A campanha 2025-26 do Paris Saint-Germain tem sido um show interminável de melhores momentos, produzindo gols de uma artisticidade impressionante que definiram sua caminhada até a final da Liga dos Campeões. Com o confronto contra o Arsenal no sábado em Budapeste, o L'Equipe reuniu um painel de especialistas — os ex-zagueiros do PSG Maxwell e Ricardo, junto com o ex-atacante sérvio Danijel Ljuboja — para classificar os oito gols mais bonitos da temporada. O veredito deles, com uma dose de subjetividade, celebra um time que parece marcar não apenas gols, mas obras-primas.
1. A Cavadinha Divina de Dembélé: No topo da lista está a cavadinha atrevida de Ousmane Dembélé em uma partida doméstica, um gol que levantou a multidão do Parc des Princes em descrença coletiva. A sequência começou com uma pressão alta e um passe em profundidade de Désiré Doué. Dembélé precisou de apenas cinco toques: um drible para dentro passando por dois defensores e a cavadinha perfeita sobre o goleiro que saía. Maxwell, o elegante lateral brasileiro transformado em comentarista, chamou de “tecnicamente, uma maravilha. Ele cria o espaço com fintas e depois executa um chute que exige fineza e suavidade excepcionais. A proximidade do gol torna tudo ainda mais incrível”. Seu compatriota Ricardo acrescentou: “O que é impressionante é a rapidez com que ele lê a posição do goleiro. A delicadeza da execução é simplesmente inacreditável”.
2. O ‘Especial’ de Kvaratskhelia contra o Chelsea: Aos 86 minutos de um tenso jogo de ida das oitavas da Champions, Khvitcha Kvaratskhelia fechou a porta com um momento marcante. Pegando a bola na ponta, ele usou um drible com o pé de fora e micro-fintas para se desvencilhar de Malo Gusto antes de disparar um chute indefensável para o fundo da rede. Ricardo colocou logo atrás do lance de Dembélé: “Já o vimos fazer isso dezenas de vezes, mas a velocidade de execução torna impossível defender. É de tirar o fôlego.” Maxwell destacou sua importância: “O gol foi magnífico e, naquele cenário, tão crucial para a temporada do PSG.”
3. A Bicicleta de Neves no Toulouse: Em 30 de agosto, João Neves se anunciou com um hat-trick coroado por uma bicicleta acrobática que desafiou a lógica. Em vez de controlar a bola ou recuar, o meio-campista se lançou em um chute de letra relâmpago. “Noventa por cento dos jogadores teriam tocado para o lado”, disse Ljuboja. “Mas você vê instantaneamente que ele quis aquilo — e isso só se consegue depois de 150 mil repetições no treino.” Maxwell destacou sua consciência espacial: “O que torna incrível é a velocidade e a capacidade de saber exatamente onde está o gol.”
4. O Slalom Maradoniano de Kvaratskhelia contra a Atalanta: Contra a Atalanta em Bergamo, o georgiano canalizou seu Diego Maradona interior. Começando com uma finta e arrancada passando por Berat Djimsiti, ele cobriu meio campo em sete toques, driblou o goleiro e encontrou a rede. Ricardo riu: “É verdadeiramente ‘Kvaradona’. Além da velocidade, é a leitura de espaço e a audácia de tentar.” Ljuboja foi efusivo: “Ele tem um dos conjuntos de habilidades mais amplos que já vi. Provavelmente é o melhor jogador do mundo agora. Correr com a bola de tão longe requer confiança total.”
5. O Raio do Clássico de Dembélé: Em um confronto do “Clássico” contra o Olympique de Marseille, Dembélé se transformou em seu eu do Barcelona. Isolado na direita, ele usou seu característico drible com o pé de fora, uma mudança de direção devastadora e então um furioso chute de direita no ângulo superior. Ricardo viu um atacante em forma suprema: “Tinha tudo — velocidade, potência, técnica.” Ljuboja traçou paralelos com Lionel Messi: “A forma como ele espera o defensor e depois corta para fora me lembra Messi contra Boateng. Mas nada disso importa sem ser ambidestro, e Dembélé é.”
6. O Iniesta Revival de Vitinha contra o Tottenham: Com o PSG perdendo por 1 a 0 e sem inspiração, Vitinha conjurou um momento de pura inspiração. De fora da área, ele encontrou um cruzamento com um chute de primeira com a direita que curvou para o gol, evocando o famoso gol de Andrés Iniesta contra o Chelsea em 2009. Ljuboja enfatizou a dificuldade técnica: “Sendo destro, acertar limpo um cruzamento vindo da esquerda exige timing perfeito e posicionamento corporal.”
7. A Bomba ‘Papin’ de Doué contra o Nantes: Désiré Doué tem o hábito de chutes violentos e repentinos, e seu gol contra o Nantes foi o epítome. De um ângulo agudo, ele aproveitou um leve quique para soltar uma voleia feroz que explodiu no ângulo superior. O júri admirou a audácia e a potência bruta, um gol que ecoou o talento para o espetacular do ex-grande marselhês Jean-Pierre Papin.
8. A Bola Parada Bela de Nuno Mendes: Fechando a classificação está o chute livre curvado de Nuno Mendes contra o Lille, uma bola parada que passou por cima da barreira e deixou o goleiro sem reação. Embora tenha recebido menos superlativos que as entradas principais, sublinhou a profundidade do repertório de gols do PSG.
Esses oito gols não são meras decorações de uma campanha doméstica dominante; são os carros-chefe de um time que casa disciplina tática com criatividade sem limites. Enquanto se preparam para enfrentar o Arsenal na final da Liga dos Campeões, os torcedores parisienses esperam por pelo menos mais uma entrada nesta galeria de maravilhas. Por enquanto, os melhores momentos da temporada, cristalizados por um trio de juízes perspicazes, nos lembram por que assistimos.
Baseado em reportagens do L'Equipe.