Kylian Mbappé voltou ao onze inicial do Real Madrid no Sánchez Pizjuán no domingo à noite, e sua presença foi imediatamente sentida ao desempenhar um papel central no único gol de uma tensa vitória por 1 a 0 sobre o Sevilla. O resultado mantém os Blancos firmemente na disputa pelo título, mas a noite também trouxe uma curiosidade matemática: o Sevilla, apesar da derrota, garantiu seu lugar em La Liga por mais uma temporada graças a outros resultados.
A preparação para a partida foi dominada pelas consequências das críticas públicas de Mbappé ao técnico Álvaro Arbeloa apenas três dias antes, um psicodrama que ameaçava ofuscar a preparação da equipe. Em resposta, Arbeloa renovou mais da metade do time, e os primeiros minutos sugeriram que a mudança havia desestabilizado os visitantes. O Sevilla, impulsionado pela combinação viva de Oso e Neal Maupay no flanco esquerdo, criou chances claras nos primeiros 15 minutos.
Thibaut Courtois foi acionado quase imediatamente, fazendo duas defesas vitais nos minutos 3 e 4 enquanto a estrutura defensiva do Madrid se desfazia. As intervenções do goleiro belga foram cruciais porque Akor Adams então desperdiçou uma oportunidade de ouro, chegando uma fração atrasado para empurrar para uma rede vazia aos 13 minutos. Foi um erro que assombraria os anfitriões.
O Madrid, no entanto, só precisou de um momento para atacar. Aos 15 minutos, um cruzamento foi lançado em direção à entrada da área, e Mbappé dominou no peito enquanto segurava José Ángel Carmona. O defensor caiu sob o desafio, alegando uma cotovelada no rosto, mas a bola solta caiu favorável para Vinicius Junior, que chutou para o gol. A revisão do VAR prolongou a tensão, mas o gol foi validado, para fúria do Sevilla. O envolvimento de Mbappé foi inegável: sua força física e consciência criaram a oportunidade.
A partir daí, o capitão francês cresceu no jogo. Isolado, mas ativo, ele circulou pelo terço final, testando a defesa do Sevilla com uma série de arrancadas e finalizações rápidas. Ele forçou uma defesa rasteira aos 29 minutos, chutou para fora aos 39, e chegou perto novamente no segundo tempo com tentativas aos 59 e 68 minutos. Embora o toque final tenha lhe escapado, seu ritmo – algo que ele havia explicitamente exigido de Arbeloa – parecia mais afiado.
O Sevilla reagiu com força após o intervalo, prendendo o Madrid atrás e contando com Courtois para proteger a magra vantagem. O goleiro permaneceu imóvel, negando Adams em quatro ocasiões separadas (aos 56, 59, 63 e 69 minutos) enquanto o atacante nigeriano enfrentava uma noite de quase-gols. Uma última defesa heroica nos acréscimos preservou a meta sem gols e ressaltou o valor de Courtois para o esquema defensivo de Arbeloa.
Apesar da derrota, a noite do Sevilla terminou com um suspiro coletivo de alívio. Resultados desfavoráveis em outros campos, combinados com sua vantagem no confronto direto sobre o primeiro ameaçado pelo rebaixamento, o Girona, significam que eles têm uma vantagem de três pontos e um desempate inalcançável para a rodada final. A sobrevivência do clube, portanto, já está garantida, um testemunho de sua resiliência no final da temporada.
Para o Madrid, a vitória mantém a pressão no topo da tabela, mas o foco inevitavelmente permanece em Mbappé. Sua atuação madura, trabalhando em um papel criativo e mantendo-se disciplinado, ajudou a reparar a ruptura com Arbeloa. O risco do técnico com um time rotacionado valeu a pena, e a atuação pode servir como modelo de harmonia nas semanas finais da campanha.
À medida que a temporada chega ao fim, ambos os clubes podem tirar positivos distintos: o Sevilla garantiu seu status na primeira divisão, enquanto o Real Madrid testemunhou um Mbappé reengajado redescobrindo sua influência em uma vitória crucial fora de casa. As consequências do drama psicológico parecem, por enquanto, terem se resolvido a favor da ambição coletiva.
Com base em reportagens do L'Équipe.