O Hearts está à beira da história esta noite ao receber o Falkirk no Tynecastle, sabendo que a vitória combinada com um tropeço do Celtic no Motherwell lhe daria o primeiro título da primeira divisão escocesa em 66 anos. A aritmética é simples, mas o peso emocional é imenso. Para um clube que passou décadas à sombra do duopólio de Glasgow, este é um momento que poucos ousaram sonhar possível.
A corrida pela Premiership desafiou toda a lógica. O Hearts, com um faturamento de £24 milhões em comparação com os £143 milhões do Celtic, lidera a tabela desde setembro. Eles superaram lesões, uma sequência de quatro jogos sem vencer em dezembro e tropeços no final da temporada contra equipes da metade inferior da tabela. No entanto, o elenco de Derek McInnes continuou conseguindo resultados, muitas vezes de forma dramática—arrancando vitórias nos minutos 86, 87 e 88, e três vezes além dos 90. Essa resiliência definiu sua campanha.
A história assombra cada torcedor do Hearts. O colapso no último dia no Dens Park em 1986 ainda é uma ferida aberta, quando um empate teria bastado, mas o Dundee destruiu o sonho. Cicatrizes ainda mais antigas remontam a 1965, quando eles chegaram perto novamente. Gerações herdaram o trauma. O Tynecastle Arms, um pub situado na área do estádio, está cheio de lembranças de gloriosos quase-acertos. Na segunda-feira, os frequentadores bebiam seus pints com uma mistura de esperança e pavor, temendo mais uma decepção.
O abismo financeiro entre o Hearts e o Old Firm torna sua campanha ainda mais notável. Apenas as receitas europeias do Celtic superam todo o orçamento do Hearts. O Rangers também é um gigante financeiro. Mas nesta temporada, o Hearts venceu ambos em casa e fora—um quarteto histórico que nenhuma equipe de fora do Old Firm alcançou na era moderna. Seu retrospecto em casa tem sido uma fortaleza, e mesmo sem jogadores-chave devido a lesões, eles encontraram um jeito.
A transformação do Celtic sob Martin O'Neill tem sido discretamente impressionante após a turbulenta era de Wilfried Nancy. Eles voltaram à disputa, com um ponto de desvantagem e um saldo de gols superior. Mas continuam vulneráveis, como o Motherwell mostrou no início da temporada com uma atuação dominante. No Fir Park esta noite, o Celtic precisa vencer e torcer por um tropeço do Hearts. As casas de apostas ainda favorecem o time de Glasgow, um reflexo tanto do poder financeiro quanto da inevitabilidade histórica.
A controvérsia tem fervido nos últimos dias. No último fim de semana no Fir Park, o Hearts foi prejudicado no que muitos viram como um pênalti claro quando Alexandros Kyziridis foi derrubado. O VAR interveio, mas o árbitro Steven McLean manteve sua decisão original, uma decisão que Derek McInnes afirma que o chefe de arbitragem depois admitiu ter sido um erro. Esse sentimento de injustiça galvanizou a torcida do Hearts, que se lembra das reclamações de Alex Ferguson sobre o viés da costa oeste e se pergunta se o establishment realmente quer seu conto de fadas.
O mundo notou essa história. Da Bloomberg à Rádio Vitória do Brasil, veículos de mídia de seis continentes desembarcaram em Gorgie. A ideia de que um clube de um bairro operário de Edimburgo possa desafiar o duopólio mais enraizado do futebol europeu cativou a imaginação. Fala de algo universal—a esperança de que o sistema possa ser vencido.
O que um título do Hearts significaria para o futebol escocês? Quebraria o domínio de 41 anos do Old Firm, uma hegemonia que viu Celtic e Rangers vencerem 110 dos últimos 126 títulos de liga. O último campeão de fora do Old Firm foi o próprio Hearts, em 1960. A barreira psicológica seria quebrada, possivelmente incentivando investimento e ambição em toda a liga. Mas primeiro, eles precisam vencer.
No Tynecastle esta noite, 15.500 torcedores gritarão até ficar roucos, ousando acreditar. O mantra "Acredite" está em todo lugar, mas também o medo. Mark, um torcedor presente em 1986, lembra de homens adultos chorando e sendo consolados por seus filhos. Ele estará lá novamente, dividido entre esperança e história. Para o Hearts, a imortalidade os chama—mas eles precisam primeiro superar o Falkirk e o peso esmagador do passado.
Com base em reportagens da BBC Sport.