O meio-campista do Paris Saint-Germain, Fabian Ruiz, não é estranho ao maior palco do futebol europeu. Antes da final da UEFA Champions League de 2026, o internacional espanhol ofereceu um vislumbre sincero de sua mentalidade — que equilibra ambição inabalável com uma conexão sentimental com seu passado. O jogador de 30 anos, agora uma peça-chave na máquina bem oleada de Luis Enrique, falou antes do confronto de 30 de maio na Puskás Aréna, em Budapeste, onde o PSG enfrentará um Arsenal revitalizado sob o comando de Mikel Arteta.
Para Ruiz, esta final representa mais do que uma chance de conquistar um troféu; é uma oportunidade de gravar seu nome mais profundamente nos livros de história. Na temporada passada, o PSG fez uma atuação histórica em Mônaco, desmantelando a Inter de Simone Inzaghi em uma final que redefiniu as margens das finais da Champions. “Estamos felizes por estar de volta à final. Não será fácil — conhecemos todas as dificuldades que vêm com a conquista da Champions League”, disse ele. “Enfrentamos uma equipe forte, que venceu a Premier League. Será uma final difícil, mas temos desejo e entusiasmo”.
Esse triunfo contra a Inter ainda reverbera. Para um clube por muito tempo ofuscado no cenário continental, a vitória de 2025 foi catártica. Ruiz, embora não seja um chamador de manchetes, foi fundamental em toda aquela campanha. Seu primeiro gol na Champions League veio na semifinal contra — coincidentemente — o Arsenal, momento que ele lembrou com clareza. “Foi meu primeiro gol na Champions, em casa contra o Arsenal”, disse à Sky Sport. “Foi uma semifinal muito disputada mesmo tendo vencido, mas sabemos que a final será diferente”.
Agora, com os Gunners entre o PSG e uma defesa bem-sucedida do título, a disciplina tática de Ruiz será vital. Sob o comando de Luis Enrique, o espanhol evoluiu para uma presença versátil, muitas vezes encarregado de cobertura defensiva. Refletindo sobre o recente encontro com o Bayern de Munique, ele explicou: “Luis Enrique nos dá novos detalhes a cada partida — o que precisamos fazer para ajudar nossos companheiros e vencer. Contra o Bayern, ele me pediu para ajudar o Nuno Mendes, embora ele seja muito forte, contra o Olise”. Essa abordagem altruísta pode novamente ser decisiva contra um ataque do Arsenal repleto de criatividade.
No entanto, enquanto ele se prepara para mais uma chance de glória, os pensamentos de Ruiz se desviam para o sul — para Nápoles. A cidade que o acolheu por quatro temporadas continua sendo um pilar de sua identidade. “Sempre acompanho o Napoli, e volto sempre que posso. Sinto muita falta”, confessou com sinceridade palpável. “Eles ganharam dois Scudetti desde que saí. Falo frequentemente com meus ex-companheiros”.
O vínculo de Ruiz com os Partenopei é profundo. Chegou do Real Betis em 2018 e rapidamente se tornou um esteio no meio-campo, acumulando 166 partidas, 22 gols e 15 assistências. Sua elegância com a bola e faro de gol o fizeram querido pelos fiéis do Stadio Diego Armando Maradona. Embora tenha partido para Paris no verão de 2022, seu legado já estava selado — o subsequente domínio doméstico do Napoli apenas sublinha a base que ele ajudou a construir.
No PSG, sua trajetória tem sido igualmente prolífica. Em 20 de maio de 2026, ele atingiu o mesmo marco de partidas (166) com as cores parisienses, complementado por 16 gols e 26 assistências — superando seu total de assistências no Napoli em menos temporadas. Sua vitrine de troféus conta a história de um vencedor em série: uma Champions League, uma Supercopa da UEFA, uma Copa Intercontinental, uma Coppa Italia (vencida com o Napoli), quatro títulos da Ligue 1, três Troféus dos Campeões e duas Copas da França. Adicione a coroa da Eurocopa 2024 da Espanha, e é um currículo que poucos podem igualar.
Esta final também coloca duas narrativas contrastantes uma contra a outra. O Arsenal, campeão da Inglaterra pela primeira vez desde 2004, busca seu primeiro título da Champions League — sua última aparição em final terminou em desgosto contra o Barcelona em 2006. Para os homens de Arteta, a vitória consolidaria um renascimento. Para o PSG, é sobre validação: provar que o ano passado não foi um acaso e estabelecer uma dinastia parisiense.
Ruiz, sempre profissional, evitou grandes previsões. Em vez disso, focou no coletivo: “Espero que contra o Arsenal todos estejam bem, e que possamos vencer a Champions League”. É um sentimento que encapsula seu ethos — liderança silenciosa, compromisso inabalável. Sua capacidade de alternar perfeitamente entre tarefas defensivas e provocar ataques o tornou indispensável para o sistema de Luis Enrique.
Fora de campo, a nostalgia do meio-campista pelo Napoli revela um lado humano muitas vezes perdido na incessante rotatividade do futebol moderno. “Desde que saí, o Napoli cresceu ainda mais, e isso me deixa feliz”, acrescentou. É uma rara demonstração de afeto por um ex-clube, sem a acrimônia típica das transferências. Para os torcedores do Napoli, suas palavras são um lembrete caloroso de um jogador que deu tudo e ainda valoriza o vínculo.
Enquanto o mundo do futebol converge para Budapeste, Ruiz está na interseção do passado e do futuro. Uma vitória o tornaria um dos poucos espanhóis a levantar Copas Europeias consecutivas com diferentes clubes estrangeiros — uma distinção que eleva ainda mais seu status. Mais imediatamente, solidificaria a transformação do PSG de perenes fracassados a conquistadores do continente.
No final, seja Paris mantendo sua coroa ou o Arsenal abrindo novos caminhos, a jornada de Fabian Ruiz é um testemunho de perseverança silenciosa. Dos campos de treinamento ensolarados de Castel Volturno aos refletores do Parc des Princes, ele trocou nostalgia por troféus — mas nunca esqueceu onde seu coração ainda bate. Baseado em reportagens do Tuttosport.