O Napoli encerrou sua campanha na Serie A com uma vitória por 1 a 0 sobre a Udinese no domingo, um resultado que pareceu mais uma nota de rodapé para a narrativa maior da esperada saída de Antonio Conte. Já garantido o segundo lugar e uma vaga na Champions League, o Partenopei fez o mínimo necessário em uma partida apagada no Estádio Diego Armando Maradona. A vitória, no entanto, foi ofuscada pela forte crença de que Conte comandou sua última partida pelo clube, com a imprensa italiana vinculando-o unanimemente ao cargo da Azzurri.
A partida em si careceu da intensidade de um confronto de alto risco. O Napoli, sem nada em jogo, mostrou um ritmo relaxado, enquanto a Udinese, confortavelmente no meio da tabela, ofereceu pouca resistência. A lesão precoce do goleiro Alisson Santos no minuto 10 forçou uma substituição inesperada, trazendo Kevin De Bruyne para a ação. O meia belga, inicialmente poupado, rapidamente se tornou a figura mais influente em campo.
A classe de De Bruyne apareceu no minuto 24, quando ele abriu a defesa da Udinese com um passe perfeitamente calibrado para Rasmus Højlund. O atacante dinamarquês, emprestado pelo Manchester United, manteve-se em posição legal e finalizou com frieza o único gol. Foi um momento de forte contraste com o fluxo lânguido do jogo, e destacou as ameaças ofensivas que o Napoli ainda pode reunir mesmo em um dia ruim.
Højlund foi central novamente após a hora de jogo. Sua poderosa corrida pela ala esquerda provocou uma entrada temerária de Christian Kabasele, da Udinese. O árbitro inicialmente deixou o jogo seguir, mas o VAR interveio, resultando em cartão vermelho direto para o defensor. A expulsão efetivamente acabou com qualquer chance de reação da Udinese e permitiu que o Napoli administrasse o restante da partida com facilidade.
Segundos depois, Højlund quase se tornou assistente. Outra arrancada pela esquerda terminou com um passe para trás para Scott McTominay, mas o meio-campista chutou para fora de perto. Foi um erro que epitomizou a ocasional falta de pontaria do Napoli, embora tenha importado pouco no final.
No entanto, o foco permaneceu em Conte. O técnico de 54 anos passou duas temporadas transformadoras na Campânia, guiando o Napoli ao seu quarto Scudetto em 2025 e restaurando uma identidade vencedora. Embora esta temporada tenha terminado sem troféus, um segundo lugar e a classificação para a Champions League representaram um sólido seguimento. Agora, a federação italiana está pronta para nomeá-lo como treinador da seleção nacional, sucedendo Luciano Spalletti — que, em um golpe do destino, havia deixado o cargo na Itália para treinar o Napoli antes da chegada de Conte.
As cenas finais tiveram um ar de finalidade. Conte abraçou longamente sua comissão técnica e jogadores, depois caminhou em direção às arquibancadas para reconhecer a ovação dos torcedores. Cânticos de gratidão encheram o estádio, embora nenhum anúncio público tenha sido feito. A mídia italiana afirmou que sua saída é uma formalidade, apenas aguardando confirmação oficial.
A saída de Conte deixaria o Napoli enfrentando um verão incerto. O elenco, construído em torno de seu estilo intenso e de contra-ataque, pode exigir uma reformulação significativa sob um novo treinador. Vários jogadores-chave — incluindo De Bruyne, Højlund e outros emprestados ou próximos do fim de seus contratos — enfrentam futuros ambíguos. O clube agora deve identificar um substituto capaz de sustentar a competitividade na Champions League enquanto gerencia uma folha salarial que cresceu durante o mandato de Conte.
Para a Serie A, a mudança traz implicações mais amplas. A saída de Conte remove um dos treinadores mais carismáticos e taticamente astutos da liga, potencialmente alterando o equilíbrio competitivo. Sua presença na seleção italiana pode amplificar a reputação futebolística do país, mas o carrossel de treinadores no topo do futebol italiano girará ferozmente. O Napoli, com sua torcida apaixonada e recente pedigree de títulos, será um dos empregos mais cobiçados — e exigentes — da Europa.
A vitória de domingo por 1 a 0, então, foi muito mais do que uma formalidade de fim de temporada. Serviu como o encerramento tranquilo de uma era breve, mas memorável, que restaurou o orgulho do Napoli e entregou um campeonato histórico. Enquanto o clube vira a página, a busca pelo herdeiro de Conte determinará se a base que ele construiu pode sustentar um sucesso duradouro ou se 2025 foi um pico fugaz à sombra do Vesúvio.
Baseado em reportagens do L'Equipe.