No evento Golden Boy em Solomeo, um quarteto de campeões mundiais italianos de 2006 — Fabio Grosso, Marco Amelia, Angelo Peruzzi e Cristian Zaccardo — viajaram pela memória, refletindo sobre o triunfo que definiu suas carreiras e as lutas subsequentes da seleção que deixaram o futebol italiano em busca de respostas.
Grosso, agora técnico do Sassuolo na Série A, esteve no centro das recordações por razões óbvias. Seu pênalti decisivo na disputa contra a França selou o quarto título mundial da Itália, uma imagem gravada na história do futebol. Vinte anos depois, ele descreveu os momentos antes daquela cobrança com a clareza de um homem que nunca duvidou de seu propósito. 'Fui até a marca sabendo que tinha que colocar o selo', disse, capturando a mistura de destino e determinação que carregou a Azzurra durante um torneio ofuscado pelo escândalo Calciopoli em casa.
Amelia, goleiro reserva em 2006, amenizou o clima com uma piada que se tornou lendária entre o grupo. 'Quando o Fabio se preparou, estávamos fazendo as contas', brincou, referindo-se aos cálculos no banco sobre o que significaria um pênalti bem-sucedido. Peruzzi, outro goleiro que não jogou nenhum minuto no torneio, acrescentou com ironia: 'Acho que ele não estava pensando em matemática naquele momento', provocando risos. A troca ressaltou o vínculo único forjado durante aquele verão alemão de 45 dias, onde coadjuvantes e estrelas formaram uma unidade indomável.
Zaccardo, o defensor que também observou do banco, ofereceu uma perspectiva mais sóbria: '2006 mudou nossas vidas'. Mas Amelia e Peruzzi foram rápidos em apontar seus próprios papéis secundários. 'Não jogamos um minuto sequer, então para nós não mudou tanto', brincaram. 'Ainda assim, ser campeão mundial é uma sensação linda'. Seu humor autodepreciativo revelou a profundidade de um elenco onde cada jogador comprou o sistema de Marcello Lippi, mesmo aqueles que nunca pisaram no campo.
Os jogadores relembraram a noite da final em Roma, quando mais de um milhão de torcedores lotaram o Circo Máximo para saudar os campeões. 'Ver todas aquelas pessoas no Circo Máximo foi quando percebemos que tínhamos feito algo extraordinário', disse Amelia. A memória ainda pesa, em contraste com o clima atual, onde os tifosi foram privados da oportunidade de experimentar tamanha euforia coletiva.
Peruzzi, que obteve sua 31ª e última convocação antes do torneio, traçou uma distinção clara entre ligas domésticas e uma Copa do Mundo. 'Um torneio de 45 dias não é uma temporada da Série A', explicou. 'Você precisa das pessoas certas'. Suas palavras ressoaram como um reconhecimento tácito da química que Lippi aproveitou e que as seleções italianas posteriores frequentemente careceram.
A conversa inevitavelmente se voltou para a impressionante ausência da Itália em três Copas consecutivas — uma sequência que começou com a falha em se classificar para a Rússia 2018 e continuou com Catar 2022 e a próxima edição de 2026. Grosso não escondeu sua incredulidade. 'Se me dissessem há 20 anos que a Itália perderia três Copas seguidas, não teria acreditado', disse. 'Infelizmente, aconteceu. Temos que deixar isso de lado e usar como combustível para garantir que não aconteça de novo'.
O apelo do técnico do Sassuolo por uma reconstrução geracional ecoou em todo o esporte. 'Precisamos reconstruir com as pessoas certas e as qualidades certas', instou Grosso, insinuando problemas sistêmicos que afligiram a Federação e o desenvolvimento de base. Seu próprio caminho de herói do pênalti a técnico de clube dá autoridade adicional às suas palavras. O contraste entre a profundidade de talento em 2006 e o atual elenco é gritante; onde Lippi podia contar com um banco com Alessandro Del Piero e Filippo Inzaghi, os técnicos de hoje enfrentam lacunas evidentes em posições-chave.
Amelia também expressou pesar pelos torcedores. 'A decepção é que os torcedores não podem viver a emoção que se sente durante uma Copa', disse. 'Espero que possamos recomeçar com força'. A nota de otimismo, embora cautelosa, serviu como lembrete de que o futebol italiano já ressurgiu das cinzas antes — a vitória de 2006 veio após os dias mais sombrios do escândalo de manipulação de resultados.
Enquanto a reunião terminava, os velhos campeões se misturaram com a próxima geração de talentos no prêmio Golden Boy, uma simbólica passagem de bastão. No entanto, a sombra daquelas noites gloriosas em Berlim pairava. Para Grosso, cada pênalti que ele vê agora traz um lampejo daquele momento: 'Lembro apenas da sensação de caminhar até a marca e acertar aquela bola com toda a minha força. Tentei esvaziar a mente, entender o objetivo. Muitos de nós superaram nossos próprios limites'.
Suas palavras capturaram a essência daquela seleção italiana: um grupo que combinava fome, malícia, determinação e qualidade em igual medida. Se a Azzurra atual pode redescobrir essa fórmula permanece uma questão em aberto, mas por uma noite em Solomeo, os heróis de 2006 ofereceram um manual sobre como alcançar o impossível. Com base em reportagem do Tuttosport.