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Filipe Luis: 5 troféus em 1,5 anos, agora técnico do Monaco

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Depois de vencer 5 troféus em 18 meses no Flamengo, Filipe Luis se junta ao Monaco como técnico, combinando táticas europeias com o talento sul-americano.

Filipe Luis está prestes a ser nomeado o novo treinador do AS Monaco, uma jogada que marca o culminar de um período tumultuado de 18 meses como técnico no Flamengo, onde o brasileiro colecionou impressionantes cinco troféus. O ex-lateral esquerdo transformado em treinador percorreu um caminho meteórico, combinando sua profunda paixão pelo jogo com uma mente tática astuta aperfeiçoada na Europa. Agora, ele traz essa combinação única para a Ligue 1, pronto para escrever o próximo capítulo de sua já ilustre carreira.

Antes de seus dias como treinador, Luis forjou uma carreira de jogador célebre, notavelmente no Atlético de Madrid, onde venceu La Liga e chegou a duas finais da Champions League, e uma breve passagem pelo Chelsea que lhe rendeu uma medalha de vencedor da Premier League. Mas no verão de 2019, o menino que torcia pelo Flamengo desde os sete anos fez um retorno emocionante ao Brasil, juntando-se aos gigantes do Rio de Janeiro. Poucos imaginavam que a reunião não seria apenas um regresso a casa para um jogador – era o prelúdio de um conto de fadas como treinador.

Bruno Spindel, diretor esportivo do Flamengo na época, revelou ao L’Equipe que viu um futuro treinador em Luis durante sua primeira reunião de recrutamento. “Eu queria contratar um jogador, mas durante a refeição, percebi que também estava contratando um futuro técnico”, contou Spindel. Essa previsão preparou o terreno para uma transição cuidadosamente orquestrada. Depois de se aposentar como jogador, Luis permaneceu no clube, passando sem problemas para a configuração da base e eventualmente assumindo as rédeas da equipe principal.

Uma vez no banco, Luis não perdeu tempo em imprimir sua filosofia. Sua abordagem, conforme descrita por analistas, funde o jogo posicional estruturado típico do futebol europeu com o talento criativo e o instinto de improvisação inerentes ao talento sul-americano. Essa dupla identidade permitiu ao Flamengo dominar domesticamente enquanto competia ferozmente em torneios continentais. Os números falam por si: em aproximadamente 100 partidas no comando, ele guiou o Mengão a cinco títulos importantes, um desempenho que o colocou instantaneamente entre os treinadores estreantes mais bem-sucedidos da história do futebol brasileiro.

O detalhe mais chocante de sua passagem pelo Flamengo, no entanto, é a forma de sua saída. Em março, apenas dias após orquestrar uma goleada de 8 a 0 sobre um adversário da liga, Luis foi demitido de suas funções. O placar tornou a notícia ainda mais surreal. No entanto, dentro do clube, a saída foi entendida como parte de um plano pré-estabelecido – o treinador há muito era apontado para uma mudança para a Europa, e o Monaco estava de olho. Longe de uma demissão, foi uma despedida que ressaltou seu valor: ele saiu com a equipe confortavelmente posicionada e um armário cheio de troféus.

Sua relação com o elenco do Flamengo era de genuíno afeto. Os jogadores frequentemente falavam de suas habilidades de gestão de pessoas – parte irmão mais velho, parte mestre tático. Ele criou um ambiente onde estrelas e jovens se sentiam empoderados. A unidade que ele fomentou tornou-se a base de seu sucesso, e a ovação de pé que recebeu em sua última partida – apesar da saída iminente – foi um testemunho do respeito que ele comandava.

Para o Monaco, a nomeação representa uma aposta ousada em uma estrela emergente da direção técnica. O clube do principado tem uma tradição de nutrir treinadores ambiciosos, e Luis se encaixa no perfil: jovem, faminto e moldado pela competição europeia de elite. Sua capacidade de se comunicar em vários idiomas e se adaptar a diferentes culturas futebolísticas será crucial enquanto ele assume um time com aspirações de retornar ao topo da Ligue 1 e fazer barulho na Champions League.

Os desafios que estão por vir são tangíveis. A Ligue 1 é uma liga fisicamente exigente, e o elenco do Monaco é uma mistura de jovens promessas e nomes consolidados que exigirão clareza tática imediata. Além disso, Luis precisará fazer a transição do futebol emocionalmente carregado do Rio de Janeiro para o ambiente mais comedido e estratégico da Riviera Francesa. No entanto, aqueles que acompanharam sua jornada insistem que seu pragmatismo e carisma se traduzirão.

Enquanto arruma as malas para a Europa, Filipe Luis deixa para trás um legado no Flamengo gravado em troféus e lágrimas – de alegria e gratidão. Ele parte não como um experimento fracassado, mas como uma história de sucesso que o clube lembrará por anos. A mudança para o Monaco não é apenas um passo à frente; é a evolução natural de um treinador cuja ambição sempre superou suas conquistas como jogador. E se sua passagem pelo Flamengo for uma indicação, o melhor ainda está por vir.

Com base em reportagens do L'Equipe.