BUDAPESTE — A imagem que definiu o pesadelo do Arsenal na final da Champions League foi Gabriel, com a cabeça entre as mãos, consolado não por seus próprios companheiros, mas pelo capitão do PSG, Marquinhos, seu compatriota brasileiro. O zagueiro, tantas vezes um pilar de força na notável temporada do Arsenal, acabara de mandar seu pênalti por cima do travessão, dando ao Paris Saint-Germain uma vitória por 5-4 nos pênaltis e um segundo título europeu consecutivo. Foi o fim mais cruel para uma campanha que, de resto, foi estelar.
A primeira final de Champions League do Arsenal desde 2006 começou como um sonho. Aos seis minutos na Puskas Arena, Kai Havertz mandou um chute ascendente no teto da rede, levando a seção vermelha e branca ao êxtase. Com o título da Premier League já garantido, os Gunners buscavam uma dobradinha rara, alcançada pela última vez pelo Manchester United em 1999 e 2008 e pelo Manchester City em 2023. O gol inicial parecia validar seu crescente status como uma das elites da Europa.
Mas o PSG, como campeão defensor, aos poucos impôs seu domínio técnico, dominando a posse de bola com seu temido trio de ataque formado por Khvicha Kvaratskhelia, Ousmane Dembélé e Désiré Doué. No entanto, a defesa do Arsenal, ancorada por Gabriel, manteve-se firme. O brasileiro fez 13 cortes, o máximo da partida, repelindo ondas sucessivas de ataques e intervindo constantemente para negar chances claras. Sua atuação foi um testemunho de sua ascensão como um dos melhores zagueiros do mundo.
O ponto de virada veio pouco depois da hora de jogo, quando Dembélé converteu um pênalti após uma falta polêmica, empatando a partida. A partir daí, ambos os lados se retraíram com cautela, com o que estava em jogo sendo alto demais para arriscar um jogo aberto. Nenhum goleiro foi realmente testado enquanto a prorrogação passava, a tensão crescendo em direção à inevitabilidade de uma disputa de pênaltis.
Quando Eberechi Eze hesitou e desviou seu pênalti para fora, o PSG aproveitou a vantagem, mas David Raya imediatamente trouxe o Arsenal de volta ao jogo ao defender a cobrança de Nuno Mendes. O ímpeto mudou até recair sobre Gabriel. Nunca tendo batido um pênalti pelo Arsenal, ele avançou com convicção, mas seu chute foi desviado por cima do travessão e foi parar no mar de torcedores do PSG comemorando. O erro foi decisive.
Mikel Arteta revelou mais tarde que Gabriel se voluntariou para a responsabilidade. 'Ele queria bater', disse o técnico do Arsenal. 'Normalmente os batedores de pênalti seriam Bukayo [Saka], Martin [Odegaard] e Kai [Havertz]. Mas sabíamos que se o jogo fosse para a prorrogação e pênaltis, diferentes jogadores teriam que se apresentar.' A decisão de deixar Gabriel bater um destacou a confiança do elenco em seu temperamento, mesmo que o resultado tenha sido desolador.
Declan Rice, falando à TNT Sports, ofereceu apoio inabalável tanto a Gabriel quanto a Eze. 'Perder um pênalti numa final de Champions League, obviamente não é legal. Mas nós os amamos e estamos com eles', disse Rice. 'Sem esses dois nesta temporada, não teríamos vencido a Premier League, com certeza. Gabriel, fico sem palavras para ele como pessoa e como jogador. Eze marcou alguns gols cruciais para nós nesta temporada. Acontece. É futebol e é cruel.'
O erro provocou comparações com o escorregão de John Terry na final de 2008, conforme observado pelo ex-zagueiro do Arsenal Matt Upson. 'É um daqueles momentos de John Terry', disse Upson na BBC Radio 5 Live. 'Gabriel deu tudo pelo seu time. Ele mostrou a mentalidade e coragem para se apresentar e assumir a responsabilidade, que é tudo o que se pode pedir de qualquer jogador. É terrivelmente triste para ele, mas ele me parece alguém que se recuperará rapidamente e usará isso como motivação.'
A contribuição geral de Gabriel nesta temporada não pode ser ofuscada por um único erro. Ele foi titular em 48 dos 63 jogos do Arsenal, contribuindo com nove gols e assistências, mais influente do que até mesmo algumas das estrelas ofensivas do clube. Seu dramático gol da vitória aos 96 minutos contra o Newcastle em setembro epitomizou sua vontade de vencer. 'Ele foi inestimável e, com toda razão, está na conversa para Jogador do Ano da PFA', disse o ex-zagueiro do Manchester City Nedum Onuoha à BBC Sport. 'O Arsenal não teria vencido a Premier League sem ele. Infelizmente, ele experimentou o que todo jogador teme — perder o pênalti que decide uma final.'
Para o Arsenal, a derrota é devastadora, mas não definidora. O título da Premier League que eles levantaram no início deste mês continua sendo uma conquista monumental, encerrando uma seca de duas décadas sem uma coroa de liga. Esta final, por mais dolorosa que seja, deve servir como combustível para um elenco ainda jovem e faminto. Com Arteta no comando e um núcleo de jogadores entrando em seu auge, os Gunners estão agora firmemente estabelecidos entre os pesos pesados europeus, e essa desilusão pode apenas aguçar seu apetite por glória futura.
Enquanto os jogadores do PSG festejavam com o troféu e os torcedores do Arsenal permaneciam na noite de Budapeste, a imagem de Gabriel enxugando as lágrimas ficará com o clube por muito tempo. No entanto, o apoio de seus companheiros e técnico sugere uma determinação coletiva para transformar essa agonia em um trampolim. Após anos de quase-acertos, o Arsenal não é mais apenas um participante — é um competidor. E os competidores aprendem, muitas vezes através de lições dolorosas, o que é preciso para vencer.
Com base em reportagens da BBC Sport.