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Ginecologista de 81 anos e ex-político preso por acusações

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Um ginecologista de 81 anos e ex-deputado estadual no Paraná, Brasil, foi preso por supostamente estuprar uma paciente durante o parto e abusar de outras três

Em um caso que chocou o estado brasileiro do Paraná, um ginecologista de 81 anos com uma longa carreira tanto na medicina quanto na política foi detido. Felipe Lucas, médico por mais de cinco décadas, foi preso em Curitiba por acusações de estuprar uma paciente que estava em trabalho de parto ativo no município de Teixeira Soares. A prisão é preventiva e por tempo indeterminado, embora sua idade avançada possa levar a uma transferência para prisão domiciliar.

A investigação começou com uma denúncia de uma mulher de 24 anos em fevereiro. Ela relatou que durante um exame ginecológico na cidade vizinha de Irati, Lucas realizou massagens íntimas inadequadas, alegando que era um procedimento para estimular a libido – uma afirmação sem base na ciência médica. A mulher também descreveu o médico atendendo uma ligação pessoal enquanto ela estava exposta na maca de exame. Ela esperou sete dias para denunciar o incidente, citando extremo sofrimento emocional e a necessidade de confirmar com outros profissionais que os procedimentos eram anormais.

Após o relato inicial, as investigações policiais descobriram um padrão perturbador. Mais três mulheres se apresentaram com alegações de abuso sexual durante exames em Irati. Dois desses casos, de 2011 e 2016, já prescreveram. No entanto, a acusação mais recente, envolvendo a paciente em trabalho de parto, levou à prisão atual pelo crime mais grave de estupro de vulnerável. As autoridades afirmam que o médico supostamente colocou a paciente em uma posição onde ela não podia resistir.

Policiais descrevem um modus operandi consistente. O médico supostamente explorou sua posição de confiança e usou supostos procedimentos clínicos como pretexto para o abuso. Investigadores observaram que, no primeiro caso relatado, não havia registro clínico, anamnese ou solicitação de exames no prontuário da paciente, levantando sérias suspeitas sobre sua conduta. As vítimas aparentemente demoraram a se apresentar por medo da significativa influência política de Lucas na região.

A carreira política de Felipe Lucas é extensa. Ele serviu como vereador e prefeito de Irati na década de 1990. Posteriormente, foi eleito deputado estadual pelo Paraná várias vezes, cumprindo mandatos no início dos anos 2000 e novamente em 2006 e 2014. Seu registro médico no Conselho Regional de Medicina do Paraná (CRM-PR) está ativo desde 1975, e ele foi homenageado pelo conselho em 2024 por completar 50 anos de prática.

Em resposta às alegações, a defesa do médico classificou a prisão como ilegal, afirmando que as acusações são falsas e que os supostos fatos estão prescritos. Eles declararam que seu cliente provará sua inocência ao longo do processo legal. O consórcio de saúde local confirmou que Lucas solicitou uma licença temporária a partir de abril. O caso continua se desenrolando enquanto as autoridades investigam a extensão total das alegações contra o médico de longa data.

Com base em reportagens do g1.