A Juventus passará a próxima temporada sem futebol da Champions League, e um exame forense de sua campanha na Serie A revela um culpado simples, embora doloroso: a incapacidade de converter domínio em gols. As dificuldades muito discutidas dos Bianconeri não foram devido a um colapso tático ou falta de identidade sob o comando de Luciano Spalletti, mas sim a um desperdício crônico na frente do gol que custou diretamente vinte pontos contra adversários que eles deveriam vencer.
Em uma temporada onde as margens eram muito apertadas, esses vinte pontos perdidos foram catastróficos. O dano foi infligido por partidas contra Torino (casa e fora), Fiorentina, Lecce, Cagliari, Lazio, Sassuolo e Verona — times que terminaram abaixo da Juventus na tabela e que, no papel, possuíam qualidade técnica muito inferior. Apesar de controlar essas partidas com posse de bola variando de 58% a 78%, e gerar um total combinado de 57 chutes no alvo ao longo dos nove jogos, a Juve saiu com apenas uma fração dos pontos disponíveis.
O domínio estatístico se tornou uma métrica vazia à medida que a temporada avançava. Em cada uma dessas nove partidas, os homens de Spalletti criaram aberturas claras e forçaram os goleiros adversários a agir, mas repetidamente encontraram maneiras de errar. O desperdício foi agravado pela fragilidade mental na área: dois pênaltis perdidos — Jonathan David contra o Lecce e Manuel Locatelli contra o Sassuolo — pareciam pedras amarradas aos tornozelos da equipe, cada penalidade perdida representando pontos que nunca chegaram.
Mesmo uma recuperação parcial dessas oportunidades desperdiçadas teria reescrito a narrativa do final da temporada. Se a Juventus tivesse convertido a superioridade nos confrontos diretos em pelo menos metade desses vinte pontos, teria terminado em segundo, confortavelmente nas vagas da Champions League. A hipotética colheita completa de vinte pontos — um experimento mental irrealista, mas ilustrativo — a teria coroado campeã com 89 pontos, dois a mais que a Inter. Esse 'e se' claro sublinha como um único defeito recorrente afundou toda uma campanha.
A consequência imediata é um golpe financeiro e esportivo significativo. Perder a competição de elite europeia significa uma perda de dezenas de milhões em receitas, menor atratividade no mercado de transferências e uma tarefa mais difícil para convencer os melhores talentos a se juntar a um projeto agora fora da elite. Para um clube ainda em reconstrução após anos de turbulência, a ausência de noites de Champions League no Allianz Stadium representa mais do que um revés competitivo — ameaça consolidar um ciclo de mediocridade do qual a Juventus tem lutado para escapar.
Em nenhum lugar a crise de gols foi mais evidente do que no setor de atacantes. A dupla de Jonathan David e Loïs Openda, que deveria assumir o peso ofensivo, apresentou resultados desastrosos. Sua produção combinada ficou tão abaixo das expectativas que forçou Spalletti a constantes reorganizações táticas. Enquanto isso, Dusan Vlahovic — o atacante de destaque do clube quando em forma — sofreu uma frustrante série de lesões musculares que limitaram suas aparições e impediram a construção de qualquer ritmo. As repetidas ausências do atacante sérvio deixaram um vazio que ninguém conseguiu preencher.
Para piorar as coisas, a situação contratual de Vlahovic foi mal administrada. Durante a temporada, a hierarquia mudou sua postura de considerá-lo uma figura marginal a considerá-lo útil, e agora — principalmente para Spalletti, em vez da diretoria — quase indispensável. No entanto, o entorno do jogador não compreendeu totalmente a realidade de sua posição de negociação: um atacante com retornos irregulares na Serie A (10, 16 e 10 gols em campanhas anteriores) e uma temporada definida pelo departamento médico não pode exercer a máxima alavancagem. Ainda assim, a saga se arrasta, atrasando qualquer resolução para o problema mais urgente em campo.
Spalletti, em seu relacionamento complicado com a diretoria, não escondeu sua frustração. O editorial do Tuttosport observa que é o treinador quem agora considera Vlahovic praticamente essencial, enquanto a direção parece menos convencida. Essa desconexão pode definir o verão, já que a Juve deve resolver a questão de Vlahovic ou se mover decisivamente para adquirir um centroavante capaz de marcar pelo menos 18 gols na liga, apoiado por um substituto confiável que possa contribuir com metade desse total.
As implicações mais amplas para o elenco são claras: uma reformulação radical do setor ofensivo é inegociável. Com as receitas da Champions League ausentes, soluções criativas no mercado de transferências se tornam primordiais. O clube não pode se dar ao luxo de repetir o erro de confiar em atacantes que não entregam quando mais importa. Cada lição do desastre dos vinte pontos aponta para a mesma conclusão: o desperdício na área penal é um luxo que nenhum time ambicioso pode sobreviver.
À medida que o verão avança, a Juventus enfrenta uma janela definidora. A margem para erro desapareceu. Os números — 57 chutes no alvo e posse de bola esmagadora transformados em imensa frustração — provam que o sistema funciona até certo ponto. Mas sem finalizadores frios, outra temporada de 'e se...' espera. Baseado em reportagens do Tuttosport.