A Federação Mexicana de Futebol (FMF) traçou uma linha dura, emitindo um ultimato aos jogadores da sua liga doméstica, a Liga MX. A mensagem é clara: apresentem-se a um período de treinos pré-Copa na Cidade do México até um prazo especificado ou sejam excluídos dos planos da seleção nacional para o torneio deste verão. Esta ação decisiva destaca a intensa pressão e os desafios logísticos que os co-anfitriões enfrentam enquanto se preparam para um evento histórico em casa.
O período de treinos, orquestrado pelo técnico Javier Aguirre, está programado para começar na quarta-feira, 6 de maio. Sua data é o cerne da controvérsia, pois cai fora da janela internacional designada pela FIFA. Essa programação entra em conflito direto com etapas cruciais do calendário do futebol doméstico, incluindo os playoffs da Liga MX e as semifinais da Copa dos Campeões da Concacaf. A FMF estabeleceu um prazo firme das 20h horário local (03:00 BST de quinta-feira, 7 de maio) para que todos os jogadores selecionados se apresentem ao Centro de Alto Rendimento.
A lista de seleção do técnico Aguirre inclui 20 jogadores de clubes da Liga MX, e a federação observa que 12 deles já têm lugar garantido no elenco final da Copa. Essa garantia torna a ameaça de exclusão particularmente severa, pois faltar ao período de treinos pode significar perder um lugar no maior palco esportivo do mundo. O elenco final de 26 jogadores está previsto para ser anunciado em 1º de junho, deixando pouco espaço para reconciliação se os jogadores desobedecerem à ordem.
O conflito expôs uma fissura entre a federação nacional e os clubes, que estão profundamente envolvidos em seus próprios jogos decisivos da temporada. O Toluca, por exemplo, encontra-se em uma posição difícil. O clube solicitou à FMF a liberação do atacante Alexis Vega e do lateral-esquerdo Jesús Gallardo para que pudessem participar do jogo de volta da semifinal da Copa dos Campeões da Concacaf contra o LAFC, da MLS. O Toluca perde por 2 a 1 no agregado após o primeiro jogo, tornando a partida um evento de alto risco para o clube.
No entanto, o pedido do Toluca foi percebido como uma violação de um acordo anterior entre os clubes da Liga MX sobre a liberação de jogadores para o período de treinos da seleção. Essa percepção provocou a fúria de um rival direto, o Chivas de Guadalajara. O Chivas já havia cumprido a exigência da federação, liberando cinco de seus jogadores: o goleiro Raúl Rangel, os meio-campistas Luis Romo e Brian Gutiérrez, o ponta Roberto Alvarado e o atacante Armando González.
Sentindo-se traído pelo que viu como uma quebra do pacto por parte do Toluca, o presidente do Chivas, Amaury Vergara, tomou medidas rápidas e públicas. Ele recolheu seus cinco jogadores, instruindo-os a se apresentarem novamente nas instalações do clube. Vergara expressou sua frustração nas redes sociais, afirmando que "Os acordos são válidos apenas quando todas as partes os respeitam." Esse movimento sublinha o delicado equilíbrio de confiança e cooperação necessário entre a federação e os clubes, um equilíbrio agora visivelmente tenso.
A situação coloca os próprios jogadores em uma posição incrivelmente difícil, presos entre as diretrizes de seus empregadores (os clubes) e a federação nacional. Para aqueles com vagas garantidas na Copa, a escolha é particularmente angustiante: honrar seus compromissos com o clube em um playoff vital ou partida da Copa dos Campeões, ou arriscar sua carreira internacional desafiando o claro aviso da FMF.
O calendário de preparação do México é intenso após o período de treinos. A equipe tem programados jogos amistosos contra Gana em 22 de maio, Austrália em 31 de maio e Sérvia em 4 de junho. Essas partidas são cruciais para Aguirre finalizar sua tática e coesão do elenco antes do torneio começar oficialmente. O jogo de abertura do México na Copa está agendado para 11 de junho contra a África do Sul no icônico Estádio Azteca.
Como co-anfitrião ao lado dos Estados Unidos e Canadá, a pressão sobre El Tri para ter um bom desempenho é imensa. Este ultimato do período de treinos é um sinal claro de que a federação pretende priorizar a preparação da seleção nacional acima de tudo, mesmo que isso signifique criar atritos com a liga doméstica durante sua fase mais crítica. As próximas horas revelarão quais jogadores atendem ao chamado e quais clubes mantêm sua posição, preparando o cenário para um prelúdio dramático da Copa.
Com base em reportagem da BBC Sport.