A dor do Arsenal pela derrota nos pênaltis para o Paris Saint-Germain na final da Champions League servirá como motivação para um verão de reconstrução, já que o técnico Mikel Arteta visa transformar a glória da Premier League em sucesso europeu sustentado. Os Gunners caíram em Budapeste, perdendo a chance de se tornarem campeões europeus pela primeira vez, mas seu foco imediato se volta para celebrar um título doméstico histórico e reforçar o elenco.
A final de sábado foi a primeira do Arsenal na competição de elite da Europa desde 2006, e eles chegaram invictos no torneio. Mas o PSG dominou com 75% de posse de bola, deixando o time de Arteta lutando defensivamente enquanto criava poucas chances claras. A partida terminou 0 a 0 após a prorrogação, e o pênalti elevado de Gabriel foi decisivo, já que os parisienses selaram seu segundo título consecutivo da Champions.
Arteta não escondeu sua angústia. "Dor", ele disse aos repórteres, resumindo o clima. O técnico questionou um incidente no segundo tempo em que Nuno Mendes se enroscou com Noni Madueke, insistindo que "facilmente" poderia ter sido pênalti. Mas ele reconheceu que ficar pensando nos "ses" não mudaria o resultado, admitindo que o Arsenal precisa "encontrar margens diferentes" para vencer esses jogos.
O espanhol já voltou sua atenção para a próxima temporada, prometendo uma revisão completa e decisões "muito ambiciosas, muito rápidas e muito inteligentes". Parte central desses planos é outro investimento significativo no mercado de transferências. Depois de gastar cerca de 250 milhões de libras no verão passado, o Arsenal busca um meio-campista, um ponta-esquerda e um atacante para adicionar profundidade e qualidade, além de explorar vendas de jogadores para equilibrar as contas.
A dor vai perdurar, mas Arteta insistiu que o time aproveitará o desfile em ônibus aberto no domingo pelo norte de Londres, celebrando seu primeiro título da Premier League em 22 anos. O ex-ponta do Chelsea e da Escócia Pat Nevin comentou que, se no início da temporada fosse oferecido um título de liga e uma derrota na final da Champions nos pênaltis, "não é uma temporada ruim, é uma ótima temporada".
O ex-zagueiro Nedum Onuoha insistiu que o Arsenal "não vai desaparecer" e provou que pertence à elite europeia. Seu progresso sob Arteta — desde seu primeiro elenco em 2019 até agora — é evidente. Bukayo Saka é o único jogador que ainda está no clube daquele grupo inicial, e o time evoluiu para um capaz de lutar por todos os troféus.
O surgimento de jovens talentos oferece mais motivos para otimismo. Myles Lewis-Skelly foi titular na final com apenas 19 anos, enquanto Ethan Nwaneri, também de 19, e Max Dowman e Marli Salmon, de 16 anos, devem ter mais destaque nas próximas temporadas. Essa mistura de experiência e juventude, combinada com a ambição de Arteta, pinta um quadro de um clube preparado para o sucesso a longo prazo.
O especialista em futebol europeu Julien Laurens disse à 5 Live que, apesar do final cruel, "é inevitável que este clube ganhe a Champions League". Ele acredita que Arteta encontrará pontos positivos e que o Arsenal está se aproximando a cada ano. A dor de Budapeste pode doer agora, mas pode ser o catalisador que os impulsione ao tão almejado troféu europeu.
O título da Premier League foi um passo monumental, encerrando mais de duas décadas de seca doméstica. No entanto, a forma dessa derrota na final — falta de ameaça ofensiva e derrota nos pênaltis — expôs áreas que precisam de reforço. O trabalho de Arteta no verão será crucial para fechar a lacuna para os melhores do continente.
Enquanto a poeira baixa, os torcedores do Arsenal encherão as ruas, depois de esperar 22 anos por uma festa assim. A diretoria do clube e Arteta sabem que construir sobre esta temporada exige não apenas compromisso financeiro, mas também evolução tática. A dor de uma derrota nos pênaltis pode muito bem ser o combustível que acende um desafio ainda mais feroz na próxima temporada.
Com base em reportagem da BBC Sport.