estádio.
Guardiola escolheu o minuto 59 para colocar Bernardo Silva, que entrou em campo com sua filha pequena nos braços. Era a 460ª vez que Silva jogava sob o comando de Guardiola – mais do que qualquer outro jogador na carreira do técnico – e quando ele foi substituído mais tarde, todo o Etihad se levantou. Ambos os times formaram um corredor, e a ovação foi prolongada e estrondosa. Guardiola, normalmente tão controlado, não conseguiu conter as lágrimas quando o meio-campista português o abraçou na linha lateral.
A despedida de Stones chegou aos 78 minutos, e o roteiro foi quase idêntico. Uma emocionante ovação de pé, outro corredor, e mais lágrimas do homem que esteve no coração da defesa do City por grande parte desta era dourada. O resultado já não importava; o dia havia se tornado uma homenagem viva a três indivíduos que moldaram a identidade moderna do clube.
A queda de rendimento do City no segundo tempo foi compreensível. Com várias figuras veteranas descansadas e o peso emocional das despedidas pairando sobre os jogadores, a intensidade caiu. A atuação foi um lembrete de que a máquina de Guardiola foi alimentada não apenas por táticas, mas pelo feroz impulso competitivo que ele incute, algo que diminuiu naturalmente nesta tarde única.
No entanto, o City já havia garantido o segundo lugar, e o Aston Villa, também se encaminhando para um verão de mudanças, estava mais afiado quando o jogo ficou mais solto. O resultado não vai perdurar na memória; os tifos, os abraços e as lágrimas vão. Foi uma ocasião rara em que a vitória pareceu incidental.
Quando soou o apito final com o placar de 1-2, os fiéis do Etihad ficaram por muito tempo depois para cantar para seus heróis que partem. A década de domínio de Guardiola deixou uma marca duradoura no Manchester City e na Premier League, estabelecendo padrões que moldarão as ambições do clube por anos. O domingo não foi sobre a derrota; foi a página final de uma história que será contada por gerações.
Baseado em reportagem do L'Equipe.