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Perez convoca eleições após temporada sem títulos: O que

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Florentino Perez convoca eleições no Real Madrid após uma temporada sem títulos encerrada pela vitória do Barcelona no Clássico, com José Mourinho em

Florentino Perez convocou uma coletiva de imprensa surpresa no centro de treinamento do Real Madrid na segunda-feira, não para apresentar um novo técnico, mas para lançar uma defesa furiosa de sua presidência e convocar eleições. A extraordinária explosão de 90 minutos ocorreu menos de 24 horas depois de o Barcelona garantir o título de La Liga com vitória no El Clásico, deixando o Madrid de mãos vazias pelo segundo ano consecutivo. Sentado diante dos jornalistas com seu telefone e papéis à mostra, o septuagenário criticou o que chamou de 'campanha organizada' para derrubá-lo, desafiou diretamente a mídia e declarou que buscaria um novo mandato dos sócios do clube.

Poucas horas depois de o rival Barcelona selar uma vitória por 2 a 1 no Camp Nou para reter a coroa doméstica, Perez entrou na sala de imprensa com uma energia confrontacional raramente vista nos últimos anos. Leu em voz alta artigos críticos, nomeou jornais e discutiu com repórteres que revidaram. Em certo momento, destacou um artigo de uma escritora, questionou sua compreensão do esporte, depois gesticulou para outra mulher fazer uma pergunta, acrescentando que os jornalistas homens na sala eram 'feios'. Foi uma atuação que sublinhou sua recusa em contemplar qualquer perda de controle.

Perez foi inequívoco sobre suas intenções: 'Não vou a lugar nenhum e estou aqui para me candidatar. Se alguém quiser se candidatar, esta é sua oportunidade. Mas não se movam nas sombras com publicações, veículos de notícias.' Ele descartou briefings anônimos que o retratavam como cansado e doente, insistindo que está com perfeita saúde e trabalha mais horas do que qualquer um. Esses vazamentos, disse, faziam parte de um esforço coordenado para desestabilizar sua liderança antes das próximas eleições – uma disputa que, segundo os estatutos do clube, deve ser convocada após uma temporada sem um grande troféu.

Com apenas a Supercopa da UEFA e o Troféu Intercontinental da FIFA para mostrar na temporada 2024-25, a pressão vinha aumentando. O Madrid saiu da Champions League nas quartas de final para o Bayern de Munique, enquanto o desempenho doméstico sofreu em meio à raiva dos torcedores pela suposta indiferença de Kylian Mbappé e uma briga no vestiário que exigiu que Federico Valverde recebesse tratamento hospitalar após uma discussão com Aurélien Tchouaméni. O alvo mais amplo do presidente foi a própria La Liga, que ele acusou de corrupção sistêmica e chamou de 'inimigo'.

No entanto, em meio à fúria, Perez projetou confiança em sua base. 'Lidero o maior clube do mundo e recebo elogios que vocês não imaginam. Mas 100.000 sócios estão comigo e estão muito felizes', disse, enquadrando as eleições como um teste de sua popularidade duradoura. Desafiou qualquer potencial desafiante a sair do anonimato, mas a história sugere que ninguém pode surgir: nenhum oponente conseguiu tirar Perez desde que ele retornou à presidência em 2009, e sua gestão econômica – entregando o Bernabéu reformado e contratações de peso – o isolou de descontentamentos relacionados a resultados.

O momento da convocação eleitoral também adianta a questão de quem liderará o time principal na próxima temporada. No mesmo dia, múltiplos relatórios confirmaram que José Mourinho está em negociações avançadas para assumir como técnico. O português, que levou o Madrid a um título de La Liga com recorde de pontos em 2011-12, está no Benfica, mas espera-se que saia. Um retorno não apenas reuniria o técnico mais bem-sucedido da década de 2010 com o clube, mas também sinalizaria uma mudança estilística em direção ao pragmatismo defensivo que definiu sua carreira posterior – um afastamento gritante dos ideais do recentemente demitido Xabi Alonso.

A demissão de Alonso em janeiro, meros quatro meses no cargo, já havia sido um choque. Um ícone do clube cujo Bayer Leverkusen havia sido um fenômeno, ele era visto como um construtor de longo prazo. Seu substituto, o ex-técnico da base Álvaro Arbeloa, não conseguiu mudar a maré e não será mantido. A porta giratória de técnicos – três em duas temporadas – espelha uma instabilidade mais ampla que Perez agora busca enfrentar de frente reafirmando sua autoridade pessoal. A coletiva foi tanto uma mensagem ao vestiário quanto à mídia.

Se Perez vencer a reeleição, a estrutura de poder permanecerá inalterada, com o presidente tendo a palavra final sobre transferências, nomeações de técnicos e direção estratégica. Uma parceria Mourinho-Perez, no entanto, é historicamente explosiva. Seu primeiro período terminou em acrimônia em 2013, mas ambos os homens falaram desde então de respeito mútuo. No clima atual, com o Barcelona em ascensão e o Atlético de Madrid ressurgindo, o clube pode estar disposto a arriscar fogos de artifício familiares por um vencedor comprovado.

Para o panorama mais amplo de La Liga, as acusações de corrupção de Perez reavivam uma queixa antiga. Ele frequentemente se confrontou com o presidente da liga, Javier Tebas, e seu último ataque sugere que a batalha pela governança se intensificará. Em um ano eleitoral, a retórica serve a um propósito: unir os sócios contra inimigos externos. A mensagem aos torcedores é que apenas Perez está entre o clube e a decadência institucional, um tema que ele tem usado como arma ao longo de seu mandato.

Enquanto o Madrid se prepara para uma eleição que moldará a próxima década, o rescaldo imediato da coletiva revelou um clube em uma encruzilhada. Os sócios conseguirão ignorar duas temporadas sem títulos e confiar no homem que lhes trouxe uma série de triunfos na Champions League? Ou a fúria de uma campanha sem troféus encontrará sua saída nas urnas? Por enquanto, o septuagenário traçou uma linha na areia, desafiando alguém a cruzá-la.

Com base em reportagens da BBC Sport.