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Pierre Sage: 'Este é o ano' para a glória do Lens na Copa

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Pierre Sage sobre a primeira final da Copa da França do Lens: fracassos passados com o Lyon, a seca de 120 anos do clube e a vantagem mental sobre o Nice

A chuva batia forte contra o teto do domo Éric Sikora em La Gaillette, mas Pierre Sage via apenas sol à frente. Em uma entrevista na terça-feira, o técnico do Lens, de 47 anos, exalava confiança calma de que a final da Copa da França contra o Nice encerraria uma seca histórica para seu clube. Dois anos após perder a final com o Lyon, Sage tem uma segunda chance — e desta vez, está convencido de que os astros se alinharam para uma geração que já superou expectativas ao terminar como vice-campeã da Ligue 1.

As próprias lembranças de Sage na Copa são uma mistura de heroísmo e desgosto. Como goleiro jornadeiro no amador Oyonnax em 2003, ele defendeu dois pênaltis para eliminar o Lyon-La Duchère nos pênaltis. No entanto, sua passagem como treinador no Lyon trouxe apenas dor: uma derrota por 2 a 1 na final para o PSG em 2024 e, mais chocante, uma derrota nos pênaltis para o Bourgoin-Jallieu, da quinta divisão, na rodada de 32 da temporada passada. "Esta competição tem sido um fracasso para mim como treinador", admitiu Sage, "mas também é a única que compartilho com meus jogadores".

Para o Lens, a Copa da França é uma ferida aberta. Apesar de celebrar seu 120º aniversário, o clube nunca levantou o troféu. Ainda mais gritante: o Lens continua sendo o único campeão francês (1998) sem um triunfo na Copa. "Quando assinei, era uma piada que seríamos a primeira geração a vencê-la", disse Sage. "Mas semana após semana, percebi que é uma anomalia real. Este clube merece ser recompensado." Os vice-campeões da Ligue 1 estão agora a uma vitória de encerrar essa maldição, e o técnico não vê momento melhor. "Acho que este é o ano certo", declarou.

A jornada até a final não foi nada suave. A partida das quartas de final em Lyon tornou-se uma provação quando o cruzamento desesperado de Corentin Tolisso encontrou Rémi Himbert para um espetacular gol de voleio aos 94 minutos. Sage confessou que aquele momento o destruiu: "Há uma bola morta, só Tolisso na Terra pode jogá-la, e Himbert marca um gol extraordinário. Pensei: 'Não temos permissão para ser felizes'." Mas ele mascarou seu desespero, reunindo seus jogadores para repetir um único mantra: "Nós vamos vencer." Sua voz ecoou dez vezes — e eles venceram, 5 a 4 nos pênaltis, antes de desmantelar o Toulouse por 4 a 1 nas semifinais em um eufórico Stade Bollaert.

Essa resiliência alimenta a crença de Sage. O técnico, que recebeu o prêmio UNFP de Treinador do Ano da Ligue 1 na semana passada após uma ascensão meteórica do futebol amador, forjou um elenco com uma mentalidade de ferro. "Dada a reação deste grupo, a energia que eles colocam diariamente, não acho que cometeremos o erro de subestimar ninguém", disse. O perigo da complacência é iminente porque o Nice chega à final com um fardo duplo: quatro dias depois, enfrentam um playoff de rebaixamento para preservar seu status na primeira divisão.

A situação do Nice adiciona uma camada de guerra psicológica. Enquanto os diretores provavelmente priorizam a sobrevivência, Sage suspeita que os jogadores pensarão diferente. "Um título te acompanha por toda a carreira", observou. "O futuro imediato deles no Nice não está garantido de qualquer forma, então em suas cabeças, a escolha é oposta." Esse conflito interno, acredita Sage, dá ao seu lado uma clara vantagem mental na preparação, mesmo que torne o azarão perigoso.

Por todas as implicações históricas, Sage refreia o discurso de uma temporada dos sonhos. "Não, o sonho teria sido a dobradinha com a Ligue 1", disse, referindo-se ao título que escapou por pouco ao Lens. "Se vencermos, será uma temporada extraordinária e histórica — mas não um sonho. Ainda assim, os jogadores estão determinados a terminar este magnífico ano com um troféu."

Uma vitória consolidaria a incrível trajetória do próprio Sage. De guiar amadores a se tornar o melhor técnico da liga em poucos anos, sua história espelha a ascensão do Lens. Um título da Copa da França daria ao Sangue e Ouro o reconhecimento que a geração de 1998 perdeu e apagaria o estigma de ser campeão sem copa. Também provaria, talvez, que mesmo uma bola morta pode ganhar vida — se você acreditar.

Enquanto a chuva diminui e o sol aparece, Pierre Sage está à beira da história. A primeira geração pode finalmente curar uma ferida de 120 anos, e o treinador que duas vezes ficou aquém pode finalmente sorrir na competição que o assombrou. "Dissemos que seria legal ser o primeiro", refletiu. Na sexta-feira, 'legal' pode se tornar lendário.

Baseado em reportagens do L'Equipe.