Os preparativos do Paris Saint-Germain para a noite mais importante da temporada sofreram um contratempo alarmante, com o detentor da Bola de Ouro, Ousmane Dembélé, ausente do treino de quarta-feira devido a uma queixa persistente na panturrilha direita. A novidade surge a apenas 10 dias da final da Liga dos Campeões contra o Arsenal, colocando em sérias dúvidas a disponibilidade da superestrela francesa.
O problema surgiu pela primeira vez durante a última partida do PSG na Ligue 1, uma derrota por 2 a 1 para o Paris FC no domingo. Dembélé foi substituído após sentir desconforto na panturrilha direita, e as avaliações subsequentes levaram o clube a emitir uma declaração cautelosa na segunda-feira: "Ele permanecerá em tratamento nos próximos dias". Essa atualização agora carrega um peso sinistro, já que o atacante de 27 anos foi o único ausente notável quando o elenco se reuniu no Camp des Loges após uma folga de dois dias.
O técnico Luis Enrique e sua equipe médica enfrentam uma corrida contra o tempo para ter seu talismã pronto para o confronto de 31 de maio em Londres. Dembélé tem sido fundamental durante a campanha europeia do PSG, contribuindo com 8 gols e 6 assistências na competição nesta temporada. Sua combinação única de velocidade, drible e finalização clínica muitas vezes fez a diferença em eliminatórias apertadas, tornando qualquer possível ausência um golpe devastador.
A época não poderia ser pior. O Arsenal, que superou o Bayern de Munique nas semifinais, chegará como uma unidade coesa sob o comando de Mikel Arteta, e o PSG contava com a experiência de Dembélé em grandes jogos para inclinar a balança. Seu triunfo na Bola de Ouro no início deste ano consolidou seu status como um dos atacantes de elite do mundo, e perder uma figura assim para o auge do futebol de clubes forçaria uma repensação tática radical.
Sem Dembélé, o fardo ofensivo recairia pesadamente sobre Kylian Mbappé, que muitas vezes prosperou ao lado de seu compatriota. Os dois forjaram uma parceria devastadora desde a chegada de Dembélé no verão passado, e esperava-se que sua interação fosse uma pedra angular do plano de jogo. Agora, a perspectiva de Mbappé sem seu complemento criativo levanta questões incômodas sobre a capacidade do PSG de romper uma defesa do Arsenal que sofreu apenas 5 gols na fase eliminatória.
Agravando as preocupações estão as situações de Achraf Hakimi e Quentin Ndjantou. Ambos treinaram individualmente, separados do grupo, sugerindo que ainda não estão prontos para integração total. O lateral direito Hakimi é uma figura central tanto na defesa quanto no ataque, enquanto a progressão de Ndjantou pode ser vital para a profundidade do meio-campo. Sua reabilitação em andamento adiciona mais incerteza a um elenco que já parece esticado exatamente no momento errado.
Houve, no entanto, algumas notícias positivas, já que Nuno Mendes, Willian Pacho e Lucas Chevalier se juntaram à sessão após perderem a partida contra o Paris FC. Mas o fato de Mendes e Pacho terem participado apenas do aquecimento antes de observar à beira do campo indica que ainda não estão em plena forma. Chevalier, o jovem goleiro, participou mais plenamente, mas seu papel em uma final provavelmente seria no banco, a menos que haja uma emergência.
A linha defensiva é outra área de potencial vulnerabilidade. Com Hakimi sem treinar e Mendes apenas parcialmente envolvido, as posições de laterais, tão críticas para o estilo de alta intensidade do PSG, parecem desfalcadas. Opções de zagueiro como Pacho, que vinha cobrindo a lateral esquerda, também estão comprometidas. Se Enrique for forçado a escalar uma defesa reorganizada contra Bukayo Saka e Gabriel Martinelli, pode ser catastrófico.
Olhando para trás, a temporada do PSG tem sido uma montanha-russa. Dominante na Ligue 1 com uma margem de 12 pontos, esperava-se que finalmente traduzissem a superioridade doméstica em prata europeia. Mas as lesões interromperam seu ritmo em momentos cruciais. No início da campanha, o próprio Dembélé perdeu três semanas com um problema no tendão da coxa, e os resultados da equipe oscilaram em sua ausência. A história parece se repetir no momento mais inoportuno.
Do ponto de vista psicológico, a incerteza em torno de Dembélé pode se infiltrar no vestiário. Os jogadores estão bem cientes de que sua melhor chance de vencer o Arsenal depende de ter todo seu arsenal de armas. A comissão técnica agora deve gerenciar não apenas as recuperações físicas, mas também a preparação mental. A narrativa de "destino" que vinha se construindo em torno da campanha do PSG de repente é nublada pela dúvida.
À medida que a contagem regressiva para a final se intensifica, cada sessão de treino se torna um teste decisivo. Espera-se que o clube forneça mais atualizações nos próximos dias, mas a situação está delicadamente equilibrada. Em uma partida onde as margens são muito estreitas, a perda de um jogador que pode criar gols do nada pode ser a diferença entre levantar o troféu e suportar mais uma temporada de "e se".
Por enquanto, todos os olhos permanecem na sala de tratamento do Camp des Loges. A panturrilha de Dembélé será gelada, massageada e monitorada 24 horas por dia, na esperança de que ele possa retornar a treinos leves no início da próxima semana. Se o fizer, seria um grande impulso; caso contrário, o PSG precisará convocar um esforço coletivo que transcenda as ausências individuais. A pressão está aí, e o tempo está correndo.
Baseado em reportagens do L'Equipe.