A Roma garantiu um aguardado retorno à Liga dos Campeões com uma tranquila vitória por 2 a 0 sobre o já rebaixado Verona no Stadio Bentegodi, coroando uma temporada de transformação sob o comando de Gian Piero Gasperini. Os Giallorossi precisavam apenas de um ponto para garantir um lugar entre os quatro primeiros, mas entregaram uma atuação que encapsulou seu ressurgimento no segundo turno, com Donyell Malen mais uma vez central em seu ímpeto ofensivo. A vitória não apenas confirmou um lugar na mesa principal da Europa, mas também validou a decisão do clube de confiar ao técnico de 68 anos a tarefa de reconstruir após uma turbulenta campanha anterior.
Jogando contra dez homens por mais de uma hora após um cartão vermelho do Verona, a Roma inicialmente lutou para encontrar ritmo, uma dinâmica que Gasperini reconheceu depois. "Dificultamos as coisas para nós mesmos, paradoxalmente quando tínhamos superioridade numérica", disse ele à DAZN. "Talvez por causa da pressa, não finalizamos as poucas chances de contra-ataque e arriscamos demais nas bolas paradas deles." O avanço finalmente veio de uma fonte familiar: Malen, a contratação de janeiro arrancada das garras da Juventus, combinou com Paulo Dybala antes de servir Stephan El Shaarawy para marcar o gol decisivo no contra-ataque. Foi um momento de simetria poética, já que Gasperini havia dado a El Shaarawy sua estreia profissional no Genoa quando adolescente, e agora o jogador de 33 anos retribuiu essa confiança levando seu velho mentor à Liga dos Campeões.
A chegada do atacante holandês do Borussia Dortmund na janela de inverno foi uma jogada de mestre. Gasperini não poupou elogios: "Malen nos deu um salto incrível de qualidade no ataque." Antes de sua contratação, a Roma frequentemente carecia de poder de fogo contra os grandes times, perdendo confrontos diretos importantes no primeiro turno. Mas com a velocidade, a determinação e a capacidade de ligação de jogo de Malen, os Giallorossi se transformaram em uma equipe capaz de desbloquear defesas fechadas e punir transições. Sua presença aliviou a pressão sobre Dybala, que ficou de fora por longos períodos na reta final, deixando o time "curto e com dificuldades no ataque", como admitiu Gasperini. O futuro do argentino agora é um tópico quente; o treinador declarou que "nunca teve dúvidas" de que Dybala ficaria, revelando que tem mediado entre jogador e clube por duas semanas. "Se ele não ficar agora, não sei o que fazer", disse Gasperini, sugerindo que uma resolução é iminente.
Além das melhorias ofensivas, Gasperini destacou o crescimento mental e coletivo que impulsionou a arrancada da Roma. Após uma derrota prejudicial para a Inter no outono, o elenco poderia ter desmoronado. Em vez disso, eles recuperaram a credibilidade. "Ganhamos os torcedores e os críticos em momentos de dificuldade", explicou o treinador. "A relação com os jogadores e o público foi a locomotiva que impulsionou os resultados." Mesmo sem estrelas lesionadas como Dybala e Matías Soulé, aqueles que entraram, incluindo El Shaarawy, mostraram aplicação incansável. O time, muitas vezes descartado como um elenco de sexto lugar, provou que com a estrutura certa e crença, poderia superar as expectativas.
As restrições financeiras sob as regras de Fair Play assombraram a Roma nos últimos mercados, mas Gasperini foi rápido em notar o efeito transformador da classificação para a Liga dos Campeões. "A Liga dos Campeões conserta tudo e nos permitirá reforçar o elenco", disse ele. A entrada de receita, estimada em pelo menos € 50 milhões, abre a porta para contratar jogadores que antes recusariam o clube. No entanto, o veterano treinador injetou uma dose de realismo: "Você corre o risco de sofrer algumas derrotas pesadas também." O salto na competição testará a têmpera da Roma, mas o histórico de Gasperini na Europa com a Atalanta sugere que ele está preparado para o desafio.
Adicionando intriga aos planos de verão, o diretor esportivo Damien Comolli foi supostamente visto com um centroavante, alimentando especulações de que o clube já está se movendo para contratar um atacante de renome. Embora a identidade do alvo permaneça desconhecida, o avistamento sinaliza ambição. Seja um novo camisa 9 para competir com ou complementar Tammy Abraham, o ataque da Roma precisará de profundidade para equilibrar os compromissos domésticos e continentais. Gasperini, que transformou a linha de ataque da Atalanta em uma das mais temidas do continente, terá ideias claras sobre o perfil necessário.
A jornada de volta à Liga dos Campeões foi árdua. A Roma participou pela última vez da competição em 2021-22 sob José Mourinho, onde chegou à final da Liga Conferência Europa, mas perdeu os lugares do top quatro. Sob Gasperini, o estilo mudou para uma filosofia mais proativa e vertical, embora tenha levado tempo para se consolidar. O início lento e as derrotas em confrontos diretos os deixaram na perseguição, mas uma sequência de seis vitórias no momento crucial, algo que Gasperini há muito previa, os levou até o fim. "Sempre tivemos fé e energia, e uma vez que recuperamos todos os jogadores importantes, sabíamos que poderíamos ir até o fim", refletiu.
Para Gasperini, a conquista cimenta seu legado como um dos treinadores mais inovadores da Série A. Depois de passar oito anos na Atalanta transformando-os em regulares europeus, sua primeira temporada em Roma já trouxe uma recompensa tangível. O hino da Liga dos Campeões soará no Stadio Olimpico na próxima temporada, e com um elenco que mistura experiência e fome, a Roma parece pronta para ser mais do que meros participantes. A combinação da astúcia tática de Gasperini, o dinamismo de Malen e a injeção de dinheiro da competição de elite europeia pode ser o catalisador para uma ascensão sustentável.
No entanto, desafios se avizinham. A suposta busca por um atacante ressalta a necessidade de profundidade no elenco, enquanto a forma física e a renovação de Dybala devem ser gerenciadas com cuidado. O aviso de Gasperini sobre "derrotas pesadas" é um lembrete de que a Liga dos Campeões pode expor fraquezas brutalmente. No entanto, a euforia na capital sugere que, por enquanto, o clube pode saborear um trabalho bem feito. De um início caótico a um final triunfante, a Roma recuperou um lugar na mesa principal da Europa, e com Gasperini no comando, eles planejam ficar.
Baseado em informações do Tuttosport.