A Juventus enfrenta um verão crítico, pois as repercussões financeiras de não se classificar para a Champions League coincidem com as iminentes sanções da UEFA por violações passadas do Fair Play Financeiro. O clube deve navegar por uma janela de transferências delicada onde vender jogadores-chave como Dusan Vlahovic é tanto uma necessidade quanto um risco.
De acordo com o especialista financeiro Professor Bava, a situação deriva diretamente da gestão do ex-diretor esportivo Cristiano Giuntoli. "Este é um cenário que a Juventus carrega desde a era Giuntoli", explicou Bava, observando que o elenco está inchado com jogadores de alto custo cujos salários e amortizações não estão mais alinhados com o retorno em campo. A necessidade de se desfazer de perfis caros tornou-se urgente, mas o mercado sabe que a Juventus está sob pressão, potencialmente desvalorizando seus ativos.
O CEO Comolli confirmou que o déficit da Champions League — estimado em €30-40 milhões em receita perdida — forçará pelo menos uma grande venda adicional neste verão. Vlahovic é o principal candidato, mas sua saída exigiria encontrar um substituto que possa marcar gols sem sobrecarregar um orçamento já apertado. A estratégia, conforme delineada por Comolli, é mirar em jogadores jovens e de alto potencial com baixos custos iniciais, uma mudança em relação aos gastos anteriores.
O paradoxo é claro: a Juventus precisa vender para equilibrar as contas, mas os jogadores com valor real de mercado — como Gleison Bremer e Vlahovic — são exatamente aqueles que o time não pode perder sem enfraquecer. Bava alertou que vender Bremer, por exemplo, poderia ser desastroso. "O campo mostrou que existe uma Juventus com Bremer e outra sem ele", disse ele, sugerindo que perder o zagueiro brasileiro pode comprometer outra classificação para a Champions League, criando um ciclo vicioso de declínio financeiro.
A proprietária do clube historicamente esteve disposta a injetar capital, mas Comolli minimizou a probabilidade de outro aumento de capital no curto prazo. Bava esclareceu que, embora uma injeção forneça liquidez, não aumentaria as receitas nem aproximaria o clube do ponto de equilíbrio, que continua sendo o objetivo de longo prazo. A Juventus é listada em bolsa e, portanto, cautelosa com tais movimentos, mas tudo depende da magnitude das perdas nesta temporada.
O prazo para atingir o ponto de equilíbrio foi ajustado. Comolli mencionou uma meta para 2028, mas Bava interpretou isso como ponto de equilíbrio antes do pagamento de juros, significando que o clube ainda estaria no vermelho líquido. O orçamento anterior pressupunha avanço para as oitavas de final da Champions League; não atingir esse marco atrasou inevitavelmente os planos de recuperação financeira.
Enquanto isso, as negociações com a UEFA sobre violações passadas do FFP continuam. Bava espera que as sanções sejam uma multa de alguns milhões de euros ou restrições na atividade de transferências, como uma exigência de "vender antes de comprar". No entanto, ele observou que tais restrições apenas reforçariam a direção que o clube já está tomando: usar vendas para financiar compras é agora uma necessidade, não uma escolha.
A situação exige precisão cirúrgica no mercado de transferências. A Juventus não pode se dar ao luxo de outra janela como as de Giuntoli, onde mais de €100 milhões foram gastos sem o salto competitivo esperado. Bava enfatizou que, com um núcleo sólido já em vigor — graças ao trabalho do técnico Spalletti —, um número limitado de contratações bem escolhidas pode ser suficiente, em vez de uma revolução completa.
Para Vlahovic, o cálculo financeiro é matizado. Se o atacante sérvio estiver disposto a aceitar uma redução salarial significativa, mantê-lo pode ser viável. Caso contrário, Bava argumentou que faz mais sentido investir em um atacante mais jovem e menos caro que possa crescer e valorizar com o tempo, alinhando-se ao novo modelo sustentável do clube.
O contexto mais amplo é que a Juventus, apesar de suas dificuldades, tem consistentemente um dos maiores custos de elenco da Serie A, superando até Inter e Milão nos últimos anos. O fracasso em converter esse investimento em dominância consistente está no centro da crise atual. O desafio agora é desfazer esse legado sem desencadear uma espiral descendente.
Com a janela de verão se aproximando, todos os olhos estarão na execução de Comolli. O clube deve andar na corda bamba entre responsabilidade fiscal e competitividade esportiva, sabendo que outro passo em falso pode ter consequências de vários anos. A iminente decisão da UEFA adiciona uma camada extra de urgência, mas, como observou Bava, o caminho a seguir já estava traçado pelos números.
Os próximos meses testarão se a Juventus pode transformar um passivo financeiro em um reset estratégico. Por enquanto, o destino do clube depende de fazer as vendas certas pelos preços certos e encontrar joias escondidas no mercado — tudo enquanto navega pela supervisão regulatória do órgão regulador do futebol europeu. Com base em reportagens do Tuttosport.