A carreira de boxe de Jake Paul está em uma encruzilhada após uma derrota devastadora por nocaute para Anthony Joshua, mas o influenciador transformado em pugilista já está planejando seus próximos movimentos. Em uma entrevista exclusiva à Sky Sports, Nakisa Bidarian, CEO da Most Valuable Promotions (MVP), revelou que Paul está "interessado" em lutas de alto risco contra o ex-campeão do UFC Francis Ngannou ou uma revanche com Tommy Fury assim que se recuperar da fratura no maxilar sofrida na luta contra Joshua.
A lesão horrível, que exigiu a inserção de duas placas de titânio e a extração de vários dentes, brevemente lançou dúvidas sobre o futuro de Paul no ringue. O próprio Paul admitiu a Ariel Helwani que sua carreira no boxe estava "definitivamente" em dúvida. No entanto, em questão de dias, ele estava de volta às manchetes, oferecendo a Canelo Alvarez a impressionante quantia de US$ 200 milhões para subir no ringue com ele, destacando sua habilidade de gerar burburinho mesmo de um leito hospitalar.
Os comentários de Bidarian pintam um quadro de um lutador imperturbável pelo trauma físico. Ele sugeriu que Paul vê Ngannou como um oponente poderoso, mas falho, caracterizando-o como "muito lento e de pés chatos" com mau movimento. Apesar do risco que isso representa para seu maxilar em cicatrização, Paul está "interessado nessa luta", disse Bidarian, juntamente com o desejo de vingar sua única derrota profissional em uma revanche com Tommy Fury e perseguir um título dos meio-pesados.
A perspectiva de enfrentar Ngannou é particularmente intrigante dada a reputação do camaronês como um dos socadores mais fortes dos esportes de combate. A equipe de Paul parece acreditar que o estilo lento de Ngannou permitiria ao americano usar sua velocidade de mãos e jogo de pés superiores para controlar a distância. No entanto, qualquer erro de cálculo pode ser desastroso, especialmente com o hardware ainda no lugar. Bidarian enfatizou que o verdadeiro teste virá nos treinos de sparring quando Paul absorver seus primeiros golpes limpos.
Um segundo encontro com Tommy Fury tem seu próprio peso narrativo. O primeiro confronto deles em fevereiro de 2023 terminou com uma vitória por decisão dividida para Fury, marcando a primeira derrota profissional de Paul. Desde então, Paul se reergueu com vitórias sobre artistas marciais mistos, enquanto Fury se aventurou em exibições. Bidarian observou que se ambos os lados forem "realistas sobre a oportunidade", uma revanche é "a luta mais fácil de fazer" e o próximo passo mais lógico. Financeiramente, é um pagamento garantido que resolveria questões pendentes da luta original.
Além dessas opções imediatas, as ambições de Paul permanecem astronômicas. O desafio de US$ 200 milhões a Canelo, embora amplamente descartado como um golpe publicitário, ressalta seu impulso implacável para invadir a elite do boxe. Bidarian confirmou que outros "nomes" estão na mesa, insinuando uma estratégia mais ampla para posicionar Paul como um legítimo candidato ao título, em vez de um ato de novidade. Seu objetivo declarado de se tornar campeão dos meio-pesados exigiria vitórias sobre profissionais muito mais experientes.
O caminho de volta começa ainda este ano, com um alvo de retorno entre o final de novembro e meados de dezembro. A liberação médica é apenas o primeiro passo; o obstáculo psicológico de confiar em um maxilar outrora fraturado contra socos ao vivo deve ser superado. Como Bidarian disse, "Não importa como o maxilar se cure, tudo se resume a entrar no sparring e ver como ele reage ao impacto". Esse processo pode fazer ou quebrar a campanha de Paul em 2024.
Enquanto Paul se recupera, a MVP já está avançando com outros planos de grande sucesso. Bidarian revelou que a promoção está interessada em realizar uma luta de crossover entre Ngannou e a lenda holandesa do kickboxing Rico Verhoeven. As discussões estão em estágios iniciais, mas tal confronto quase se materializou no evento inaugural de MMA da MVP na semana passada. Colocar o poder de nocaute bruto de Ngannou contra a apurada habilidade de golpeio de Verhoeven seria um grande espetáculo no espaço híbrido dos esportes de combate.
As ações de Verhoeven aumentaram depois que ele levou o campeão unificado dos pesos pesados Oleksandr Usyk ao limite em uma luta de boxe no mês passado. A luta foi interrompida controversamente no 11º round, uma decisão que Bidarian criticou duramente: "Gostaria que eles tivessem deixado ir até o 12º round... você tinha que deixá-lo ir ao 12º round". A atuação competitiva de Verhoeven contra um boxeador de elite só alimenta o interesse por um possível confronto com Ngannou, que por sua vez vem de uma derrota por interrupção para Joshua.
As implicações se espalham pelo cenário do boxe. Para Paul, um retorno bem-sucedido contra um nome como Ngannou ou Fury silenciaria os céticos e abriria portas para eventos de pay-per-view maiores. Uma luta com Ngannou, especialmente, atrairia audiências crossover e geraria receita massiva, embora o risco de nova lesão esteja presente. Para Ngannou, enfrentar Paul seria uma chance de se recuperar em uma lucrativa luta de boxe após o revés com Joshua. E se a MVP puder entregar Ngannou vs. Verhoeven, isso cimentaria ainda mais a tendência de super lutas entre disciplinas que passaram a definir os esportes de combate modernos.
De muitas maneiras, a capacidade de Jake Paul de permanecer o centro das atenções—mesmo enquanto se recupera de um maxilar quebrado—é um testemunho de sua brilhantismo promocional. Se isso se traduzirá em um legado duradouro dependerá do que acontecer quando ele voltar ao ringue e levar socos. Com base em reportagens da Sky Sports.