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Florentino Pérez: Por que ele convocou uma nova eleição no

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Florentino Pérez, 79 anos, nega rumores de renúncia e convoca nova eleição presidencial no Real Madrid em meio a críticas da mídia e alegações de uma campanha

Em uma impressionante e não programada coletiva de imprensa na terça-feira, o presidente do Real Madrid, Florentino Pérez, agiu para dissipar rumores de sua iminente renúncia enquanto simultaneamente exigia uma nova eleição presidencial. O homem de 79 anos, que presidiu o clube em dois períodos desde 2000, dirigiu-se aos jornalistas com uma mistura de desafio e queixa, insistindo: "Há uma campanha contra mim, mas eu ainda estou aqui e sou o presidente". Seu inesperado pedido de eleições prepara o cenário para um período potencialmente contencioso no Bernabéu.

O mandato de Pérez no Real Madrid foi definido pela era "Galáctico", múltiplos títulos da Champions League e uma transformação radical da situação financeira e global do clube. No entanto, os últimos meses trouxeram sussurros de descontentamento, com setores da imprensa espanhola noticiando discórdia interna e um vácuo de liderança percebido. Ao convocar uma eleição — um movimento que, segundo os estatutos do clube, exige que ele renuncie formalmente antes de se candidatar novamente — Pérez parece estar desafiando seus críticos a darem um passo à frente. "Se alguém quiser concorrer à presidência, não deve apenas ameaçar, deve fazê-lo e explicar como financiará sua campanha", desafiou os oponentes.

O processo de eleição presidencial do Real Madrid é notoriamente exclusivo. Os candidatos devem ser espanhóis, ter sido sócios do clube por pelo menos 20 anos e, crucialmente, fornecer uma garantia bancária pessoal equivalente a 15% do orçamento do clube. Esse obstáculo financeiro historicamente dissuadiu desafios sérios, deixando Pérez sem oposição nas duas últimas eleições (2013 e 2017). Ao pressionar por uma votação antecipada, ele pode estar apostando que nenhuma alternativa viável pode atender a esses requisitos, reforçando assim seu mandato. No entanto, o gesto também sinaliza que ele sente o chão se movendo sob seus pés.

Central no discurso de Pérez foi um ataque contundente à mídia espanhola, particularmente ao jornal ABC, que ele acusou de fabricar histórias sobre uma crise no clube. "Como você pode escrever isso?", perguntou a um jornalista do veículo, revelando que havia cancelado sua assinatura. Ele prosseguiu afirmando que certa mídia existe unicamente para "perseguir o Real Madrid e seu presidente". Em um comentário revelador, ele afirmou: "Jornalistas e seus colegas não dirigem nada aqui. Eles não são acreditados — eu sou o único que é acreditado". Esta postura combativa sublinha uma profunda ruptura entre Pérez e o corpo de imprensa que documentou seu reinado.

Em meio às manobras políticas, Pérez também se sentiu compelido a abordar rumores sobre sua saúde. Ele negou categoricamente relatórios que sugeriam que ele sofria de câncer terminal. "Alguns dizem que estou doente, que tenho câncer terminal. Quero agradecer a todas as pessoas que se preocupam comigo. Estou bem", esclareceu. Aos 79 anos, sua saúde é uma preocupação legítima para os sócios, e sua decisão de enfrentar a especulação de frente foi uma tentativa direta de projetar vigor e transparência.

O presidente desviou-se brevemente para assuntos esportivos, apesar de inicialmente declarar que não discutiria os assuntos do time em campo. Ele reagiu ao recente altercação no treino entre Aurélien Tchouaméni e Federico Valverde, chamando de "terrível" que o incidente tenha se tornado público. Embora tenha minimizado o conflito como não incomum em seus 26 anos no clube, expressou frustração com o vazamento, dizendo: "Acho horrível que isso tenha sido exposto". Este raro reconhecimento sugere tensões subjacentes dentro do elenco que podem estar exacerbando a narrativa de instabilidade.

A recusa de Pérez em comentar sobre o futuro do técnico Carlo Ancelotti ou do elenco sugere uma tentativa deliberada de separar sua jogada eleitoral do desempenho do time. No entanto, os dois estão inextricavelmente ligados. O sentimento dos torcedores muitas vezes oscila com os resultados, e uma má fase pode encorajar possíveis rivais. Ao abrir o processo eleitoral agora — relatórios indicam que uma reunião será convocada dentro de 15 dias — Pérez está, em efeito, desafiando seus detratores a apresentar um projeto alternativo em um momento em que o clube permanece competitivo, mas não dominante.

As implicações para o Real Madrid são profundas. Uma eleição, mesmo que incontestada, introduz um período de incerteza. Pérez tem sido o arquiteto do Real Madrid moderno, e qualquer transição marcaria o fim de uma era. Seus aliados próximos controlam o conselho, e o modelo econômico do clube — incluindo a reforma do Bernabéu — está ligado à sua visão. Uma eleição genuinamente disputada poderia forçar questões fundamentais sobre a direção do clube, desde a política de transferências até a estratégia comercial.

Historicamente, Pérez sobreviveu a crises anteriores, incluindo a saída de Cristiano Ronaldo e o fracassado projeto da Superliga. Sua capacidade de enquadrar esta eleição como uma batalha contra inimigos externos — a mídia e grupos obscuros — joga com uma narrativa de longa data de um clube sob cerco. "Ninguém me intimida. Há grupos que querem comandar o Real Madrid, mas não conseguiram", declarou, apresentando-se como o guardião indispensável dos valores da instituição.

O que vem a seguir dependerá de se algum desafiante crível surgir. Nomes têm sido sussurrados na imprensa espanhola — o empresário Enrique Riquelme e outros — mas nenhum se declarou publicamente. O movimento de Pérez pode ser um golpe preventivo para expor oponentes antes que possam se organizar. Se ninguém se apresentar, ele será declarado presidente sem votação, cimentando sua posição. Se alguém o fizer, será a primeira eleição disputada desde 2006, quando Ramón Calderón venceu em uma votação caótica.

Em última análise, o espetáculo de terça-feira foi o Pérez por excelência: uma aula de controle e mensagem. Ele transformou a coletiva de imprensa em uma plataforma para reafirmar sua autoridade, redefinir a narrativa e colocar seus inimigos em alerta. Resta saber se essa aposta garantirá seu legado ou acelerará o fim de seu reinado. Por enquanto, Florentino Pérez está, como ele diz, "ainda aqui" — e exigindo que os sócios do clube decidam se ainda o querem.

Baseado em reportagens do L'Equipe.