A comunidade jurídica no Brasil está de luto pela perda repentina da juíza Mariana Francisco Ferreira, uma magistrada dedicada cuja carreira foi tragicamente interrompida. A juíza de 34 anos, que nutria ambições de ingressar na magistratura desde a adolescência, faleceu na quarta-feira após graves complicações de um tratamento de fertilidade.
Ferreira se submeteu a um procedimento de coleta de óvulos para fertilização in vitro em uma clínica em Mogi das Cruzes, na região metropolitana de São Paulo, na segunda-feira. Ela recebeu alta naquela manhã, mas começou a sentir dores intensas e um calafrio severo apenas horas depois. Sua mãe a levou de volta à clínica, onde a equipe médica descobriu que ela sofria de uma hemorragia vaginal, não de uma perda de controle da bexiga como ela pensara inicialmente.
Os médicos tentaram controlar o sangramento com suturas antes de transferi-la para o Mogi Mater Maternity Hospital. Lá, ela foi internada na Unidade de Terapia Intensiva e passou por uma cirurgia na terça-feira. Apesar desses esforços, sua condição se deteriorou rapidamente. Ela sofreu múltiplas paradas cardíacas e, por fim, não sobreviveu.
A morte da juíza foi classificada como suspeita e acidental, motivando uma investigação policial para determinar se a negligência médica teve algum papel ou se foi um trágico risco inerente ao procedimento. As autoridades estão revisando meticulosamente a sequência de eventos desde o tratamento inicial até sua hospitalização final.
O caminho de Ferreira até a magistratura foi marcado por determinação e excelência acadêmica. Natural de Niterói, perto do Rio de Janeiro, ela se formou na prestigiosa Faculdade de Direito da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Começou sua preparação intensiva para o rigoroso concurso público da magistratura em 2018, cinco anos completos antes de ser aprovada e nomeada em 2023.
Sua carreira judicial, embora breve, foi impactante. Ela serviu no 1º Tribunal Regional de Garantias em Porto Alegre e nos 1º e 2º Juizados Criminais em São Luiz Gonzaga antes de sua nomeação mais recente no Juizado Criminal do distrito de Sapiranga no Rio Grande do Sul. Seus colegas a lembravam como uma profissional vibrante e entusiasta.
O Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul (TJRS) declarou três dias de luto oficial. A Associação de Juízes do Rio Grande do Sul (Ajuris) expressou profundo pesar, com seu presidente, Daniel Neves Pereira, afirmando: "Mariana era uma colega muito querida, cheia de vida e entusiasmo pela magistratura. Sua partida causa profunda consternação em todos nós." A associação entrou em contato com a família para oferecer condolências e apoio.
Com base em reportagens do g1.