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Pirès: Arsenal foi 'perdedor por três anos' antes da

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Robert Pirès celebrou o primeiro título da Premier League do Arsenal em 22 anos após anos de quase-acertos e provocações de 'perdedor', comemorando na Canal+.

Robert Pirès, o ex-meio-campista do Arsenal e membro querido do lendário elenco dos "Invencíveis", mal conseguia conter sua alegria na noite de terça-feira. Aparecendo por videoconferência na Canal+ momentos depois do empate do Manchester City garantir matematicamente o título da Premier League para o Arsenal, Pirès fez uma homenagem crua e emocional ao clube que tanto ama. Com um largo sorriso no rosto, ele mandou beijos para a câmera — um testemunho vívido da profundidade do sentimento compartilhado por todos os associados ao Arsenal após encerrar uma espera de 22 anos pela supremacia nacional.

O triunfo do título, o primeiro do Arsenal desde a campanha invicta de 2003-04 na qual o próprio Pirès teve um papel de destaque, representa muito mais do que apenas mais um troféu. É a culminação de uma exaustiva reconstrução de vários anos sob o comando de Mikel Arteta, uma vindicação da filosofia do clube e uma resposta ensurdecedora aos críticos que rotularam os Gunners de eternos quase-campeões. "Foram três vezes que terminaram em segundo, três vezes que foram criticados", comentou Pirès, com a voz carregada de emoção. "Por três anos foram tratados como perdedores, ou disseram que não jogam bem. Mas agora são campeões, e isso realmente me deixa feliz." As palavras do francês capturaram perfeitamente a narrativa que assombrava o Arsenal: imensamente talentoso, porém incapaz de dar o passo final.

Essa narrativa, no entanto, foi agora reescrita de forma enfática. Sob o escrutínio implacável dos torcedores e da mídia da Premier League, o Arsenal carregou o peso dos segundos lugares, cada um mais doloroso que o anterior. Em 2022-23, lideraram a tabela por 248 dias apenas para vacilar nas últimas semanas; na temporada passada, pressionaram o City até o último dia, mas novamente ficaram aquém. O rótulo de "perdedores", por mais injusto que fosse dado o nível de suas atuações, colou. Pirès, observando de longe, sentiu a dor em nome de seu antigo clube. Sua intervenção na Canal+ foi ao mesmo tempo uma celebração e uma repreensão àqueles que descartaram o projeto de Arteta.

O ex-internacional francês também aproveitou a oportunidade para defender Arteta da enxurrada de críticas que ele sofreu. "Sei que não foi fácil para ele esta temporada porque atiraram mísseis nele", disse Pirès, aludindo às críticas táticas e de personalidade que se intensificaram após cada ponto perdido. As encenações emocionais do técnico na beira do campo, seu sistema às vezes rígido e a suposta dependência excessiva de jovens talentos como Bukayo Saka e Martin Ødegaard foram todos temas de debate. No entanto, através da força de vontade e da evolução tática, Arteta guiou sua equipe a uma solidez defensiva e um ímpeto ofensivo que se mostraram inalcançáveis. O título é um triunfo pessoal para um treinador que, não muito tempo atrás, era visto como um aprendiz inexperiente.

A conexão de Pirès com o Arsenal é profunda, e sua homenagem foi tingida de nostalgia pela era de Arsène Wenger. "É um clube que está perto do meu coração, é onde certamente desenvolvi meu melhor futebol, graças a Arsène Wenger e aos jogadores ao meu redor", disse ele. "O Arsenal é especial, é um grande clube, é uma família." Essa última palavra — família — ressoa profundamente. Ela encapsula a cultura que Arteta cultivou meticulosamente, uma que se baseia no passado histórico do clube enquanto forja uma nova identidade. Da diretoria à base, o senso de unidade é palpável, e se traduziu em campo onde a equipe exibe uma coesão que lembra os melhores times de Wenger.

O momento da confirmação chegou sem que o Arsenal sequer jogasse. O inesperado tropeço do Manchester City em casa, que entregou a vantagem aos Gunners, preparou o cenário para uma coroação que foi ao mesmo tempo surreal e inevitável. Para os fiéis do Arsenal, foi uma libertação de décadas de frustração reprimida. As cenas fora do Emirates Stadium e nas redes sociais capturaram uma torcida que permaneceu ferozmente leal durante os anos de vacas magras. Pirès, agora comentarista de TV, tornou-se sua voz, articulando o orgulho e o alívio que as palavras muitas vezes não conseguem transmitir.

Esta coroa da Premier League carrega implicações significativas para o ecossistema do futebol inglês. A ascensão do Arsenal quebra o recente duopólio do Manchester City e, em menor grau, do Liverpool, injetando um novo e vibrante concorrente na disputa pelo título. Com um núcleo jovem — Saka (23), Ødegaard (26), William Saliba (23) — os Gunners não são apenas um fogo de palha; eles são construídos para o sucesso sustentado. A vitória também altera a percepção de Arteta como treinador. Tendo servido seu aprendizado sob Pep Guardiola, ele agora superou seu mentor em uma partida de xadrez de uma temporada inteira, um feito que melhorará significativamente sua reputação.

Para os jogadores, o título é um rito de passagem. A barreira psicológica de não serem "vencedores" foi quebrada. Declan Rice, que chegou do West Ham em busca de grandes honrarias, foi transformador, mas a narrativa não se concentrará mais na incapacidade do Arsenal de cruzar a linha. Os Saka e Emile Smith Rowe, produtos da academia Hale End, podem agora manter a cabeça erguida como campeões, um status que os fortalecerá para os desafios europeus que virão.

No entanto, o triunfo é tingido com um aviso: permanecer lá é mais difícil do que chegar. A Premier League é implacável, e os rivais se reforçarão. Mas por enquanto, as comemorações são inequívocas. A efusão emocional de Pirès ressalta o quanto isso significa para a família do Arsenal — passada e presente. Enquanto ele soprava beijos para a tela, não estava apenas saudando um troféu; estava se reconectando com um legado que ajudou a construir.

No final, o rótulo de "perdedores" é banido, substituído por um brilhante símbolo prateado de resiliência. O nome do Arsenal está gravado no troféu mais uma vez, e Robert Pirès, o homem que um dia deslizou pelo gramado de Highbury, lembrou a todos que a jornada de volta ao topo, embora agonizante, produz a redenção mais doce.

Baseado em reportagens do L'Equipe.