Uma grande operação policial em Santa Catarina expôs um suposto esquema envolvendo um médico, uma advogada e uma secretária acusados de criar atestados médicos fraudulentos para garantir a libertação de presos, incluindo líderes criminosos. A operação, liderada pelo Gaeco, resultou em múltiplas prisões e na execução de 35 mandados de busca em Santa Catarina e no Paraná.
A figura central da investigação é o gastroenterologista Marcelo Marques Costa. Segundo as autoridades, quando a polícia tentou prendê-lo em sua casa em Camboriú, o médico reagiu violentamente, disparando pelo menos quatro tiros contra um policial militar. O policial sobreviveu ao ataque e está em bom estado de saúde. O médico, formado pela Universidade Regional de Blumenau (FURB) em 1998, tinha seu registro médico ativo no Conselho Regional de Medicina (CRM).
Também foram presas a advogada Amanda Letícia Moraes Cunha e a secretária Juliete Francisco. A investigação alega que o grupo trabalhava em conluio para facilitar a libertação de detentos do Complexo Prisional de Itajaí. A secretária supostamente era responsável por negociar honorários e agendar consultas com os presos, enquanto a advogada supostamente atuava como intermediária entre os criminosos e o médico, e protocolava pedidos de prisão domiciliar com base nos documentos médicos fraudulentos.
Os atestados fraudulentos supostamente simulavam comorbidades graves e inexistentes para justificar pedidos de liberdade ou prisão domiciliar. As autoridades afirmam que líderes criminosos que se beneficiaram desse esquema frequentemente cortavam suas tornozeleiras eletrônicas e se tornavam foragidos. Durante a operação, os agentes apreenderam mais de R$100.000 em dinheiro, armas e documentos, juntamente com arquivos contendo imagens dos atestados médicos fraudulentos, exames e receitas.
O CRM-SC anunciou que investigará a conduta ética do médico diante das alegações. A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) em Santa Catarina afirmou que está monitorando os desdobramentos da operação, denominada 'Efeito Colateral', e iniciará procedimentos disciplinares se os fatos forem confirmados, o que pode levar à expulsão da advogada da organização.
A defesa da advogada declarou que ela está cooperando com as autoridades e que é prematuro tirar conclusões, expressando confiança em sua inocência. A defesa da secretária argumentou que sua cliente ocupava apenas um cargo administrativo na clínica e não tinha envolvimento ou autonomia na emissão de documentos médicos. Ambas as equipes jurídicas estão tomando medidas para esclarecer os fatos junto ao judiciário.
Com base em reportagens do g1.