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O retorno do Sunderland à Liga Europa: o método de Le Bris

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Régis Le Bris, discretamente implacável, e uma reconstrução de £155 milhões impulsionam o Sunderland ao sétimo lugar na Premier League e a uma vaga na Liga

A ascensão do Sunderland do meio da tabela do Championship para as eliminatórias da Liga Europa em duas temporadas é uma história de futebol construída sobre determinação silenciosa e investimento astuto. Sob o comando do técnico Régis Le Bris, os Black Cats terminaram em sétimo lugar na Premier League 2025-26, garantindo uma vaga na competição europeia pela primeira vez em anos. Marca o ápice impressionante de um projeto que começou com a chegada de Le Bris como um relativo desconhecido em julho de 2024, deixando sua zona de conforto no clube francês Lorient.

A fase inicial foi descrita por pessoas de dentro como isoladora. Em um acampamento de pré-temporada em Alicante, Le Bris não tinha assistentes pessoais ou tenentes de confiança. Trabalhou com a equipe de bastidores existente do Sunderland, aguardando seu momento. 'Cheguei sozinho, sem nenhum colaborador', recordou mais tarde. Sentou-se sem ser reconhecido no fundo de uma sala onde o historiador do clube Rob Mason palestrava sobre a herança futebolística de Wearside. Mas passo a passo, começou a imprimir sua filosofia.

O ponto de virada chegou no meio de sua primeira temporada. Com o Sunderland pressionando pela promoção automática, o proprietário Kyril Louis-Dreyfus desviou-se da hierarquia de recrutamento habitual e deu a Le Bris as rédeas para buscar uma contratação de peso. Esse homem era Enzo Le Fée, um meia-armador que Le Bris treinou pela primeira vez quando tinha 12 anos no Lorient. O empréstimo de Le Fée da Roma em janeiro de 2025, que depois se tornou uma contratação definitiva, acendeu a transformação.

O defensor Luke O'Nien, um capitão de longa data do clube que se juntou ao Sunderland na League One, acredita que Le Fée foi a peça fundamental. 'Sempre digo que Enzo foi o catalisador de tudo isso', disse O'Nien. 'Ele foi o primeiro jogador de alto nível a confiar em nós como clube e fez uma grande contribuição para onde estamos hoje. Enzo trabalha muito duro, é incrivelmente humilde e, tão bom jogador quanto é, é uma pessoa ainda melhor'.

Essa transferência também abriu caminho para Florent Ghisolfi se mudar de Roma para Wearside como diretor de futebol. Ghisolfi havia trabalhado com Le Bris no Lorient e compartilhava um profundo respeito mútuo com Louis-Dreyfus. Sua chegada, juntamente com o então diretor esportivo Kristjaan Speakman, viu a quantia impressionante de £155 milhões gasta em 15 novos jogadores no verão passado. A lista incluía Robin Roefs, Noah Sadiki, Habib Diarra, Omar Alderete, Reinildo, Chemsdine Talbi e Brian Brobbey – todos os quais se tornariam contribuidores-chave.

Ninguém foi mais influente do que Granit Xhaka. O capitão da Suíça foi persuadido a deixar o Bayer Leverkusen após uma ligação noturna de Louis-Dreyfus. Xhaka viu em Le Bris um técnico que o lembrava Arsène Wenger, e a presença de Le Fée e Ghisolfi o convenceu da ambição do clube. Sua chegada mudou a dinâmica instantaneamente. O próprio Le Fée admitiu mais tarde: 'A chegada do Granit mudou tudo'.

A liderança de Xhaka se estendeu para fora do campo. Ele foi fundamental para recrutar o ex-defensor do Paris Saint-Germain Nordi Mukiele, um companheiro de Leverkusen. Mukiele disse: 'Quando Granit fala, você tem que ouvir com os dois ouvidos'. Juntos, formaram a espinha dorsal de uma equipe que atingiu a meta de pré-temporada de Le Bris de 40 pontos no início de março, após uma vitória em Leeds, e eventualmente selou o sétimo lugar.

À medida que o desempenho disparou, mudanças estruturais se seguiram. Speakman saiu em fevereiro de 2026, seu papel diminuído pela influência crescente de Ghisolfi. Rapidamente circularam rumores de que Le Bris poderia ser o próximo, mas a realidade era totalmente diferente: o técnico havia construído uma rede de apoio dentro e fora de campo que se tornou a inveja de seus pares da Premier League. Sua autoridade silenciosa e sua capacidade de ser 'totalmente implacável' quando necessário haviam cimentado seu status.

Olhando para o futuro, Le Bris enfrenta o duplo desafio de gerenciar as demandas do futebol da Liga Europa enquanto mantém um vestiário unido. O capitão do clube Xhaka é desafiador: 'Como capitão do Sunderland, posso prometer que isso é apenas o começo. Queremos mais'. O próprio Le Bris prega cautela: 'Temos que permanecer humildes e lembrar da fragilidade essencial do sucesso no futebol'.

O bretão que uma vez vagou despercebido por um hotel em County Durham se incorporou ao tecido de Sunderland. Sua conexão com os torcedores é tangível. 'Este clube é um lugar especial no futebol inglês e nossa jornada é realmente especial porque sentimos o alinhamento com nossos torcedores', refletiu Le Bris. 'É uma sensação muito boa'. De figura solitária a mentor de um renascimento europeu, Régis Le Bris agora caminha com uma cidade atrás de si.

Baseado em reportagens do The Guardian.