A seleção nacional da Itália entra em um novo capítulo esta semana, com o técnico interino Silvio Baldini no comando após o terceiro fracasso consecutivo do país em se classificar para uma Copa do Mundo. A Azzurri perdeu o torneio de 2026 na América do Norte, um golpe devastador que levou à saída de Rino Gattuso e forçou a federação italiana a buscar soluções internas. Baldini, que estava orientando a equipe Sub-21, agora supervisiona dois amistosos que têm peso simbólico: o primeiro passo de uma longa reconstrução. Já sua primeira convocação sinaliza uma mudança deliberada em direção à juventude.
Baldini não perdeu tempo em abordar o peso emocional do momento. “Senti isso naquele mês quando me disseram qual seria meu novo papel”, compartilhou com a Sky Sport. “Mas assim que pisei em Coverciano, disse: temos que jogar, temos que tentar fazer bem e pronto”. O ex-técnico de Pescara e Palermo, de 66 anos, é conhecido por sua abordagem fogosa e direta, e enfatizou que o foco deve estar no desempenho, não no sentimentalismo. A Itália enfrenta Luxemburgo na quarta-feira, 3 de junho, às 20:45 horário local, no Stade de Luxembourg, seguido por outro teste contra a Grécia no domingo, 7 de junho. Ambos os adversários, embora não sejam de primeira linha, proporcionam um ambiente seguro para experimentar novas caras e ideias.
O técnico interino deixou claro que confia na geração emergente. “Há muito trabalho a fazer, mas há excelentes jogadores neste grupo que já jogam na Serie A”, disse Baldini, mencionando nomes como Pisilli e Palestra como talentos prontos para dar o salto. Ele também elogiou a atitude de figuras consolidadas como Gianluigi Donnarumma e o jovem atacante Pio Esposito, que abordaram a concentração com notável humildade. “Eles se colocaram à disposição, agradeceram ao grupo por serem aceitos com entusiasmo. Ver esses caras tão pé no chão e tão apegados à seleção é emocionante – eles sentiam que estavam no mesmo nível”, observou Baldini. Esse senso de unidade e ausência de hierarquia pode ser exatamente o que a Itália precisa depois de anos de campanhas desconexas.
A inclusão mais chamativa é a do meio-campista da Fiorentina Cher Ndour, que conquistou sua primeira convocação para a seleção principal em 25 de maio. O jovem de 22 anos representa uma declaração de intenções de Baldini: a Itália não pode mais se dar ao luxo de ignorar seu estoque de jovens talentos. Ndour, falando com jornalistas, exibiu tanto gratidão quanto determinação. “Acredito que a Itália tem jovens jogadores – mostramos isso nos últimos anos com a equipe Sub-21. Infelizmente não nos classificamos para a Copa do Mundo, e dói. Eu era o maior fã, mas não podemos nos deixar abater. Temos que recomeçar e continuar trabalhando”, disse.
Os comentários de Ndour ecoaram um sentimento crescente de que o futebol italiano deve modernizar seu caminho de desenvolvimento. Ele defendeu especificamente a introdução de equipes “B” Sub-23, um modelo comum em toda a Europa que clubes como Inter e Milan estão considerando, segundo relatos. “É uma excelente ideia. No exterior existe em quase todos os lugares, e para o crescimento dos jovens temos que recomeçar também por isso”, argumentou Ndour. A medida poderia preencher a lacuna entre o futebol juvenil da Primavera e a competição sênior, um degrau ausente que há muito dificulta a transição para o futebol de elite na Itália.
Em nível pessoal, Ndour falou sobre seu ídolo no futebol: a ex-estrela da Juventus Paul Pogba. “Sempre o admirei, ele é meu ídolo desde criança, desde que chegou à Juve. Até queria cortar o cabelo como ele”, admitiu o meio-campista com um sorriso. Ele reconheceu uma semelhança estilística, mas foi rápido em acrescentar: “Acho que há um pouco de semelhança no estilo de jogo, mas eu sou eu e ele é ele. Ele ganhou uma Copa do Mundo e fez grandes coisas; espero alcançar o nível mais alto possível”. Essas palavras revelam um jogador com os pés no chão, ambicioso, mas respeitoso da jornada pela frente.
A origem multicultural de Ndour também molda sua identidade. Sua mãe é italiana, seu pai senegalês, mas ele passou quase toda a sua vida na Itália. “Minha cultura é praticamente toda italiana”, explicou. No entanto, ele permanece profundamente ligado ao Senegal, visitando seus parentes lá regularmente. Com a Itália ausente da Copa do Mundo, Ndour torcerá pelos Leões de Teranga: “Vou torcer por eles, infelizmente a Itália não está lá”. É um lembrete comovente de quão longe os Azzurri caíram – um tetracampeão mundial agora de fora olhando para dentro.
Refletindo sobre sua passagem formativa no Paris Saint-Germain na temporada 2023/24 – onde fez quatro aparições na Ligue 1 e marcou um gol na Copa da França – Ndour creditou ao técnico Luis Enrique por acelerar seu crescimento. “Isso me ajudou muito a amadurecer como jogador de futebol e acima de tudo como pessoa. Luis Enrique é especial, trabalha com paixão. Você sente que ele é um tipo diferente de pessoa, e aprendi muito com ele, mesmo apenas nos treinos e reuniões. Ele merece o que está alcançando”, disse Ndour. Essa experiência, embora breve, parece ter incutido uma maturidade profissional que só pode beneficiar a Itália a longo prazo.
Os dois amistosos contra Luxemburgo e Grécia, então, servem como laboratório para a nova Itália de Baldini. Os resultados importarão menos do que o desempenho e a integração de novas pernas em um sistema estagnado. Com talentos como Ndour e o núcleo mais amplo da Sub-21 se graduando, há um otimismo cauteloso de que a Azzurri possa encontrar um caminho de volta à relevância. O caminho para a Copa do Mundo de 2030 é longo, mas o reinado temporário de Baldini pode estabelecer as bases para quem assumir permanentemente. Por enquanto, a mensagem é clara: o futuro é jovem, e começa agora. Com base em reportagens do Tuttosport.