A seccional do Maranhão da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-MA) formalizou um pedido de prisão preventiva de Carolina Sthela Ferreira dos Anjos, patroa investigada por suposta tortura e violência física contra uma empregada doméstica grávida. O incidente, ocorrido em 17 de abril em Paço do Lumiar, parte da Grande São Luís, foi classificado pela Comissão de Direitos Humanos da OAB como tortura qualificada.
De acordo com o relatório da OAB-MA, a vítima de 19 anos, que estava grávida de seis meses na época, foi submetida a severos abusos físicos e psicológicos. A agressão teria começado depois que Carolina acusou a trabalhadora de roubar um anel. Apesar da negativa da vítima, ela teria sido espancada com socos e tapas por aproximadamente uma hora. A violência escalou quando uma arma de fogo teria sido usada para ameaçá-la, com o artefato colocado em sua boca.
A investigação é apoiada por laudos médicos que detalham as lesões da vítima e gravações de áudio nas quais Carolina supostamente confessa as agressões. Em uma dessas gravações, ela teria dito que a vítima "não era para ter saído viva". O áudio também sugere a participação de um comparsa homem, ainda não identificado, que estava armado durante o ataque.
A OAB-MA enfatiza que o crime é particularmente grave porque a vítima estava grávida, configurando tortura qualificada pela lei brasileira. As acusações incluem também lesão corporal, ameaça e difamação. A vítima relatou que passou grande parte do ataque no chão, tentando proteger o abdômen de chutes, resultando em hematomas por todo o corpo.
Adicionando uma camada de complexidade ao caso, quatro policiais militares que inicialmente atenderam a ocorrência foram afastados de suas funções. A medida ocorreu após a divulgação de gravações de áudio nas quais Carolina supostamente afirma que não foi levada à delegacia porque conhecia um dos policiais que atenderam. O policial em questão teria reconhecido que as marcas visíveis na vítima deveriam ter levado ao seu registro formal.
A OAB-MA destacou o extenso histórico criminal de Carolina Sthela como um motivo chave para solicitar sua prisão preventiva, citando alto risco de reincidência. Seu histórico inclui uma condenação anterior por furto qualificado com pena superior a seis anos, uma condenação por calúnia após acusar falsamente uma ex-funcionária de furto, e múltiplos casos de violência doméstica e medidas protetivas. Ela também enfrenta diversas ações cíveis e dívidas.
Carolina Sthela não foi presa nem formalmente indiciada até os últimos relatos. Por meio de uma nota, declarou que está colaborando com a investigação, que apresentará sua versão dos fatos no momento oportuno, e manifestou sua oposição a qualquer forma de violência, especialmente contra mulheres e pessoas vulneráveis. Pediu que não haja julgamento prematuro enquanto o caso é examinado.
Com base em reportagem do g1.