Jean-Pierre Rivère, presidente do OGC Nice, levantou a alarmante perspectiva de que a partida de volta do playoff de rebaixamento contra o Saint-Étienne, da Ligue 2, possa ser disputada com portões fechados. Seus comentários vieram depois que o Allianz Riviera testemunhou um feio final da temporada da Ligue 1 no domingo, quando torcedores furiosos invadiram o gramado após um estéril empate por 0 a 0 contra o Metz.
Esse resultado selou o 16º lugar para o Nice, mergulhando-os em um playoff de dois jogos para preservar seu status na primeira divisão. O jogo de ida será realizado no Stade Geoffroy-Guichard, do Saint-Étienne, em 26 de maio, e a decisiva partida de volta está marcada para 29 de maio no Allianz Riviera. No entanto, as cenas caóticas ao término do jogo lançaram uma sombra escura sobre esse confronto em casa.
Momentos após o apito do árbitro confirmar um empate sem gols — e a queda do Nice para a zona de perigo —, centenas de torcedores irados invadiram o campo. Eles desabafaram sua frustração por uma campanha que ficou muito aquém das expectativas, forçando jogadores e dirigentes a correrem para o túnel. A mensagem visual foi inconfundível: a paciência havia se esgotado.
Rivère, falando à Ligue 1+ imediatamente após a partida, não tentou minimizar a gravidade da invasão de campo. Ele reconheceu a emoção crua entre os torcedores, mas traçou uma linha firme. "Deploro como terminou, o que aconteceu", disse ele. "Quando voltamos com Maurice Cohen, o principal objetivo era a sobrevivência. Acredito que quando você apoia um time, tem que fazê-lo até o fim; depois teremos tempo de sobra para todas as críticas do mundo."
No entanto, foi sua observação seguinte que fez soar os alarmes na Côte d'Azur. Rivère admitiu que as consequências poderiam prejudicar diretamente as esperanças do Nice no playoff. "Talvez os incidentes nos levem a jogar com portões fechados; veremos", afirmou, indicando que a comissão disciplinar da Ligue de Football Professionnel (LFP) quase certamente revisará o caso.
A possível sanção não é uma ameaça vazia. As autoridades do futebol francês têm adotado cada vez mais uma tolerância zero em relação a invasões de campo, com vários clubes recebendo fechamentos parciais ou totais de estádios nas últimas temporadas. Para um clube como o Nice, perder a vantagem de jogar em casa em um confronto de rebaixamento do tipo "tudo ou nada" seria uma catástrofe esportiva. A energia de um Allianz Riviera lotado era esperada como uma arma decisiva contra o Saint-Étienne, que busca retornar à Ligue 1 após dois anos na segunda divisão.
Sem esse apoio, a vantagem psicológica e tática muda drasticamente para os visitantes. O Nice teria que enfrentar 90 minutos — ou potencialmente prorrogação e pênaltis — em um estádio vazio e ecoante, desprovido do impulso emocional que apenas uma multidão apaixonada pode proporcionar. Para um elenco já com problemas de confiança, isso pode ser debilitante.
O playoff em si é um formato que o Nice esperava evitar completamente. No início da temporada, a classificação europeia parecia ao alcance, mas uma catastrófica segunda metade da campanha corroeu sua posição. O empate contra o Metz, ameaçado pelo rebaixamento, foi um microcosmo de seus problemas: posse sem penetração, ideias sem execução. Agora eles devem se reagrupar rapidamente para um confronto de dois jogos contra um Saint-Étienne que estará experiente em batalhas e sem medo.
Rivère tentou adotar um tom conciliatório, pedindo "união sagrada" apesar de sua decepção. Ele entende a fúria dos torcedores, mas sua tarefa imediata é o controle de danos. O clube aguarda ansiosamente a decisão da LFP, que pode ser anunciada antes do jogo de ida. Qualquer fechamento não apenas afetaria a atmosfera, mas também levantaria questões sobre vendas de ingressos e perdas comerciais.
O caos fora de campo também corre o risco ofuscar a batalha em campo. O técnico e os jogadores do Nice devem compartimentar a incerteza e focar no desafio tático imposto pelo Saint-Étienne. A pressão psicológica de jogar um playoff após semanas de mau desempenho é imensa, e adicionar uma disputa disciplinar à mistura só aumenta a tensão.
Historicamente, Nice contra Saint-Étienne é um confronto carregado de história — dois dos grandes clubes antigos do futebol francês agora lutando pela sobrevivência. A última coisa que qualquer torcida quer é um estádio vazio quando seus jogadores mais precisam deles. As palavras de Rivère servem como um aviso final: as ações de alguns no domingo podem roubar de toda a torcida a chance de empurrar seu time para a salvação.
Enquanto a LFP se prepara para abrir sua investigação, o destino do Nice pende por um fio. O clube deve agora se preparar para duas de suas maiores partidas na memória recente, sabendo que a segunda delas pode acontecer em um vácuo. Rivère deixou claro que o apoio deve ser incondicional até o apito final, mas o dano já pode estar feito. Os próximos dias determinarão se a invasão de campo de domingo foi o ato final de uma primavera miserável — ou o prólogo de uma peça ainda mais sombria.
Baseado em reportagens da L'Equipe.