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Pérez convoca eleições no Real Madrid em meio a discurso

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Florentino Pérez anunciou eleições no Real Madrid sem data em uma entrevista coletiva confusa, acusando a mídia de conspiração e reavivando o caso Negreira.

Em uma sala de imprensa abafada no centro de treinamento de Valdebebas do Real Madrid, o presidente Florentino Pérez convocou jornalistas para o que se tornou um espetáculo surrealista. Em vez de abordar as dificuldades em campo do clube ou o futuro do cargo de treinador, Pérez usou a aparição de 12 de maio para declarar que estava convocando eleições no clube—sem oferecer data, sem comissão eleitoral e nem mesmo a renúncia necessária para desencadear uma votação. O monólogo divagante de mais de uma hora do homem de 79 anos deixou a sala trocando olhares desconfortáveis, enquanto diretores e repórteres percebiam que estavam testemunhando um líder saindo do roteiro.

Desde o início, Pérez deixou claro que assuntos esportivos estavam fora de questão. Não houve menção à temporada decepcionante, nenhuma reflexão sobre o técnico (com o nome de José Mourinho notavelmente ausente) e nenhuma análise do que deu errado. Em vez disso, a entrevista coletiva se transformou em uma diatribe repetitiva, muitas vezes incoerente, contra inimigos percebidos. A própria equipe de Pérez, segundo relatos, tentou encerrar a sessão, mas o presidente continuou, insistindo que "minha saúde é perfeita" enquanto segurava um telefone e ignorava os papéis à sua frente.

Pérez domina o Real Madrid há décadas, praticamente sem oposição desde 2009 graças a estatutos que exigem que qualquer candidato à presidência seja cidadão espanhol, tenha 20 anos de filiação ao clube e forneça uma garantia bancária de €187 milhões. Essas regras transformaram as eleições em formalidades—ele concorreu sozinho em 2009, 2013, 2017, 2021 e 2025. Ao anunciar novamente eleições sem um cronograma claro, Pérez deixou muitos se perguntando se alguma disputa real se materializaria, ou se isso era apenas um gesto teatral para reforçar sua autoridade.

A maior parte do surto visou a mídia, que Pérez descreveu como uma rede conspiratória trabalhando para prejudicar tanto sua reputação quanto a do clube. Ele destacou o veículo digital espanhol Relevo, acusando-o de ter sido fundado apenas para atacar o Madrid antes de falir com €25 milhões em dívidas—uma lição "moral". Ele também anunciou que estava cancelando sua assinatura do jornal ABC depois de ler em voz alta uma linha que o chamava de "cansado", e então confrontou um jornalista da ABC na sala que não havia escrito o artigo. María José Hostalrich, repórter do The Guardian, estava presente e descreveu a cena como uma em que "perguntas não eram respondidas, eram deixa para dizer a mesma coisa".

Entre os muitos alvos, Pérez reviveu o escândalo ainda não resolvido do Negreira, o caso envolvendo pagamentos do Barcelona a um ex-oficial de arbitragem. Embora o assunto tenha pairado sobre o futebol espanhol, Pérez agora afirmou que o Real Madrid está preparando um dossiê formal para enviar à UEFA—escalando a resposta institucional do clube. Ele até calculou que foi "roubado em sete ligas", uma declaração que, embora não verificada, sublinha sua mentalidade de cerco e disposição para usar a controvérsia para mobilizar apoiadores.

A linguagem do presidente tornou-se cada vez mais ameaçadora ao se dirigir ao que chamou de "inimigos internos" e desafiar qualquer rival a se apresentar. "Eles vão ter que atirar em mim, porque tenho o apoio de todos os sócios do Madrid", disse. "Vou acabar com as pessoas más". Sem citar nomes, ele aludiu a um possível desafiante com "sotaque sul-americano" falando com grandes empresas de eletricidade—possivelmente o empresário Enrique Riquelme—mas não ofereceu nenhum caminho para que essa pessoa pudesse concorrer sob as regras restritivas do clube.

Para o Real Madrid, o espetáculo levanta questões desconfortáveis sobre governança e sucessão. Enquanto Pérez se vangloriava de comandar um "líder mundial" com faturamento anual de €50 bilhões e ter conquistado 66 títulos entre futebol e basquete, sua apresentação pública errática sugere um líder cada vez mais isolado e propenso a teorias da conspiração. A falta de qualquer plano eleitoral concreto significa que o clube permanece em espera, sem clareza sobre quando os sócios poderão opinar ou quem poderá eventualmente substituir um homem que está no comando há mais de uma década.

A entrevista coletiva também destacou o papel ambivalente da mídia no mundo de Pérez: simultaneamente convocada para ouvir suas queixas e imediatamente transformada em vilã. Para um clube da estatura do Madrid, a exposição pública crua de queixas pelo presidente—sem fornecer atualizações substanciais sobre o time—corre o risco de desviar a atenção das decisões futebolísticas urgentes que virão neste verão. Com a temporada em desordem, um discurso mais convencional sobre a estratégia esportiva seria esperado.

Por fim, a hora de discurso deixou os observadores com mais perguntas do que respostas. Nenhuma data eleitoral foi definida, nenhum processo eleitoral foi iniciado e a explicação esperada para a campanha medíocre do Madrid nunca veio. A insistência de Pérez de que "não quero me defender por mim, quero defender a instituição" pareceu em desacordo com uma atuação que parecia inteiramente sobre queixas pessoais. Enquanto a sala se esvaziava, a sensação persistiu de que isso era menos um anúncio digno de notícia e mais uma janela para a mente de um imperador relutante em abrir mão de seu trono.

Baseado em reportagens do The Guardian.