O Arsenal deu um passo gigante em direção ao seu primeiro título da Premier League em mais de duas décadas com uma vitória apertada por 1 a 0 sobre o já rebaixado Burnley no Emirates Stadium. O gol de Kai Havertz no primeiro tempo foi suficiente para garantir três pontos que podem ser cruciais na disputa pelo título, já que o time de Mikel Arteta abriu cinco pontos de vantagem no topo da tabela.
A partida em si foi unilateral, como esperado, dado o status do Burnley. Os visitantes, há muito condenados ao Championship, não conseguiram uma única finalização no gol durante os 90 minutos. O Arsenal dominou posse e território, mas teve dificuldades para criar chances claras até que Havertz abriu o placar aos 37 minutos.
O gol do atacante alemão saiu de uma jogada bem trabalhada, embora os detalhes importem menos que seu impacto. Foi o 15º gol de Havertz na liga na temporada, destacando sua crescente importância para este Arsenal. A resistência defensiva do Burnley frustrou brevemente a torcida local, mas, uma vez à frente, o Arsenal controlou calmamente o jogo sem precisar se esforçar demais.
O resultado leva o Arsenal a 82 pontos após 37 partidas. O Manchester City, seu principal perseguidor, está em segundo com 77 pontos, mas crucialmente tem um jogo a menos. Essa partida acontece no domingo à noite, quando o time de Pep Guardiola visita o Bournemouth. A equação é simples: uma vitória do City reduziria a diferença para dois pontos e levaria a batalha pelo título ao último dia; qualquer outro resultado entrega o troféu ao Arsenal.
Se o City tropeçar no Vitality Stadium, o Arsenal será coroado campeão sem precisar jogar, assegurando seu primeiro título de liga desde a famosa campanha dos 'Invencíveis' de 2003-04. Essa possibilidade adiciona uma pressão imensa nos homens de Guardiola, que estão acostumados a esses cenários de tudo ou nada, mas enfrentam um Bournemouth com pouco a perder, o que potencialmente os torna adversários perigosos.
Se o City prevalecer, a Premier League testemunhará um dramático último dia em 24 de maio, com todas as partidas começando simultaneamente. O Arsenal então receberá seu último adversário sabendo que uma vitória garante o título, independentemente do resultado do City. O destino dos Gunners estaria em suas próprias mãos, um cenário que Arteta teria desejado no início da temporada.
Complicando as coisas, o Arsenal também tem uma final da Champions League contra o Paris Saint-Germain se aproximando, marcada para apenas sete dias após o final da Premier League. Esse duplo desafio sem precedentes impõe enormes exigências físicas e mentais ao elenco. O sucesso em ambas as competições gravaria este time na história do futebol, mas equilibrar a busca pode ser complicado.
A dimensão psicológica não pode ser subestimada. O Arsenal mostrou garra ao longo de uma campanha em que muitos os consideravam fracassados. O projeto de Arteta, construído sobre um núcleo jovem complementado por contratações de peso como Havertz, amadureceu a ponto de a excelência sustentada ser a norma. No entanto, o espectro da implacável máquina de vencer do City os assombrou em temporadas anteriores; exorcizá-lo seria a maior reivindicação.
Historicamente, o Arsenal liderou a temporada 2022-23 por 248 dias antes de ser alcançado pelo City. Na última temporada, eles levaram o time de Guardiola ao limite, mas sucumbiram a lesões e inexperiência. Este ano parece diferente: a profundidade é maior, o retrospecto defensivo é mais forte e a crença está mais enraizada. A vitória sobre o Burnley, embora rotineira, mostrou a eficiência e o foco necessários para cruzar a linha de chegada.
Para o City, a equação é dura. Para manter a coroa, eles precisam vencer o Bournemouth e depois vencer novamente no último dia, enquanto torcem por um deslize do Arsenal. É um cenário que Guardiola já navegou antes, mas a margem de erro agora é zero. O Bournemouth, confortavelmente no meio da tabela, apreciará o papel de potenciais reis, enquanto a experiência do City em momentos de alta pressão pode ser decisiva.
Enquanto o mundo do futebol observa, o Arsenal se prepara para uma semana decisiva. As permutações são muitas, mas a realidade crua é que os homens de Arteta estão mais perto do que nunca de recuperar um status perdido há 22 anos. O sonho de uma dobradinha doméstica e europeia está vivo, e a vitória sobre o Burnley, embora não espetacular, foi o passo necessário para mantê-lo aceso.
Com base em relatos do Tuttosport.