A transmissão gratuita tradicional da final da Champions League no Reino Unido foi eliminada pela primeira vez desde o início moderno da competição. Quando o Arsenal enfrentar o Paris Saint-Germain em 30 de maio em Munique, nenhum canal aberto transmitirá a partida. Em vez disso, os telespectadores devem assinar a TNT Sports ou seu parceiro de streaming HBO Max, encerrando abruptamente uma tradição de 34 anos.
Desde que a Copa da Europa foi renomeada para Champions League em 1992, a final era universalmente acessível na Grã-Bretanha. A ITV deteve os direitos de 1992 a 2015, entregando momentos icônicos como a vitória de virada do Manchester United em 1999 e o milagre de Istambul do Liverpool. Quando a BT Sport (depois renomeada TNT Sports) assumiu, continuou a prática de exibir a final gratuitamente em um canal dedicado, garantindo que torcedores sem assinatura pudessem assistir. Esse compromisso agora foi retirado.
A decisão, confirmada pela empresa controladora da TNT Sports, Warner Bros. Discovery, significa que a única forma legal de assistir ao jogo é por meio de uma assinatura paga. A emissora exibirá a final exclusivamente em sua plataforma paga e na HBO Max, ambas exigindo uma taxa mensal. Não haverá streaming gratuito ou transmissão aberta, uma novidade na história da competição.
Este paywall também inclui as outras duas finais europeias envolvendo clubes ingleses. A final da Europa League do Aston Villa contra o Freiburg na quarta-feira e a final da Conference League entre Crystal Palace e Rayo Vallecano na semana seguinte também estarão bloqueadas atrás de uma assinatura. Para os torcedores dos três clubes, o sonho de um troféu europeu agora vem com uma conta de visualização obrigatória.
A mudança representa uma grande transformação no cenário de transmissão esportiva do Reino Unido. A final da Champions League sempre foi considerada um evento de joia da coroa, semelhante à final da FA Cup, que é protegida por lei para transmissão gratuita. Embora as finais de clubes da UEFA não sejam legalmente protegidas da mesma forma, sua disponibilidade histórica as tornou um pilar das festas nacionais de exibição. Essa mudança corre o risco de alienar torcedores casuais e reduzir o alcance cultural do evento.
Financeiramente, a estratégia é clara: a controladora Warner Bros. Discovery aposta que novos assinantes suficientes se inscreverão para compensar qualquer reação negativa. Os esportes ao vivo continuam sendo um dos poucos impulsionadores confiáveis do crescimento de assinantes na era do streaming. No entanto, a fragmentação dos direitos – com o futebol principal agora espalhado entre Sky, TNT, Amazon e outros – está frustrando cada vez mais os consumidores que enfrentam 'fadiga de assinaturas'.
Olhando mais adiante, o cenário de transmissão mudará drasticamente a partir da temporada 2027-2028. A TNT Sports perdeu os direitos no leilão mais recente, com a Paramount (proprietária da CBS e Paramount+) adquirindo os direitos da Champions League e a Sky Sports vencendo os pacotes da Europa League e Conference League. Isso significa que os torcedores do Reino Unido precisarão se adaptar a mais um conjunto de plataformas para acompanhar as competições europeias de clubes.
A reação pública tem sido fortemente crítica. Nas redes sociais, torcedores expressaram raiva por serem excluídos dos maiores eventos do esporte devido aos preços. Alguns apontaram que, em uma era de aumento do custo de vida, o gasto mensal acumulado para assistir futebol legalmente pode exceder £100. O receio é que tais barreiras afastem o público jovem do esporte e os empurrem para o streaming ilegal.
Para o Arsenal, a partida tem um imenso peso histórico. O clube está em sua primeira final da Champions League desde 2006, quando perdeu para o Barcelona. O time de Mikel Arteta montou um elenco formidável e espera imitar o legado dos Invencíveis. O Paris Saint-Germain, por sua vez, busca seu primeiro título europeu após anos de quase sucessos. A tensão em campo será palpável, mas o drama em torno da transmissão ofuscará a preparação.
Este momento histórico pode ser um prenúncio de mudanças mais amplas. À medida que empresas de tecnologia e telecomunicações investem bilhões em direitos esportivos, a era de eventos premium totalmente gratuitos está desaparecendo. Para os torcedores de futebol do Reino Unido, a final de 2025 será lembrada não apenas pelo futebol, mas também pela porta fechada que representa para uma experiência de visualização compartilhada tradicional. Com base em reportagens do L'Equipe.