Em um caso que chocou o estado brasileiro do Paraná, um ginecologista de 81 anos foi preso. O médico, Felipe Lucas, enfrenta uma grave acusação: o estupro de uma paciente vulnerável. O suposto crime ocorreu enquanto a mulher estava em trabalho de parto em uma clínica em Teixeira Soares.
Lucas não é um médico comum. Ele exerce a medicina há mais de cinco décadas, estando registrado no Conselho Regional de Medicina do Paraná desde 1975. Sua carreira se estendeu além da clínica para a arena política. Ele atuou como vereador e depois prefeito de Irati. Também ocupou o cargo de deputado estadual por vários mandatos entre 2003 e 2014.
A prisão foi desencadeada por uma nova quarta denúncia. Segundo a polícia, uma mulher se apresentou após ver reportagens sobre outras supostas vítimas. Esta última acusação levou as autoridades a imputar a Lucas o crime de estupro de vulnerável. Investigadores afirmam que o abuso durou cerca de cinco minutos durante um exame pré-parto e só parou quando uma enfermeira entrou na sala.
Este novo caso segue um padrão. No início do ano, outras três mulheres da cidade vizinha de Irati denunciaram ter sido abusadas sexualmente por Lucas durante exames médicos. A primeira denúncia, de uma mulher de 24 anos, foi registrada em fevereiro. Ela alegou que o médico realizou massagens íntimas inadequadas sob o pretexto de um procedimento clínico e que atendeu uma ligação pessoal enquanto ela estava exposta na maca de exame.
Investigações policiais revelaram um detalhe preocupante: não havia registro clínico da consulta da primeira vítima no sistema eletrônico da clínica. As outras duas mulheres de Irati relataram incidentes de 2011 e 2016. No entanto, as autoridades observam que esses casos prescreveram e não podem gerar novas acusações.
Os detetives descrevem um "padrão de comportamento" consistente que abrange décadas. Eles acreditam que o médico explorou sua posição de confiança e sua significativa influência política para intimidar as vítimas. Várias mulheres supostamente atrasaram suas denúncias por anos, temendo que seu status como ex-prefeito e ex-deputado o protegesse de consequências.
A defesa do médico contestou veementemente a prisão. Classificou-a como "ilegal" e afirma que as acusações são "completamente falsas" e se referem a fatos já prescritos. Eles declararam que seu cliente provará sua inocência ao longo do processo legal. Após sua prisão em Curitiba, Lucas está em prisão preventiva. Devido à sua idade avançada, há possibilidade de ser transferido para prisão domiciliar.
Com base em reportagens do g1.