A temporada do AC Milan terminou em amarga decepção com uma derrota em casa por 1 a 0 para o Cagliari no San Siro, condenando-os a uma vaga na Europa League, ficando aquém da classificação para a Champions League que parecia ao alcance. O resultado não apenas selou a perda do G-4, mas também estendeu uma impressionante sequência de cinco derrotas em casa no segundo turno da campanha, um colapso que deixou o técnico Massimiliano Allegri sob intenso escrutínio sobre seu futuro.
O momento decisivo chegou cedo, mas a resposta do Milan foi alarmantemente passiva. Depois de ficar atrás no placar, os rossoneri não conseguiram reunir a energia nervosa que havia definido os sucessos anteriores, permitindo que o Cagliari controlasse o ritmo. Allegri admitiu posteriormente que sua equipe defendeu mal após sofrer o gol, uma fragilidade que já havia aparecido nas recentes derrotas em casa para Atalanta e Udinese. "Cometemos erros, e eu cometi erros durante essas derrotas", disse ele à DAZN, refletindo sobre um padrão de deslizes no final da temporada que se mostraram fatais.
Allegri, que nunca havia falhado em garantir a vaga na Champions League em sua carreira de treinador — exceto na temporada 2022/23 com a Juventus, quando uma dedução de pontos o privou da conquista —, mostrou-se abatido. Ele enfatizou a necessidade de "clareza fria" ao revisar toda a campanha, insistindo que os problemas iam além de uma única partida. "Temos que avaliar toda a temporada com lucidez, sem reduzir tudo ao jogo de hoje", disse, reconhecendo que as dificuldades do time no segundo turno estavam enraizadas na falta de agudeza mental.
O futuro do próprio treinador dominou a discussão pós-jogo, mas Allegri não ofereceu clareza. "Não sei nada sobre o futuro do clube", afirmou, desviando perguntas sobre possíveis renúncias ou decisões da diretoria. Seu foco, ele manteve, estava exclusivamente no resultado que acabara de escapar. Tal ambiguidade só amplifica a incerteza em torno do projeto do Milan, com as repercussões financeiras e competitivas de perder a Champions League prestes a atingir duramente.
Allegri se recusou a culpar seus jogadores, agradecendo-lhes pelo comprometimento e reconhecendo o desgaste de uma temporada desgastante. "Não tenho nada a reprovar os rapazes — eles sempre colocaram o coração em campo", disse. No entanto, ele também aceitou a responsabilidade final pelo colapso em casa, admitindo que, como treinador, era seu trabalho encontrar uma solução. "Quando você perde cinco jogos em casa, merece a posição na tabela que tem", admitiu, uma autoavaliação contundente que sublinhou a profundidade da crise.
A derrota deixa o Milan na Europa League, uma competição que oferece receitas significativamente menores e menos atratividade para grandes contratações. O clube contava com a receita da Champions League para apoiar os investimentos no elenco, e o déficit pode forçar um replanejamento no mercado de verão. A situação contratual de Allegri adiciona outra camada de complexidade, com especulações generalizadas de que a cúpula pode optar por uma mudança se acreditar que o projeto estagnou.
Para o Cagliari, a ocasião foi de reivindicação. O técnico Fabio Pisacane elogiou a resiliência de sua equipe após conquistar 43 pontos com um grupo de jovens jogadores e uma longa lista de lesionados. "Os rapazes merecem isso pelo que viveram durante todo o ano", disse à DAZN, destacando a capacidade deles de elevar o nível em um ambiente hostil. Pisacane, torcedor do Cagliari desde criança, deixou claro seu afeto: "Sou muito ligado ao Cagliari e farei de tudo para ficar, se me quiserem".
A campanha do Milan começou promissora, mas o segundo turno viu uma perda dramática de forma. Os números pintam um quadro sombrio: cinco derrotas em casa, incluindo derrotas surpreendentes para equipes que lutavam contra o rebaixamento. A falta de instinto matador após assumir a liderança tornou-se um tema recorrente, e no último dia, com uma vaga na Champions League em jogo, essa deficiência foi exposta mais uma vez.
As consequências agora desencadearão uma avaliação abrangente, desde a estratégia do diretor esportivo até os métodos de Allegri. As próprias palavras do treinador — "Devemos ser muito lúcidos ao reavaliar todo o ano" — sugerem a magnitude da introspecção necessária. Se ele fará parte do processo ou será uma vítima dele ainda não está claro, mas a pressão está sobre os proprietários para tomar uma decisão rápida que estabilize o clube antes de uma janela de transferências crucial.
No final, o Milan foi arquiteto de sua própria ruína. Uma equipe que tinha tudo em suas mãos permitiu que o nervosismo e a falta de agudeza minassem uma temporada que poderia ter sido muito mais. A Europa League agora aguarda, uma competição que testará a profundidade e ambição do elenco, mas é a ausência da Champions League que vai doer durante todo o verão.
Baseado em reportagens do Tuttosport.